Cecilia Dean - Foto: Getty Images
Cecilia Dean – Foto: Getty Images

Por Ligia Carvalhosa

7:00
Acordo com o som estridente do meu despertador sintonizado na rádio 1010Wins, uma estação de hard news um tanto irritante, que anuncia o tempo, as principais notícias e a hora. Gosto de apertar o snooze algumas vezes, fico em um estado de semi consciência. Estar na cama com o meu namorado, David, ao meu lado, um gato em nossos pés e outro no meu peito é o que mais gosto pela manhã. Finalmente me levanto, porque Pookie, um dos gatos, está com fome e andando no meu rosto.

7:30
Depois que me levanto, sou pura eficiência. Enquanto estou no chuveiro, já penso no que vou vestir com base no clima e no que vou fazer ao longo do dia. Gosto de comprar sabonetes quando viajo, agora estou usando um de essência de mirtilo, da minha viagem de verão para Glacier Park, em Montana. Hidrato minha pele com os produtos suecos Dermalogica e Tromborg. Não uso maquiagem e sempre torço meu cabelo em um coque. Meu closet foi o primeiro cômodo que ficou pronto quando reformamos nossa casa. Ele tem piso aquecido e uma porta de vidro que se abre para um terraço com vista para o jardim abaixo.Tenho mais roupas do que espaço e há pilhas e mais pilhas de peças, sapatos e bolsas.

8:00
No café da manhã, como um pedaço de pão e um ovo cozido das nossas galinhas, que vivem na fazenda de David, em Rockaway.Também aproveito o tempo para organizar minha bolsa e conversar com meu namorado.

8:15
Vou para o trabalho pedalando minha bicicleta vermelha da Martone, marca do brasileiro Lorenzo Martone.Vou de Red Hook, no Brooklyn, até o Flat Iron District, em Manhattan, onde fica o escritório da Visionaire. É um passeio agradável ao longo do rio e sobre a ponte de Manhattan, até o East Side. Demoro cerca de 45 minutos. E pedalar de salto alto não é um problema. O problema está na possibilidade de detonar os meus sapatos. Por isso, costumo levar os mais preciosos na bolsa.

9:00
Pego o elevador de serviço com minha bike, porque ela é muito legal para ser deixada na rua, e a estaciono na cozinha do escritório. Faço um chá (agora estou bebendo chá de uma empresa chamada August), com leite de soja. Encho uma garrafa com água e vou para a minha sala. Lá, tenho 30 minutos de silêncio, verifico e-mails e faço algumas anotações sobre as prioridades do dia – tenho uma parede magnética repleta de conceitos e propostas, além de uma lousa cheia de notas e listas.

9:30
Meu designer gráfico, Eli [Rosenbloom], me visita e temos um rápido bate-papo sobre o que ele precisa para trabalhar em prazos e materiais. Nosso diretor criativo, Greg [Foley], também participa. É um ambiente muito positivo e amigável, cheio de ideias.

11:00
Gasto o próximo par de horas revisando propostas, revendo orçamentos com o meu diretor de produção, Don [Hearn], conversando e trocando e-mails com artistas, e debatendo ideias com meu parceiro James [Kaliardos].Todas as chamadas para a Europa precisam ser feitas antes do meio-dia.

12:30
Saio para almoçar. Como bastante, é a principal refeição do meu dia, mas não gosto muito de carne. Costumo pedir salada de couve, legumes grelhados e um suco verde. Existem muitos lugares no Flat Iron District, como o Eataly, Mangia, Maison Eric Kayser, Eisenberg e Juice Press – alguns dias por mês, tomo apenas sucos, principalmente quando volto de alguma viagem e quero limpar o meu sistema. Há dois bons supermercados, Whole Foods e Fairway, a duas quadras de distância. Também uso esse tempo para responder a e-mails pessoais e telefonemas. Se o clima está bom, vou comer no Madison Square Park, no Shake Shack. Raramente me encontro com pessoas para o almoço, leva muito tempo.

13:30
Na parte da tarde, é um bom momento para falar com o nosso agente no Creative Artists Agency, em Los Angeles. James e eu estamos criando filmes, vídeos e programas de TV. Nós nos reunimos com nosso editor digital, Lars [Petersen], para discutir o site e os próximos projetos de vídeo/blog.

15:00
Sento novamente com Eli para rever suas tarefas e dar um feedback. Concentro-me em mais e-mails e textos. Faço ligações para Los Angeles e outros endereços dos Estados Unidos. Neste momento, estou entrevistando produtores de cinema para contratar. Estou focada em nosso evento na Art Basel Miami Beach, por isso estou em constante diálogo e reuniões com a empresa de produção e nossa agência de relações públicas, Black Frame.

18:00
Encerro meu dia, olhando para o que foi realizado e o que ainda precisa de atenção.

19:00
Viver em Nova York é sinônimo de ter sempre algo para fazer: vernissages, coquetéis, jantares beneficentes – e, de janeiro a maio, dou aula todas as quartas-feiras na Parsons School of Design. Mudo para sapatos mais extravagantes, escolho outra bolsa,passo um pouco de maquiagem (apenas corretivo, blushe batom) e estou pronta para ir.

22:00
Volto para a Visionaire para pegar minha bike e sigo para casa – tento não estar bêbada, mas acontece de eu estar embriagada. Então, se estou com David, ele coloca a bicicleta na caçamba de sua pick-up e voltamos juntos para casa.

24:00
Os gatos estão morrendo de fome e nos encontram na porta de casa.Vou direto para a cozinha para alimentá-los.Tiro os sapatos e fico descalça (no verão é quente e, no inverno, temos piso aquecido). Coloco meu celular para carregar.

24:30
Subo as escadas e troco de roupa – visto leggings e um moletom –, de preferência da Rodarte ou uma das peças criadas em parceria entre a Visionaire e a Gap. Acendemos a lareira, verifico e-mails, olho minha agenda do dia seguinte e vejo a previsão do tempo. David e eu estamos o tempo todo conversando.Tento lavar meu rosto, mas algumas vezes sou muito preguiçosa e deixo passar. Bebo um copo de água e vou para a cama.

1:00
Visto uma bata branca de algodão masculina, que comprei em Dubai, ou um caftã rosa e laranja do Dudu Bertholini. Leio
algumas páginas de um livro e durmo com as luzes acesas. É um péssimo hábito. David vem para a cama algumas horas depois, desliga as luzes e, cuidadosamente, desliza para a cama, de modo a não perturbar o gato aos meus pés e o no meu peito.