Foto Alex Falcão

Quer estar mais saudável e preparado para enfrentar o risco do coronavírus? Então durma – e bem (a recomendação é de sete a oito horas seguidas). O sono de má qualidade e a rotina estressante podem afetar, drasticamente, sua saúde. Já há estudos que associam noites mal dormidas à queda da imunidade (porta de entrada de vírus e bactérias) e até a doenças mais graves, como o câncer de mama.

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“Dormir mal comprovadamente provoca envelhecimento cutâneo, aumento do risco de infarto e AVC, maior incidência de pré-diabetes e diabetes, aumento da pressão arterial e doenças autoimunes”, diz o endocrinologista Maurício Hirata, de São Paulo. Por dormir mal, caso de 83% dos brasileiros, segundo levantamento da Hibou, empresa de pesquisa que mapeou o sono de mais de cinco mil brasileiros, muitos recorrem aos remédios para dormir. Isso apenas piora o quadro de forma geral e, mais especificamente, pode ser um complicador no caso do coronavírus.

Em um artigo recente, publicado no site da CNN, o pneumologista e pesquisador norte-americano Bruce Davidson, especialista em infecções, fez um alerta: “Em tempos de pandemia, é bom que você saiba que um dos momentos em que está mais vulnerável para contrair a doença é enquanto está dormindo”.

Isso porque, ele explica, o coronavírus infecta as células da laringe e segue mais profundamente ao pulmão, ao contrário do vírus da gripe comum, que começa no nariz ou na garganta. O coronavírus chega a essas células, diz o médico, via fluidos nasais e da garganta num processo chamado aspiração.

Estudos mostram que pelo menos metade das pessoas aspiram durante o sono. Mas quem usa remédios para dormir ou ingere álcool, o que os leva a dormir mais profundamente, têm chance maior de aspiração. O médico explica ainda que, à medida que envelhecemos, o movimento de engolir fica menos coordenado. “A quantidade de fluido aspirado durante o sono é o suficiente para causar pneumonia”, escreveu ele.

Pessoas saudáveis têm um sistema robusto de transporte de vírus aspirados para o esôfago, onde começa a digestão e eliminação dos invasores. Normalmente, o coronavírus vence as pessoas com sistema respiratório vulnerável ou aquelas que, apesar de saudáveis, são expostas a uma grande quantidade de microorganismos que alcançam o pulmão.

Sono de qualidade

Primeiro passo para dormir bem? Acerte seu ciclo circadiano. É o período de 24 horas influenciado principalmente pela variação de luz e temperatura, que regula todos os ritmos, físicos e psicológicos, do corpo humano, com influência sobre digestão, hormônios, sono, concentração, renovação celular e o controle da temperatura do organismo.

Por muito tempo acreditou-se que o sono das pessoas era regulado pelo hábito, mas as pesquisas mais recentes mostraram que se trata de uma questão genética. Alguns são mais dispostos pela parte da manhã, outros, pela tarde e noite.

A boa notícia é que já existem estudos que provam que é possível manipular o ritmo circadiano a nosso favor para sincronizar com os hábitos de cada um. É a chamada “otimização da saúde circadiana”, ou seja, ajustar sua programação para se adaptar ao relógio interno do corpo.

A ideia é poder alterar o horário de trabalho de acordo com seu “cronótipo” ou sua preferência por manhã ou noite, a fim de ser mais produtivo ao longo do dia. Ou ajustar suas refeições. O horário em que se come pode afetar até o sucesso na perda de peso.

Não é para menos que produtos de wellness pró-ritmo circadiano são uma tendência. É o caso de lâmpadas inteligentes que ajustam a iluminação para aumentar a energia quando você está acordado e acalmá-lo para dormir à noite. Aplicativos de jet lag, como o Timeshifter, criam uma programação personalizada (com conselhos como “evite a cafeína”) para acompanhar seu ritmo. E dada a conexão entre o ritmo circadiano e a temperatura do corpo, dispositivos portáteis, como o Embr Wave, esfriam ou aquecem a temperatura para ajudar a adormecer mais rápido e acordar revigorado.

“Comprovadamente, o sono de qualidade melhora a renovação celular e repõe o tão mal utilizado hormônio do crescimento durante o período noturno, mas de uma forma fisiológica, sem os efeitos colaterais que a administração indiscriminada vem provocando – o câncer é um deles”, alerta Hirata. Siga essas dicas do endocrinologista para um sono de qualidade: desligue todo o tipo de tela (telefones, tablets etc.) duas horas antes de deitar; vá para a cama somente para dormir; adote sempre o mesmo horário de sono e despertar; reduza ou zere a cafeína; e use técnicas de meditação. Sim, em tempos de coronavírus, meditar e acalmar a mente é outro santo remédio.