Foto:reprodução
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Por Liz Krieger

Desde que o óleo de coco passou a dominar os cardápios da boa forma, com promessas que vão da perda de peso à redução do colesterol, muita gente simplesmente abandonou o azeite de oliva. Mas um novo estudo pode reverter essa tendência e trazê-lo de volta à mesa: pesquisadores americanos descobriram que um antioxidante, o oleocanthal, presente em um tipo específico de azeite (produzido na ilha de Corfu, na Grécia), eliminou células cancerígenas em pesquisas de laboratório. Em menos de uma hora, elas foram aniquiladas. E o melhor de tudo: a substância não afetou as células saudáveis, uma das grandes preocupações de quem pesquisa alternativas de combate ao câncer. As descobertas mostram que o oleocanthal é fatal para células cancerígenas porque consegue penetrar o lisossomo, parte da célula que armazena e recicla resíduos.“Membranas lisossomáticas são maiores e mais frágeis em células cancerígenas em relação às saudáveis, o que as deixa vulneráveis a qualquer componente capaz de romper essa barreira, estimulando tumores”, diz David Foster, um dos autores do estudo da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos. Ele destaca que a quantidade de oleocanthal utilizada é equivalente a 50 mililitros por dia, ou um quarto de um copo de azeite de alta qualidade.

Evidentemente, o oleocanthal é apenas um dos muitos componentes considerados promissores na batalha dos cientistas contra o câncer. Uma pesquisa recente da Penn State University, nos Estados Unidos, demonstrou que uma substância presente no chá verde era capaz de eliminar células cancerígenas na boca sem afetar as saudáveis. Outros estudos apontam ainda que a cúrcuma (também conhecida como açafrão-da-índia, que dá ao curry aquela coloração amarela) é uma arma potente contra muitos tipos de câncer, inclusive o de mama. E não descarte aquele tempero decorativo que costuma aparecer no seu prato. Um estudo feito com ratos na universidade americana do Missouri revelou que a apigenina, encontrada na salsa e no aipo, reduz um tipo de tumor de mama estimulado pela progesterona, hormônio sintético usado por mulheres na menopausa para amenizar os sintomas típicos dessa fase.

Infelizmente, devido ao abismo entre estudos controlados em laboratório e hábitos alimentares no mundo real, não se sabe com clareza quais as quantidades exatas a serem consumidas para se beneficiar de tais alimentos funcionais. “Os resultados obtidos em laboratório ou artificialmente induzidos no organismo de roedores é muito diferente do impacto do alimento ingerido por uma pessoa em sua rotina normal”,diz Victoria Stevens, diretora de serviços laboratoriais na American Cancer Society, em Atlanta.Além disso, os alimentos, ao atingirem o sistema digestivo, passam por uma série de processos que afetam seu destino final no corpo.

“Ainda assim, recomendo o consumo desses alimentos, que, se mal não fazem, podem ao menos ajudar”, afirma Victoria. No fim, o que todos eles têm em comum? São encontrados fartamente na dieta mediterrânea, cada vez mais associada ao aumento da longevidade e às baixas taxas de câncer, doenças cardíacas e demência. A receita é simples: coma muitas frutas frescas, vegetais e peixes, use azeite de oliva sem exageros, limite a quantidade de alimentos processados e carnes vermelhas e beba chá verde sem restrição. “Quando se trata de câncer, são os hábitos a longo prazo que mais contam”, diz Carrie Daniel-MacDougall, professora-assistente de epidemiologia do MD Anderson Cancer Center, em Houston, um dos mais importantes centros de pesquisas contra a doença do mundo.