Gigi Hadid e Kendall Jenner - Foto: Reprodução
Gigi Hadid e Kendall Jenner – Foto: Reprodução

Por Giuliana Mesquita

O efêmero sempre fez parte da moda. Das coleção que se renovam em tempo recorde a cada dois ou três meses, até as tendências recicladas e renovadas freneticamente. É a busca pelo novo, pela última novidade que chega rápido e acaba mais rápido ainda. Agora, porém, o efêmero é cronometrado – e dura apenas alguns segundas na tela do seu telefone. Pelo menos na nova obsessão digital do momento, o Snapchat, rede social que ganha mais adeptos por minuto do que você pode imaginar – e contabilizar.

Criado no fim de 2012 por Evan Spiegel, o Snapchat foi, inicialmente, invadido por pré-adolescentes, compartilhando fotos borradas e vídeos engraçados entre seus amigos. Hoje, segundo a última estimativa oficial, de agosto de 2014, o app já conta com mais de cem milhões de usuários ativos e mais de 400 milhões de postagens diárias. Os números impressionam. E, recentemente, com o lançamento da função My Story, uma espécie de timeline com duração máxima de 24 horas, o app ganhou todo um novo potencial entre empresas que veem nele uma poderosa ferramenta de aproximação com seus consumidores.

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Com a nova função, além de compartilhar fotos e vídeos com pessoas específicas, é possível criar uma timeline para sua lista de seguidores (os quais você aprova um a um). Estes, então, têm uma visão mais íntima e realista do seu dia a dia. É que a grande sacada e diferencial do Snapchat é sua espontaneidade. Nada de filtros, fotos montadas ou selfies retocadas – uma realidade raramente compartilhada nas timelines milimetricamente formatadas do Instagram. Nele, você vê a verdade nua, crua e sem edições, quase como um snapshot da vida e cotidiano de cada um e, principalmente, daquilo que só acontece atrás de portas fechadas.

Daí seu sucesso entre as marcas de luxo. Desde a temporada passada, o Snapchat é usado como principal ferramenta para mostrar os bastidores da moda de um jeito que a maioria de seus clientes jamais imaginaria experimentar. Pessoas que, mesmo apaixonadas pela marca, não têm a oportunidade de ver um desfile da primeira fila ou de entender como funciona um backstage da semana de moda. Mostrando essa realidade, as marcas deixam de ser algo inalcançável e criam um vínculo afetivo com seu cliente. Approach esse muito bem vindo em tempos de crise.

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Na última temporada internacional, a de inverno 2015, Stella Bugbee, diretora editorial do site The Cut, elegeu o aplicativo como the next big thing. Marcas como Stella McCartney, Valentino e Michael Kors mostraram no aplicativo os bastidores de seus desfiles, provas de roupa, testes de maquiagem e cabelo, escolha de trilha sonora e até a chegada de celebridades na sala de desfile. Em Nova York foi até criada uma Story colaborativa, em que qualquer um que estivesse no evento podia enviar fotos e vídeos, que eram curados para formar uma timeline pública para o evento.

Na era do multitasking, as mensagens do Snapchat prendem a atenção. Esqueça os scrolls desatentos durante aquele filme chato ou interrompendo uma conversa de bar. Aqui, usuários são “forçados” a olhar. Em segundos, aquilo poderá nunca mais estar ao seu alcance. “Informação com prazo de validade é a principal diferença entre o Snap e as outras redes sociais. O timer correndo faz com que qualquer informação se torne ainda mais especial e exclusiva”, comenta Claudia Boff, gerente de marketing da Colcci.

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A marca catarinense foi uma das pioneiras em adotar o app na divulgação de seus desfiles no SPFW, desde a edição de verão 2015, somando um total de 5 mil views para cada postagem. “O lado B do SPFW é riquíssimo e cheio de informação. O peso que Gisele Bündchen representa na web, somado à todas as novidades apresentadas na passarela, é a formula perfeita para o app”, explica Boff. “Nosso desfile pode durar apenas quinze minutos, mas a comoção que todo esse show envolve é sem dúvidas nossa pauta principal”.

Renan Serrano, da Trendt, foi outro early-adopter. Diferentemente da Colcci, o estilista mostra o dia a dia da sua confecção através da conta da sua marca, que tem em média 500 views por post. “É tudo sobre as experiências, os profissionais, as técnicas e a matéria-prima utilizada. Essa ferramenta vem se provando uma maneira eficiente e consistente para pessoas que prezam pela essência e pela realidade”, diz. Por ser uma marca menor, é importante – talvez essencial – que se crie um vínculo forte com sua clientela.

Se o Snapchat vai substituir o Instagram ou Facebook? Provavelmente não. De toda a forma, é interessante ver como uma rede social que se apresenta como uma janela sem filtros da realidade vem ganhando tantos adeptos no mundo da moda, em que a perfeição é preceito básico para o sucesso. Mesmo que só por alguns segundos.

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