A estilista Julie Paskal. Foto: Divulgação

A estilista Julie Paskal. Foto: Divulgação

Por Juliana Lopes

A INSPIRAÇÃO pode ser uma maravilhosa caixa sem fundos. E as névoas da criatividade da ucraniana Julie Paskal precisavam de uma forma, um projeto, antes de entrar numa produção que envolvesse muito mais do que beleza e imaginação. Sete anos depois de inaugurar sua marca, a Paskal, a designer tem espaço conquistado no gosto contemporâneo e cerca de 50 revendedores espalhados pelo mundo, entre showrooms disputados e e-commerces de luxo. Aconteceu bastante rápido, se pensarmos que a previsão era ter outra profissão:foi a arquitetura que habilitou a estilista a planejar milimetricamente suas coleções.“Antes de ser arquiteta, eu era uma pessoa muito sonhadora.Essa formação me deu as estruturas que aplico agora na minha vida e no processo criativo. São noções de formas, linhas, proporções e cores”, conta a ucraniana à Bazaar.

Look do Outono/Inverno 2017. Foto: Divulgação

Look do Outono/Inverno 2017. Foto: Divulgação

Os sonhos de Julie começaram cedo.Ainda que não tivesse idade suficiente para se imaginar na vitrine da concept store francesa Colette, como de fato aconteceu, ela tinha aspirações. “Eu era criança e queria inventar alguma coisa. Foi isso que me empurrou para a arquitetura,mas eu precisava de algo que fizesse minhas ideias se concretizarem com maior rapidez, e por isso comecei a fazer roupas. Era um hobby, mas fui me envolvendo cada vez mais e entendi que era necessário lançar a minha marca”, conta.

Nos cortes das peças da Paskal é plausível imaginar a presença de mãos precisas de arquiteta.Apesar das cores, das aplicações humoradas e da pegada chic-minimal-street-alegre que nos impactam, o que chama a atenção como excelência é a forma, pensada e cortada com olhar matemático. E técnicas afiadas de cortes a laser.

As diversas modelagens que cria parecem contrastantes entre si, mas todas acabam em um denominador comum: um repertório que mixa identidades do século passado com novas concepções. Estão lá as mangas bufantes oitentistas, os comprimentos mídi dos anos 1990, peças cropped e até um capuz estilo boxeador que seria super street se não fosse tão doce. Ela se diverte desde a fase de inspiração em brainstorm com sua equipe formada apenas por melhores amigos, até seu momento favorito, o de escolher os tecidos, saber como cada um deles vai se comportar em seu projeto.

Look do Outono/Inverno 2017. Foto: Divulgação

Look do Outono/Inverno 2017. Foto: Divulgação

Construídas para serem aparentemente peças únicas, em conjunto elas compõem uma proposta leve, elegante, jovem e madura ao mesmo tempo. Como Julie, que, paralelamente à moda, se tornou mãe de três filhos. Os degraus da escalada de Paskal foram precisos como o corte de suas roupas. Ela participou da Semana de Moda de Kiev (Mercedes-Benz Fashion Days).Apresentou sua coleção na Fashion Scout Paris and London. Ficou entre os finalistas do prêmio para novos designers da LVMH (LVMH Prize), em 2014. E acabou chamando a atenção de Sarah Andelman, cofundadora da Colette.“Foi uma surpresa para todos! Num dia me ligam da Colette pedindo o logo da marca, e no outro já estava pronta a vitrine. Foi o momento em que meus sonhos se tornaram realidade. Depois veio a segunda vitrine e agora a terceira”, conta Julie. Recentemente, Sarah escolheu um look da coleção de Paskal para usar no aniversário de 20 anos da Colette, no Musée des Arts Décoratifs. “Muito excitante!”, comemora. E os sonhos de Julie se transformam em vestidos.