Especial Dia Internacional da Mulher: Solange Borges
Foto: Divulgação

A história de Solange Borges, empreendedora, tem forte ligação com a mãe, que era baiana de acarajé – ofício que ela também experimentou. Antes de se lançar à frente do projeto Comida de Terreiro, que acontece na agrovila Pinhão Manso, em Camaçari (BA), onde vivem aproximadamente 120 famílias, Solange percorreu uma longa trajetória como faxineira, empregada doméstica, manicure e vendedora.

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“Ainda fui secretária executiva, militei no movimento estudantil e no empoderamento das mulheres negras. Por sinal, liderar causas e ser percebida como líder comunitária sempre foi um processo natural para mim, porque nunca me calei”, conta.

Formada em Letras, espiritualmente envolvida com o candomblé natural de Angola e coordenadora de ações voltadas para o turismo étnico-cultural e a base agroecológica, ela transformou os saberes e os sabores da sua ancestralidade em vocação. “É muito difícil viver na pobreza e mais ainda sair da pobreza. O meu foco foi trabalhar, me empoderar e transformar a minha vida, a da minha família e a dos que viviam no meu entorno. Também precisei compreender que poderia, sim, ser empresária”, diz.

Além do Culinária de Terreiro e do resgate do dendê feito no pilão e no fogão a lenha, Solange conduz, desde 2014, um modelo de gestão compartilhada, que engloba projetos de desenvolvimento econômico.

“Costumo dizer que é no contato diário com os clientes que a gente cresce. Eles sempre nos dão dicas ou reclamam de algo, e você entende o que precisa melhorar. Para empreender um negócio com inovação é necessário amar o que se faz, estudar, ler muito sobre o seu negócio, fazer network, estabelecer metas e trabalhar nelas. Tem que ter contatos, ouvir os seus clientes e formar redes. Isso é extremamente importante. Todo mundo pode te ensinar. É incrível o poder da troca. Quem ensina, também aprende”, conclui.