Foto: Pedro Loureiro

Elza Soares, que está lançando duas músicas – “Juízo Final” e “Negrão Negra” -, conta como foi a primeira comemoração de seus 90 anos – ela celebra o aniversário em duas datas. Leia abaixo:

10h

“Todos os dias, me levanto, olho no espelho, sempre me encanto com meu cabelo e a cor da pele dos meus ancestrais. Reza a lenda que eu faço aniversário duas vezes no ano. Reza a lenda e rezo eu pra agradecer por tanta vida.

Para quem passou pelo que eu passei, celebrar durante um mês inteiro é pouco. É em 23 de junho ou 22 de julho? Não importa. Eu comemoro nas duas datas e neste ano será o mês todo”, escreveu a cantora em suas redes sociais em 23 de junho, que consta em seu documento como o dia em que foi emancipada.

“É, cara, mais uma primavera, mais um passaporte carimbado rumo à próxima década, mas não conto quantos anos tenho. Nunca parei pra contar. Ia dar uma trabalheira danada. Há dias em que nem nasci ainda, estou no ventre, em outros acabei de nascer, sei lá. Sou menina, filha do século 21 e mulher feita, tenho a idade de Nefertiti. Vou vivendo, me reinventando e vivendo nos últimos anos, os melhores dias da minha vida”, continuou ela.

Como presente de aniversário, Elza pediu um dia tranquilo, sem atividades que tivessem carga de trabalho. Até a fisioterapia foi cancelada. Queria fazer suas coisas com calma. Acordou mais lentamente e ganhou um caprichado café da manhã na cama.

11h

Tomou banho e foi fazer todas as preparações de uma mulher vaidosa: fez as unhas, passou os cremes que adora e depois tomou sol sem roupa em seu apartamento em Copacabana, no Rio, como sempre faz. “Pego sol na sala completamente nua, é a minha vitamina D. É bom que eu vejo todo mundo e ninguém me vê”, diz ela à Bazaar.

Foto: Pedro Loureiro

13h30

“Almocei tão pouco, mas gostoso, arroz com carré.”

15h

Por causa do distanciamento social, as visitas subiram ao apartamento de Elza aos poucos, em grupos pequenos de três ou quatro pessoas por vez. Filhos, netos e amigos foram parabenizá-la, mantendo a distância necessária. Quem não pode ir, mandou presentes e flores – a aniversariante recebeu mais de 20 buquês.

“No período da tarde, ela falou que queria olhar para Copacabana. Foi bonito este momento, ela ficou na janela um tempão, refletindo sobre a vida, sobre tudo. Vi que ela estava bem emocionada. Ficou uns 40 minutos contemplando a orla de Copa, vendo o mar e voltou para a cadeira”, conta seu empresário e amigo Pedro Loureiro.

21h

Foi ele o responsável pela maior surpresa do dia, uma serenata na janela especialmente para a aniversariante, que mora no quarto andar. Emocionada, Elza assistiu ao músico que tocava para ela na rua. Os outros condôminos também viram a homenagem e aplaudiram de suas janelas

22h30

“Eu não janto, é uma coisa estranha, mas não janto”, contou ela. E também falou do ritual que tem antes de ir para a cama: “Rezo muito as orações que eu mesma faço. E não tenho hora para dormir, deito a hora que o sono vier.”