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Subverter a beleza convencional é a onda da vez no Instagram

A beleza perfeita está fora de moda

by Anna Paula Buchalla
Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

A beleza perfeita que fez raiz no Instagram, desde os seus primórdios, está sempre a um filtro de distância: aplicativos apagam rugas, acertam a textura da pele, dão uma levantadinha aqui e outra ali, afinam o nariz… tudo muito sutil (ok, às vezes nem tanto).

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Foto - Reprodução/Instagram/@johwska

Foto – Reprodução/Instagram/@johwska

Mas há algo de novo pairando nas redes sociais. Na contramão da beleza plástica, um festival de maquiagens e filtros totalmente inovadores dá um tom subversivo, surreal, quase sci-fi aos rostos. A artista digital alemã Johanna Jaskowska (@johwska) é um dos principais nomes por trás dessa nova arte: já atraiu mais de meio milhão de seguidores com seu filtro Beauty3000, que transforma humanos em uma espécie de robô plastificado (com um toquezinho de glitter colorido).

Foto: Reprodução/Instagram/@isshehungry

Foto: Reprodução/Instagram/@isshehungry

A transexual alemã Hungry (@isshehungry), maquiadora de Björk, foi outra a criar uma marca com seus makes futuristas e transformadores. Olhos aumentados, distorcidos e deformados, sobrancelhas deslocadas, maçãs do rosto volumosas e redesenhadas. Beleza indigesta? Que nada, é algo tão novo que atrai o olhar – e é lindo de ver.

Foto: Reprodução/Instagram/@isshehungry

Foto: Reprodução/Instagram/@isshehungry

E, de repente, parece que o Instagram foi tomado por essa ideia de beleza artificial elevada à enésima potência. Em um mundo que preza a plástica acima de qualquer ruga, é especialmente intrigante e subversivo esse movimento. Em uma entrevista recente ao portal americano “The Verge”, plataforma multimídia que analisa o impacto da tecnologia no futuro de nossas vidas, Johanna explicou que a ideia de uma beleza artificial plástica é especialmente relevante nos dias de hoje. “Ao criar esse aplicativo, eu pensava: ‘Vocês querem uma plástica? Eu darei a vocês a plástica real’”, disse.

Foto: Reprodução/Instagram/@exitsimulation

Foto: Reprodução/Instagram/@exitsimulation

Assim como ela, vários designers gráficos estão trabalhando em filtros com esse mesmo look distorcido e artificial. Aaron Jablonski (@exitsimulation) abusa da beleza fantasmagórica com seu filtro One, que tem conquistado milhões de usuários que passaram a se ver de formas fisicamente impossíveis, que jamais imaginariam ver antes.

Até mesmo aquelas maquiagens transformadoras, capazes de fazer do feio bonito em alguns minutos, podem estar com seus dias contados. A própria Pat McGrath (@patmcgrathreal), maquiadora inglesa que tem superpoderes no mundo da beleza, tem se arriscado em makes com toque surreal.

Foto: Reprodução/Instagram/@isshehungry

Foto: Reprodução/Instagram/@isshehungry

Mas a drag queen Hungry reina nesse quesito “subverter a beleza convencional”. Ela conquistou um séquito de fãs com seus elementos estranhos, entre eles, a cantora Björk que a adotou como make up artist preferida e colaboradora. Hungry surgiu recentemente com seu visual esquisitão na passarela da New York Fashion Week, desfilando para Kaimin.

Rick Owens - Foto: Getty Images

Rick Owens – Foto: Getty Images

O estilista Rick Owens também apostou em aliens glamorosos em seu desfile em Paris nesta temporada – modelos pareciam ter saído de um filme de ficção científica. Desfigurados, excêntricos, esquisitos e, ainda assim, extremamente fascinantes aos olhos.

Foto: Reprodução/Instagram/@aubhelden

Foto: Reprodução/Instagram/@aubhelden

Aqui no Brasil, Aun Helden (@aunhelden), performer, escritora, cantora e maquiadora, foi tema de matéria da revista inglesa “Dazed” com seu trabalho com foco em questões de gênero e sexualidade que usa, entre outros, muitos elementos fálicos. “Minha crítica se permeia no lugar do concreto e da exatidão, e o ideal de ser e de produzir beleza está marcado por uma ideia nada aberta para possibilidades diferentes de ser, recusando toda a pluralidade da existência de corpos e seus diversos formatos e expressões”, diz à Bazaar. “Minha maquiagem prostética parte para mim como minha própria carne, eu me dou um formato, eu manipulo minha própria anatomia para criar a beleza que me caiba, e para mim é sobre isso: criarmos formas de expressões que nos caibam.”

Há várias outras críticas por trás do conceito: uma delas diz respeito à plástica e à beleza perfeitinha que o Instagram insiste em nos jogar na cara. “Como vivemos em um país com essa grande quantidade de cirurgias plásticas, é impossível não sentir a pressão estética causada. Mas nada contra, até porque a liberdade corporal não carrega um modelo sólido e prescrito, é tudo sobre recortes da singularidade de cada um”, fala Aun.

Mas, mais do que isso, as pessoas estão se revelando mais experimentais ao interagir com o mundo virtual. Se passamos a maior parte do tempo online, significa que somos parte do tempo humanos e parte do tempo seres virtuais. Essa imagem nada mais seria do que uma espécie de avatar, um mundo cheio de possibilidades para quem cria e para quem usa e abusa desses recursos.

Se você pensou em Lil Miquela e Noonoouri, as influenciadoras digitais que não existem fora da rede social, é exatamente isso. Quebrar regras e padrões de gêneros e da própria beleza é condição sine qua non dessa nova – e surreal – era.

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