24 horas com Urias
Foto: Fe Liberti

Depoimento a André Aloi

Urias, cantora pop de 26 anos, intercala, em casa, a rotina de exercícios e skincare com a criação do seu primeiro álbum, previsto para ser lançado no ano que vem. Bazaar passou 24 horas com ela e revela como ela passa o seu dia:

8h

Acordo e fico pensando no que sonhei para não esquecer, não anoto, mas é uma boa. Começo com skincare no rosto. Uso sabonete para pele sensível e um sérum com vitamina C para o dia. Faço exercícios de perna e abdômen, intercalados. Prefiro praticar em jejum e, se tiver comido algo, espero 40 minutos para começar.

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Nas últimas semanas, não tenho tomado café preto, prefiro chá mate. Quando paro para comer algo, tem pão francês, queijo e banana. Se estou com mais tempo para sujar louça (as unhas atrapalham na hora de lavar), faço ovo mexido ou vitamina no liquidificador. Já moro em São Paulo há dois anos, com a Mel (também cantora).

11h

Começo a ouvir as bases do meu primeiro álbum (previsto para o ano que vem) e tento exercitar a composição como se fosse prova do Enem. Vejo a mensagem que quero passar, escolho as palavras de maneira seletiva para não abrir margem à interpretação.

Neste trabalho tem coisas muito pessoais que coloquei nas letras para tirar um peso de mim. Mas não estou aqui para falar de gênero, não sou médica, não sou socióloga nem filósofa. Meu gênero tinha que ser só um detalhe, não o assunto principal.

13h

Antes de lançar o novo single (“Rasha”, carro-chefe da nova era; ela também participou de “Vênus em Escorpião”, de Gaby Amarantos com Ney Matogrosso), tinha mais tempo e preparava o almoço, mas não sou ótima cozinheira. Sei fazer três coisas: miojo, omelete e água quente no microondas (gargalha). Sou vegetariana e tento equilibrar a dieta com proteína de soja. O que não está no prato, tento fazer suco. Bebo muita água, uns três litros por dia.

24 horas com Urias
Foto: Luiz Filho

15h

Tenho assistido muito tutorial de maquiagem, documentários dos anos 1960 e 1970 sobre história da música, do hip hop, e a série documental “Quem matou Malcolm X”. Terminei “Euphoria” e “Pose”, mas comecei “Little Fires Everywhere” e “Big Little Lies”.

Enquanto estou fazendo coisas de casa, ouço música, que varia com meu humor. Se estou me sentindo para baixo, jogo a vibe lá para cima. Não faço terapia, fazia no começo da transição, há quatro anos. Tive bastante acesso e ajuda terapêutica para poder entender o que estava acontecendo no meu corpo e mente. Me ajudou bastante. Queria que mais pessoas como eu tivessem acesso.

17h

Como uma torrada, alguma besteira e mais chá. Também gosto de leite com achocolatado gelado. No começo da pandemia, havia tentado criar uma rotina de leitura, lia bastante quando era mais nova, não sei o que houve no caminho. Estou fazendo aula de espanhol. Carreira internacional é um sonho para qualquer artista. Almejo, mas não consigo ver isso ainda. Estou treinando, não para cantar neste próximo trabalho, quem sabe um single em paralelo?

Vou fazendo as coisas a seu tempo, sem pular partes. Fiz dança de rua dos 6 aos 14 anos, sempre quis ser cantora, performer, artista e cada dia mais tenho certeza da minha escolha. Quando saí do Ensino Médio, passei em Tradução e depois em Relações Internacionais, na Universidade Federal de Uberlândia (MG). Percebi que ali não era muito meu lugar.

19H

Quando morava em Minas Gerais, eu e Pabllo (Vittar, com quem trabalhava antes de se lançar em carreira solo) vivíamos juntas. Hoje, a gente fica duas horas no telefone, contando as novidades e evita falar de trabalho para que, quando surja algo, a surpresa seja legítima e genuína.

21h30

Não todo dia, mas é a hora em que entra a pizza de aplicativo, sanduíche, fast food vegetariano, hambúrguer de berinjela. Quando estou em um dia ruim, peço um milkshake para compensar. Uma semana antes de gravar um clipe, se tiver que aparecer muito pelada, tento dar uma diminuída no carboidrato. É triste! (risos)

23H

Depois do jantar, não duro muito. Só se tiver que fazer algum trabalho ou muito na vibe, como maratonar série. Rotina de skincare antes de dormir: quando lavo o rosto, passo água termal e sérum. Faço máscara, amo a de argila com água de coco, de duas a três vezes por semana, ou quando percebo que minha pele está diferente. Vou dosando.

Não sou uma pessoa que tem costume de rezar, tento parar para refletir sobre as coisas que estão acontecendo ou estão por vir, trabalhando essa gratidão sem tirar crédito do meu esforço. Deitar a cabeça no travesseiro e falar: não precisei fazer nada que não queria hoje. Não passei por nenhum perrengue, comi quando precisei, estou me exercitando, bonita e com saúde. Não são todas as meninas como eu que têm acessos e alcances, estão mais em um lugar de sobrevivência.

Deito por volta de 23h30, e levo o celular para a cama. Se tiver alguma coisa na internet, vou fuçando até cair no sono. Durmo por volta de 00h – se o Twitter permitir, claro!