Foto: Reprodução/YouTube

Dando continuidade ao evento Green Summit Bazaar Ecoera, a terceira mesa do dia discutiu um assunto essencial a um mundo mais sustentável: a manutenção e o cuidado com as florestas brasileiras. Frineia Rezende, mediadora da discussão, iniciou o momento lembrando da dependência que a moda e o design têm uma dependência aos elementos da biodiversidade.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

O primeiro convidado a falar foi Samuray Martins, idealizador do projeto Akra. Criada há seis anos com a motivação de resgatar a cultura local através do uso de fibras naturais brasileiras que estavam se perdendo, a iniciativa une práticas sustentáveis a valorização de artesãs locais.

“Falar de sustentabilidade é muito fácil quando temos o conhecimento. Mas quando estamos dentro da floresta e precisamos deste trabalho para sobreviver, às vezes não é possível seguir estas boas práticas. Meu papel era ver como poderia ajudá-los para desenvolver este trabalho de maneira mais construtiva e socioeconômica”, acrescenta Samuray.

Pensando em devolver à natureza, a Breton criou o projeto “Meu M²”, em que cada projeto fechado com a marca, não importa o tamanho, eles fazem a recuperação de 1 m² da Mata Atlântica. “Em dois anos, já recuperamos mais de 20 mil m² de Mata Atlântica, escolhida para a iniciativa por ser um dos biomas mais ameaçados do País”, explica Giselle Rivking.

Foto: Arte Portal Ecoera

Seguindo por este mesmo caminho, a Farm sentiu a necessidade de devolver ao meio ambiente, que serve de inspiração e expressão para a marca. “Se nossa estamparia é uma plataforma de comunicação da natureza, como devolvemos para ela e fazemos por ela”, lembra Taciana Abreu sobre os questionamentos da marca.

Foi assim que a label criou uma série de iniciativas, tanto com a população indígena, quanto para a preservação animal e da floresta. “Nosso negócio é extrativista e tem um grande impacto na agricultura. Começamos a plantar árvores com na Mata Atlântica e na Amazônia, mas queremos expandir para outros biomas”, explica Taciana.

Além disso, a Farm iniciou um processo de análise de suas coleções ao longo da quarentena, tomando a decisão de tirar todas as peças sem propósito ou que não fossem sustentáveis, dando mais valor a matérias-primas menos poluentes e ao upcycling. Um estudo de impacto ambiental também fez a label trabalhar mais com o assunto emissão de carbono, recuperando 21 hectares com plantio agroflorestal.

Fechando a terceira mesa do dia, Beto Mesquita, do BVRio, apresentou a ONG que atua em três frentes: floresta, clima e resíduos sólidos, criando mecanismos de mercado que agilizam o processo de cumprimento da legislação ambiental. “Trabalhamos com design e madeira sustentável e começamos a perceber a riqueza da bioeconomia. Para que a floresta se mantenha em pé, precisamos diminuir o desmatamento, fazer cumprir a legislação, garantir que ela tenha valor agregado e e que seja manejada de maneira adequada pelos povos que dependem dela – não só pela renda, mas para a manutenção de sua própria cultura”, explica Mesquita.

Esta realização levou a ONG a criar o projeto Amazônia Ativa, uma plataforma online criada para conectar pessoas floresta e mercado – tanto como uma vitrine, como uma espécie de marketplace. “Na Amazônia também temos áreas urbanas e periféricas, temos pequenos e médios empreendedores que tem na matéria-prima que vem da natureza seus negócios e que precisam de espaço para colocar seus produtos no mercado”, finaliza Mesquita.