Por Sylvain Justum 

Moda oriental para ruas globais. Alexandre Herchcovitch sofistica sua linha mais comercial, batizada com seu sobrenome, e evoca beduínos e tuaregues para montar um verão muito inspirado, onde fronteiras, sejam elas culturais ou fashion, são relativas.

Isso porque Alexandre mistura de forma precisa referências étnicas e esportivas, deserto com asfalto, tecidos nobres com jeans.

Muçulmanos, os habitantes do Oriente Médio resgatado pelo estilista abusam dos tecidos enrolados na cabeça e no corpo, como os turbantes e o xador – que deixa apenas os olhos à mostra. Na coleção de Alexandre, eles aparecem delicados, transparentes, em crepe, ou no algodão da camisaria.

As cores resgatam a paisagem desértica. Pense, então, em terrosos como cáquis e marrons, acesos por pinceladas de vermelho ou pelo brilho de pedrarias, no bloco final, estampado de mosaicos típicos das mesquitas. É dessa família que saem os looks mais sofisticados da coleção.

Toda essa viagem se traduz em ótimos vestidos com print de mapa múndi e barrados esportivos, camisas e tops levinhos, transparentes, estampados ou lisos, além dos macacões que Alexandre tanto gosta de fazer. Desta vez, eles aparecem no couro marrom desgastado ou no jeans bruto com pespontos vermelhos.

Bazaar adora as pelerines e jaquetas cropped, meio utilitárias, boas para jogar por cima da produção nas horas mais frescas. Solução prática e chic. Sem falar nos excelentes acessórios, entre os quais brilham – literalmente – as sandálias e sapatos cravejados de pontos dourados e as bolsas tote de treliça com a caveira-logo desenhada.

Ao contrário do inverno, bem mais jovem e street, o verão da Herchcovitch parece mirar uma mulher mais adulta, que viaja e absorve diferentes culturas para aplicá-las no seu repertório diário.

O melhor look: O total print composto de blusa estampada, bordada de pedrarias, e saia com tiras de couro preto, já no bloco final do desfile.

O acessório: A sandália de tiras marrom com pingos metalizados.