O time da Bazaar, em parceria com a Hering, promoveu na terça-feira (03.03) um evento com dois talks que se aprofundaram na relação entre moda e feminismo, na Casa Mani, em São Paulo. O evento lança a edição de março da nossa publicação, que tem Mariana Ximenes na capa e defende o fim do termo “tomara que caia”, para substituí-lo por “blusa sem alça”, como se chama a roupa no mundo todo, menos no Brasil.

Na primeira mesa – comandada por nossa redatora-chefe Luciana Franca -, a roteirista Camila Fremder; Rita Coelho, gerente de marketing da Hering; Dianela Dantas, do WGSN; e Heloisa Melilo, da ONG Bem Querer Mulher falaram sobre como a liberdade é direito básico de todos. “Estamos em um momento em que queremos falar o que pensamos, mesmo que isso seja complicado. E isso não é uma tendência, não vai mudar, é um contexto social”, afirma Daniela sobre o fato de manifestações de todo tipo se tornarem cada vez mais populares e importantes.

Já Camila acrescenta que, nas redes sociais, as pessoas deixaram de querer falar e ouvir meras fofocas para discutir assuntos importantes. Complementando a discussão com dados, Heloísa reforça que o aumento dos números de casos de violência contra a mulher são uma resposta à força de suas reivindicações. “Durante séculos, há uma divisão de papéis em que o homem toma o espaço público e a mulher se mantém no privado. No momento em que a mulher se levanta e toma esses lugares, ela quebra um padrão – e para toda ação tem uma reação, incluindo do homem que tem medo de perder sua posição para as mulheres que estão fortalecendo suas vozes”, finaliza.

Dando continuidade ao evento, a publisher Patricia Carta recebeu nossa cover girl, Mariana Ximenes; Dudu Bertholini; Ana Paula Xongani, do Ateliê Xongani; Carol Albuquerque, da Hysteria; e Andrea Ribeiro, gerente geral de estilo da Hering, para falar sobre a moda que empodera. Iniciando as discussões, Patrícia contextualizou o surgimento das blusas sem alças, inspiradas em um vestido de festa criado por Balenciaga na década de 1940, e como a moda se transformou junto do movimento feminista. “Estamos passando por uma grande revolução, que não é estética”, diz Dudu Bertolini.

Já Xongani lembra que, durante anos, a moda foi imposta, e que os movimentos atuais pregam o contrário. “Vamos deixar de usar ‘tomara que caia’, que tem conotação sexista; e ‘nude’, que é racista”. A maneira como Mariana Ximenes decidiu se vestir na abertura do Festival do Rio, em 2019, é um exemplo de como a moda pode comunicar. “Em um momento em que a Ancine decidiu retirar cartazes de filmes nacionais de seu site e de sua sede, vi que não podia apenas usar um vestido. Foi então que optei por comparecer ao evento com uma peça feita com os estandartes de grandes filmes, que são essenciais para a cultura brasileira”, recorda a atriz.

Para Carol, criadora da plataforma Hysteria, a mulher está se libertando do olhar masculino que subjuga, o que faz com que o modo de se vestir se torne mais pessoal e livre.