"Quando nos sentimos bem, nos tornamos mais empoderadas", afirma Paula Lima
Foto: Lucas Fonseca

Quando pensamos em Paula Lima é impossível não se lembrar dos lindos cabelos crespos e volumosos, da pele bem cuidada e do sorriso contagiante – além da voz melodiosa, é claro. A cantora criou para si uma marca registrada que sempre valoriza os fios, sejam soltos ou em tranças. “O engraçado é que nunca pensei neles como ferramenta de defesa ou ataque, mas o que me fazia me sentir bem”, afirma Paula.

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Em entrevista à Bazaar, Paula Lima falou sobre como a beleza se tornou ferramenta de liberdade e empoderamento para as mulheres negras, além de compartilhar o seus segredos de beleza. Leia o papo na íntegra abaixo:

O que é beleza para você?

Acho que beleza obviamente é o que aos olhos das pessoas parece belo, mas principalmente o que a gente sente como belo. Então quando a gente se olha no espelho e se acha bonita, isso já é válido e, para mim, já conta como beleza. Hoje, pela nossa consciência, pela luta pela liberdade de ser, de existir, enfim, pela busca do não-padrão, se você se sente bonita, você é bonita.

Como você acha que a beleza pode ser uma ferramenta para a liberdade?

Acho que quando nos sentimos bem e aceitamos nossos defeitos, criamos uma segurança e nos tornamos mais empoderado. Isso, obviamente, abre portas e caminhos, porque a segurança e a força de uma pessoa diz muito para outra. Não é aquela beleza do um mais um vai dar dois, mas sim a sua essência, que é a base de tudo assim. E quando nos sentimos fortalecido neste sentido, com certeza vamos ter uma atuação melhor na vida, né?

Como você vê que a beleza negra pode ser usada também como ferramenta de luta contra o racismo?

Nós mulheres negras entendemos que estamos na base da pirâmide, mas que esse não é nosso lugar. A gente quer um lugar de igualdade. Também entendemos que o que não era considerado padrão e o que não aceitavam – nossos cabelos, traços – isso, na verdade, é uma questão de ancestralidade e é belo. Acho também que entendemos que podemos nos apresentar de várias maneiras. Acho que existe uma liberdade de expressão muito grande e isso é um bom sinal do que foi conquistado por nós, mulheres. Temos o nosso lugar de fala e temos esse entendimento da luta, mas sem que o outro nos oprima por conta de quem nós somos, de como nós somos.

"Quando nos sentimos bem, nos tornamos mais empoderadas", afirma Paula Lima
Foto: Rogerio Mesquita

Você já recebeu feedback sobre usar sua imagem para demonstrar isso?

Tenho essa consciência e recebo várias mensagens e relatos de pessoas que deixaram o cabelo crespo depois que viram o meu, porque se inspiram nessa minha liberdade, na forma como me apresento. Isso tem a ver com esse cabelo solto e crespo, mas já acontecia nos tempos em que eu usava trança. Mas é engraçado que eu nunca pensei no cabelo como uma ferramenta de defesa ou de ataque, sempre pensei no cabelo como algo estético que ficava bom para mim. Nunca me importei com o olhar do outro ou se o outro achava bom ou ruim. Eu me sento bem e bonita desse jeito e, obviamente, sei que isso tem a ver com ancestralidade, com negritude, com a raça.

Mas acho que tem que sempre ir além disso, porque não adianta você se impor a algo por uma causa, mesmo que essencial, e não se sentir bem. Acho que o mais importante sempre é essa busca pela nossa plenitude, a forma como a gente se apresenta e que o outro respeite essa forma. Isso é uma coisa que sempre exigi: ninguém vai falar do meu cabelo, ninguém vai falar de nada que seja algo ofensivo para mim ou que me oprima, quero ser livre.

Como são seus cuidados com a pele?

Tenho uma rotina muito básica, porque não tenho muita paciência, mas, ao mesmo tempo, sei que é necessário. Então, acho que o básico é beber muita água e dormir bem. Não fumo e não bebo, já não gosto e aproveito isso. Uso um bom sabonete de limpeza manipulado, nunca deixo a pele suja. Também uso tônico e hidratante, na verdade, normalmente passo um filtro solar com um pouco de hidratante. À noite, depois de limpar a pele, gosto muito de passar soro fisiológico. Isso fez muita diferença na minha pele, por incrível que pareça. Depois, passo um creme para dormir. Quando vou na dematologista, sempre peço se tem um comprimido para tomar, como uma pílula de colágeno.

Quais são seus cuidados com o cabelo?

Uso um bom shampoo, que vou variando em dois a três meses. Acho que a parte de hidratação para cabelo crespo é muito importante, então uso uma máscara boa ou um produto da Aussie. Dizem que não é bom para o cabelo, mas sou meio cara de pau. Também gosto dos cremes da Kérastase e sempre uso leave in. Faz toda a diferença e estou sempre variando, entre o da Moroccainoil e o da Natura. Finalizo com um óleo chamado Orofluido, quem me indicou foi o Marcos Biaggi. E detalhe: o ideal é não usar o secador.

Como é sua relação com a maquiagem?

Amo maquiagem, sou vidrada, é quase um parque de diversões. A maquiagem faz muita diferença na forma como você se apresenta. E tem uma série de detalhes que fazem diferença: se a base deixa minha pele oleosa, se é a cor certa, a cobertura é boa. Amo as bases e pó da MAC e as sombras e blush da Oceane. Não ligo muito para batom. Se vou em uma perfumaria e vejo uma sombra que gosto, mesmo que não seja conhecida, compro e experimento. Não tenho medo de brincar com cor. Normalmente, quem faz minha maquiagem sou eu. Procuro sempre intensidade por causa do meu trabalho e do palco. Mas no dia a dia, não ligo muito.

Você tem alguma dica para outras mulheres que querem usar sua beleza como uma ferramenta de liberdade?

Acho que o principal é você se olhar e entender quem você é, o que quer e cuidar disso que você tem. Nada de usar a parte da comparação, comparativo é muito ruim. Nós somos diferentes e temos a nossa assinatura e a nossa beleza, é melhor nos cuidarmos e nos abraçarmos. Acho que o básico que podemos fazer é dormir bem e beber muita água. Não tem grana para colocar mil produtos no rosto? Soro fisiológico, que é baratinho, então esses três itens acho que já fazem toda a diferença no corpo. Hoje em dia, existem muitas influenciadoras maquiadoras. É bacana acompanhar para aprender, mas saber que não é preciso ter 70 bases.

O negócio é também se divertir, não temos que levar as coisas muito a sério. O que a gente tem que levar a sério mesmo é o básico: saúde, respeito, a nossa liberdade, que são coisas maiores do que isso.