Iris Apfel - Foto: Reprodução
Iris Apfel – Foto: Reprodução

A decoradora americana Iris Apfel, um dos maiores ícones de estilo na moda, fala à Bazaar sobre roupas, acessórios e claro, atitude-que ela tem de sobra. Confira!

O que mais gosto na moda: Não gosto quando a moda se torna ditatorial. Nem tudo é para todo mundo. Não gosto de seguir tendências; não enlouqueço com o que está in ou out.

O que envelhece uma mulher: Tentar parecer mais jovem. Ela fica com cara de boba. É preciso se vestir de acordo com a própria idade, e isso vale para todo mundo. É terrível quando uma mulher acima de uma determinada idade mostra os braços, mesmo que seja atlética. Os braços não têm um bom aspecto quando a gente envelhece. E os joelhos de uma mulher de 70 anos não são bonitos. Além disso, cabe¬lo comprido deixa o rosto caído. E quem é mais velha não pode exagerar nos baba¬dos e rendas. Mas é claro que sou a favor de ser feliz. Se tiver de decidir entre me vestir mal e ser feliz, prefiro ser feliz.

O que está errado na moda hoje: Desde que me transformei numa estrela geriátrica, as mulheres vivem me perguntando: “O que devo vestir?” Para ser sincera, as mulheres de hoje levam isso muito a sério. A moda não pode ir longe a ponto de deixar a pessoa infeliz. Quem fica infeliz envelhece. Não intelectualizo aquilo que visto. Uso a roupa que tenho vontade de usar, e pronto. As pessoas me olham e dizem: “Nooooossa”. Mas eu acho que é tudo mentira.

Tendência de que menos gosto: Me irrita o visual “descuidado” de algumas jovens de hoje. Quando eu era jovem, a gente gostava de ficar bonita. Mas também nunca virei escrava a ponto de tentar me vestir como os outros.

Fica bom, não importa a idade: Se o cabelo está arrumado e o sapato é bonito, não tem muito erro. Além disso, é preciso ter uma atitude positiva: manter o equilíbrio. Não há cirurgia plástica no mundo capaz de resolver a vida de alguém infeliz.

Estilo é: Saber quem você é. Outro dia ouvi uma boa definição: “Estilo de verdade é ser curioso sobre si mesmo”. E ter atitude, atitude, atitude!

Bom gosto é: Ótimo, mas, às vezes, o excesso de bom gosto deixa a pessoa com um aspecto quadrado e tenso. Não há nada de errado em ficar um pouquinho fora do prumo. Ninguém quer ser um exagero de mau gosto, mas ser per¬feita não é normal.

Um acessório perfeito é: Eu acredito em acessórios. Gosto de roupas estruturadas e de mudar meu look usando joias.

Nunca saio de casa sem: Meus óculos, porque, provavelmente, eu rolaria es¬cada abaixo. Hoje em dia, os óculos viraram alta moda. Dá para variar muito o visual usando óculos.

Estilistas que amo: Amo Ralph Rucci, sempre. E Naeem Khan faz desfiles maravilhosos. Dolce & Gabbana não é para mim, mas, de vez em quando, eles fazem coisas espetaculares.

Meu uniforme: De dia, vivo de calça jeans. Tenho muitas, da mais simples à mais fabulosa. Acho que fui uma das primeiras mulheres a usar jeans; uma vez, comprei briga numa loja de produtos do exército, porque queria levar um jeans. É uma peça básica, que permite ser criativa no resto. Tenho também um jeans black-tie maravilhoso. Gosto de roupas simples e dramáticas. Um pouquinho de dramaticidade é sempre bom.

É possível cometer erros na moda? Por que não? A patrulha fashion não vai mandar você encostar o carro e te levar para a cadeia! De vez em quando, pode até ser bom cometer um erro. Suas amigas te encontram no dia seguinte e dizem: “Ufa, hoje você está bem melhor”.

Primeiro disco que comprou: Jazz. Tenho uma longa história com o jazz; isso vale outra reportagem. Fiquei amiga de Duke Ellington, foi sensacional.

Livro preferido: Não consigo pensar assim. Pedir que eu escolha um livro preferido é a mesma coisa que me pedir para escolher um filho preferido. Gosto muito de poesia, principalmente de T. S. Eliot. Costumo recitar The Love Song of J. Alfred Prufrock para mim mesma.

Com quem você fantasia fazer um dueto: Não tenho fantasias. Minha vida é uma fantasia.

Coisa de que mais me orgulho: De ter tido várias carreiras diferentes e continuar fazendo coisas novas aos 91 anos. Tenho minha coleção de óculos para a Eyebobs e minha linha de bolsas, sapatos e joias para a HSN. Quero ajudar as mulheres a serem elas mesmas e ensiná-las a não se enfiarem num casulo depois de uma certa idade. Além disso, em março eu e meu marido comemoramos 65 anos de casados.

Programa preferido: Estou viciada em Downtown Abbey.

O que é supervalorizado hoje em dia: Nossa, nem sei por onde começar. O estresse excessivo causado pela tecnologia é desumano. As pessoas vivem apertando um monte de botões.

Conto de fadas preferido: Sou pragmática demais para contos de fadas.

Beleza ou inteligência: Inteligência, sempre!

Quem poderia me interpretar no cinema: Eu não gostaria que ninguém me interpretasse no cinema; me transformariam numa caricatura exagerada.

Hora preferida do dia: Sou uma pessoa noturna. Todos os meus apartamentos são apartamentos noturnos, já que passo o dia na rua.
Com quem você gostaria de almoçar: Não sou do tipo que almoça. Sempre pedi meu almoço para viagem, a não ser que fosse um almoço com algum cliente.

Dança que é sua marca registrada: Gosto de dançar de rosto colado. Eu e meu marido costumávamos dançar a rumba. Às vezes, ponho um disco de jazz e danço sozinha.