Por Juliana Lopes
A INSPIRAÇÃO pode ser uma maravilhosa caixa sem fundos. E as névoas da criatividade da ucraniana Julie Paskal precisavam de uma forma, um projeto, antes de entrar numa produção que envolvesse muito mais do que beleza e imaginação. Sete anos depois de inaugurar sua marca, a Paskal, a designer tem espaço conquistado no gosto contemporâneo e cerca de 50 revendedores espalhados pelo mundo, entre showrooms disputados e e-commerces de luxo. Aconteceu bastante rápido, se pensarmos que a previsão era ter outra profissão:foi a arquitetura que habilitou a estilista a planejar milimetricamente suas coleções.“Antes de ser arquiteta, eu era uma pessoa muito sonhadora.Essa formação me deu as estruturas que aplico agora na minha vida e no processo criativo. São noções de formas, linhas, proporções e cores”, conta a ucraniana à Bazaar.
Os sonhos de Julie começaram cedo.Ainda que não tivesse idade suficiente para se imaginar na vitrine da concept store francesa Colette, como de fato aconteceu, ela tinha aspirações. “Eu era criança e queria inventar alguma coisa. Foi isso que me empurrou para a arquitetura,mas eu precisava de algo que fizesse minhas ideias se concretizarem com maior rapidez, e por isso comecei a fazer roupas. Era um hobby, mas fui me envolvendo cada vez mais e entendi que era necessário lançar a minha marca”, conta.
Nos cortes das peças da Paskal é plausível imaginar a presença de mãos precisas de arquiteta.Apesar das cores, das aplicações humoradas e da pegada chic-minimal-street-alegre que nos impactam, o que chama a atenção como excelência é a forma, pensada e cortada com olhar matemático. E técnicas afiadas de cortes a laser.
As diversas modelagens que cria parecem contrastantes entre si, mas todas acabam em um denominador comum: um repertório que mixa identidades do século passado com novas concepções. Estão lá as mangas bufantes oitentistas, os comprimentos mídi dos anos 1990, peças cropped e até um capuz estilo boxeador que seria super street se não fosse tão doce. Ela se diverte desde a fase de inspiração em brainstorm com sua equipe formada apenas por melhores amigos, até seu momento favorito, o de escolher os tecidos, saber como cada um deles vai se comportar em seu projeto.
Construídas para serem aparentemente peças únicas, em conjunto elas compõem uma proposta leve, elegante, jovem e madura ao mesmo tempo. Como Julie, que, paralelamente à moda, se tornou mãe de três filhos. Os degraus da escalada de Paskal foram precisos como o corte de suas roupas. Ela participou da Semana de Moda de Kiev (Mercedes-Benz Fashion Days).Apresentou sua coleção na Fashion Scout Paris and London. Ficou entre os finalistas do prêmio para novos designers da LVMH (LVMH Prize), em 2014. E acabou chamando a atenção de Sarah Andelman, cofundadora da Colette.“Foi uma surpresa para todos! Num dia me ligam da Colette pedindo o logo da marca, e no outro já estava pronta a vitrine. Foi o momento em que meus sonhos se tornaram realidade. Depois veio a segunda vitrine e agora a terceira”, conta Julie. Recentemente, Sarah escolheu um look da coleção de Paskal para usar no aniversário de 20 anos da Colette, no Musée des Arts Décoratifs. “Muito excitante!”, comemora. E os sonhos de Julie se transformam em vestidos.




