Um brinde à representatividade: a indústria da moda como ferramenta de inclusão
Foto: Divulgação

De uns anos para cá, o termo inclusão ganhou destaque em vários setores, principalmente na moda. Os modelos padronizados abriram espaço para a valorização das formas e peculiaridades dos corpos. A ideia de que mulheres gordas devem buscar roupas em lojas especializadas no público, por exemplo, caiu por terra, porque se a ideia é representatividade, é preciso que variedade de corpos ocupe as passarelas e vitrines, sem distinções.

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A inclusão no mundo da moda vai muito além de representatividade, leva em consideração que dar autonomia a pessoas com deficiência é uma questão que envolve a manutenção da autoestima e da confiança. Tudo isso terá um reflexo muito positivo na vida dessas pessoas, que já encontram dificuldades em tarefas que são simples para os ditos normais.

Uma questão de etiqueta

A moda inclusiva engloba muitas atitudes, que podem ser bem simples e mesmo assim muito efetivas. Como, por exemplo, etiquetas em braille, essenciais para dar mais autonomia a pessoas com algum tipo de deficiência visual. Além do braille, algumas marcas utilizam etiquetas com estampas em relevo, para incluir o público com restrição visual.

Respeito às diferenças

Quando se fala em uma moda que respeita as diferenças, é importante ter em mente que as pessoas são plurais e suas necessidades também. Uma moda inclusiva vai muito além de oferecer roupas iguais para todos os formatos de corpos, mas entender que a variedade é uma necessidade de um olhar singular, e não padronizado.

Já pensou a dificuldade que é para alguém com deficiência nos braços ou alguma restrição motora fechar botões? Pensando nisso, peças mais inclusivas apostam em adaptações mais fáceis de manusear, como botões de ímãs e velcros. A ideia de incluir está longe de setorizar, e o foco não é pensar em uma moda para deficientes, por exemplo, mas somar a possibilidade da deficiência na moda.

Um bom exemplo é a linha Tommy Adaptive, da Tommy Hilfiger, que lança duas coleções ao ano com peças adaptadas que resolvem diversos desafios relacionados às roupas. A linha oferece modelos com fechos fáceis, uso sentado, decotes de abertura fácil, botões magnéticos e outras características, além um site com design acessível, navegação por voz e envio em embalagens pré-coladas e seladas, que facilitam a abertura.

Um padrão que não serve mais

Grandes marcas de roupas, cosméticos, maquiagens e acessórios já entenderam que os corpos são plurais e as necessidades também. A valorização do corpo e a história que ele conta, seja por meio de estrias ou cicatrizes, faz parte da trajetória de quem quer valorizar sua história, e não esconder. O padrão de beleza homogeneizado já fez mal a muita gente, que, para se enquadrar nos padrões de beleza, desenvolveram grave transtorno de ansiedade, em uma luta desleal contra a sua própria particularidade.

A fase de cabelos lisos impecáveis abriu espaço para a era da transição capilar; a barriga negativa e a pele plastificada abriram espaço para o corpo real; um livro repleto de histórias contadas por meio de marcas e sinais.