Laufey

Todo começo de ano traz a mesma pergunta: o que vale a pena ouvir nos próximos meses? Em 2026, a resposta está menos em perseguir novidades e mais em acompanhar artistas que vêm amadurecendo seus trabalhos, consolidando linguagens próprias e redefinindo os limites de seus gêneros. Esta seleção reúne nomes que expandem repertório, conectam gerações e transformam música em experiência — seja no fone de ouvido, na pista ou no show ao vivo.

Laufey

A islandesa-americana de 24 anos ressuscitou o jazz para a Geração Z. Com mais de 4 bilhões de streams no Spotify, Laufey combina arranjos orquestrais clássicos com letras sobre crush, ansiedade e solidão urbana. Formada no Berklee College of Music, ela toca violoncelo desde os 8 anos e canta em inglês e islandês. Seu álbum Bewitched (2023) chegou ao top 3 da Billboard e conquistou o Grammy de Melhor Álbum de Jazz Tradicional Pop — feito inédito para alguém da sua geração. É jazz para quem cresceu ouvindo indie pop e procura algo além do algoritmo.

DJO

Djo

Joe Keery ficou conhecido como Steve de Stranger Things, mas seu projeto musical Djo mostra que ele leva a música tão a sério quanto a atuação. Seu último disco, Decide (2022), é uma viagem psicodélica com sintetizadores vintage, guitarras distorcidas e vocais processados que lembram Tame Impala encontrando os Beatles da fase experimental. Keery compõe, produz e toca todos os instrumentos sozinho, criando camadas sonoras que revelam detalhes novos a cada escuta. Em 2024, suas turnês venderam ingressos em minutos — prova de que o público quer vê-lo fora da tela.

Karol G

Karol G

Com 8 indicações ao Grammy Latino em 2024 e turnês que esgotam estádios em dois continentes, Karol G deixou de ser apenas estrela do reggaeton para se tornar ícone pop global. Seu álbum Mañana Será Bonito quebrou recordes de streaming e trouxe narrativas mais autobiográficas — faixas sobre término, recomeço e solidão feminina viraram hinos entre suas fãs. Ela também se tornou referência estética: o azul “Bichota” dominou salões de beleza, e suas colaborações com Shakira e Peso Pluma redefiniram o som latino contemporâneo. Karol não só canta sobre empoderamento — ela o performa.

Olivia Dean

Olivia Dean

A britânica de 25 anos tem uma das vozes mais quentes do soul contemporâneo. Seu álbum de estreia, Messy (2023), foi indicado ao Mercury Prize e ao Brit Awards, consolidando-a como herdeira de Amy Winehouse e Jorja Smith. Olivia escreve sobre relacionamentos falhos, crescimento emocional e identidade birracial com uma honestidade desconcertante, embalada por cordas, pianos e uma produção elegante que não compete com sua voz. Cada canção parece uma conversa noturna com uma amiga próxima — íntima, verdadeira e sem pressa.

Ebony

No rap brasileiro dominado por vozes masculinas, Ebony se impõe com flow afiado e presença de palco que não pede licença. Nascida na periferia de São Paulo, ela escreve sobre maternidade solo, racismo, violência doméstica e autoestima com uma precisão lírica que transforma dor em manifesto. Seu EP Preta (2023) viralizou no TikTok e conquistou crítica especializada. Ebony também investe em estética — seus videoclipes dirigidos por mulheres negras redefinem imaginários visuais do rap nacional. É rap que educa, confronta e emociona ao mesmo tempo.

Mayara Andrade

Mayra Andrade

A cabo-verdiana radicada em Paris representa a música diaspórica em seu melhor momento. Com sete álbuns na bagagem, Mayra transita entre crioulo, português, francês e inglês, fundindo morna, jazz, fado e música brasileira em composições sofisticadas. Seu último trabalho, Manga (2024), explora memórias afetivas através de ritmos africanos e arranjos minimalistas. Ela já dividiu palco com Gilberto Gil, Cesária Évora e Richard Bona — e segue construindo uma obra que dialoga com tradições sem se prender a elas.

Zé Ibarra

Zé Ibarra

Zé Ibarra é carioca e integra a nova geração da MPB que tem renovado a cena musical brasileira a partir de uma estética que dialoga com tradição e inovação. Ele venceu um Grammy Latino com o Bala Desejo e voltou a ser indicado novamente em novembro, desta vez pela canção “Transe”. Seus principais parceiros criativos são Tom Veloso, Lucas Nunes e Dora Morelenbaum, com quem desenvolve uma trajetória colaborativa que atravessa composição, arranjos e experimentação sonora.

Clairo

Clairo

Depois de explodir no bedroom pop, Claire Cottrill amadureceu. Seu terceiro álbum, Charm (2024), abandona a produção lo-fi caseira e abraça o minimalismo elegante — piano acústico, cordas discretas, silêncios estratégicos. Produzido por Leon Michels (Sharon Jones, Lee Fields), o disco soa vintage sem ser pastiche, e trata de temas como luto, identidade queer e amadurecimento criativo com uma vulnerabilidade que não precisa gritar. Clairo cresceu, e sua música também.

Amaarae

Amaarae

A ganense-americana está redefinindo o que significa afropop no século XXI. Seu álbum Fountain Baby (2023) mistura afrobeats, R&B, trap e house em produções futuristas que soam tanto para Lagos quanto para Brooklyn. Amaarae canta sobre sexualidade fluida, liberdade corporal e feminilidade negra com uma confiança que desafia conservadorismos. Suas colaborações com Kali Uchis, Kojey Radical e Cruel Santino a colocaram no radar internacional — e sua estética andrógina virou referência de moda em duas frentes do Atlântico.

Faye Webster

Faye Webster

A fotógrafa e cantora de Atlanta faz o indie folk mais melancólico e irônico da atualidade. Seu último disco, Underdressed at the Symphony (2024), combina pedal steel, cordas orquestrais e letras sobre desamor escritas com humor seco. Faye também é jogadora profissional de yo-yo — detalhe que resume perfeitamente seu universo entre o sério e o absurdo. Suas canções são perfeitas para tardes chuvosas, términos recentes ou qualquer momento em que você precisa sentir algo sem intensidade excessiva.