Foto: Divulgação

A primeira edição do Green Summit Bazaar Ecoera aconteceu na quarta-feira (28.10) e foi um sucesso, com importantes discussões sobre sustentabilidade e as práticas de impacto positivo, com a participação de marcas e profissionais que estão construindo um futuro mais sustentável em diversos setores de moda.

O evento é fruto da parceria entre Movimento Ecoera, pioneiro em integrar a sustentabilidade nos mercados de moda, beleza e design, dirigido por Chiara Gadaleta, e a Harper’s Bazaar Brasil.

O primeiro tópico do encontro foi o consumo consciente, estreando com um bate-papo entre Chiara e a jornalista e expert no assunto Fátima Cardoso. Ela ressaltou que o primeiro passo para ingressar nesta jornada é entender como o ser humano funciona e suas necessidades, para depois focar no fato de que não há necessidade de comprar tanto, e o quanto é importante saber como funcionam as empresas das quais compramos qualquer coisa – de alimentos às roupas.

“Cabe a todos, consumidores e empresas, entender como funcionamos e ajudar a tomar as melhores decisões de consumo”, diz Fátima. Um “empurrão”, nesse sentido, se faz necessário. Um supermercado, por exemplo, pode deixar alimentos mais saudáveis à mostra. “O Google fez isso. Facilitou o acesso às frutas, dificultando o acesso aos salgadinhos e refrigerantes, simplesmente os deixando mais longe da porta de entrada do escritório”.

A mudança na moda também é evidente. “Até um tempo atrás, o fast-fashion era a moda. E hoje muitas empresas pregam o contrário: roupas que duram mais e que possa ser usada por mais tempo. A sustentabilidade passa a ser um valor do qual as pessoas querem agregar para se diferenciar”, finaliza.

Arte: Portal Ecoera

O encontro continuou com uma mesa mediada por Iza Dezon, especialista em tendências e conselheira da Bazaar Brasil. O primeiro convidado foi Guilherme Moreno, que detalhou as iniciativas da Malwee no projeto “Moda Sem Ponto Final”.

“Nossa empresa se preocupa com o futuro, com o que produzimos. Tudo é um ciclo. Afinal, o que estamos deixando para gerações futuras? Como eu vou comprar, de quem, quanto vai durar e o que vou fazer com isso depois?”, questiona o diretor de marketing.

“A Malwee pensa em como recolher um produto e transformá-lo em moda novamente. Um dos nossos parceiros, por exemplo, é o brechó online Repassa, que nos faz praticar um exercício sobre as novas formas de reuso”, finaliza.

André Cintra, da marca de cosméticos Amend, reforçou a questão da embalagem ecofriendly. “A nossa não é construída com plástico de petróleo, mas sim o plástico chamado ‘verde’. Ele tem origem sustentável e também aditivos que o torna biodegradável”, revela.

A consultora Lolô Ascar listou iniciativas simples para aderir ao consumo consciente, que deve sempre começar pelo autoconhecimento. “A ideia é refletir sobre os seus valores. Eu tenho pavor de desperdício e nunca vou pedir em um restaurante um prato que não possa comer por inteiro. No quesito cosméticos, meu filtro é saber se a empresa é cruelty free”, exemplifica.

“Leia os rótulos, leia as etiquetas. Lá tem muita coisa importante: da composição até onde foi fabricado o item. Tome cuidado com a manutenção: lavar direito, reutilizar a embalagem em vez de jogar no lixo e ressignificar um móvel ou uma roupa”, aconselha.

E ainda focando no quesito cosméticos, Soraia Zonta, criadora da marca de clean beauty Bioart, revela que sua ideia para a empresa nasceu da necessidade que sentiu na própria rotina de beleza. “Sou muito alérgica e a indústria de cosméticos é cheia de químicas que fazem mal não só ao planeta, mas também para a nossa própria pele”, alerta.

A beleza limpa, enfim, precisa ser limpa desde a escolha do ingrediente, passando pela cadeia como um todo. “A Bioart, desde 2010, desenvolve produtos aliados a inovação e tecnologia verde. Passamos os últimos cinco anos elaborando um protetor solar natural, pensando no impacto deste produto tão essencial na vida marinha, especialmente na existência dos golfinhos”, diz.

Por fim, Esther Schattan, uma das fundadoras da Ornare, especializada em móveis, lembra da importância de as empresas promoverem ações sociais. “Todas as empresas têm sobras. A moda, por exemplo, tem muitos retalhos. Nossa obrigação é pensar em contactar presídios, ONGs e até creches que possam reaproveitar estes materiais”.

Um dos trabalhos da Ornare é receber móveis de doação, reformá-los e doá-los para abrigos que precisam. “Nada precisa ser desperdiçado, tudo pode ser reaproveitado”, pontua.