Raphaela Barcalla usa blusa Animale, calça Forever 21, brincos Ju Gastin + Renata Vanzetto, cinto de seu acervo pessoal e sapatos Inbox Shoes – Foto: Nicolau Spadoni, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi e beleza de Virginia Barbosa

Raphaela Barcalla sempre trabalhou muito – é do tipo garota-prodígio que já tinha grandes responsabilidades no mercado de comunicação aos 19 anos – e, em 2013, aos 25, já estava em busca de um hobby para desanuviar a mente. Cogitou ioga e terapia, mas acabou criando um bloco de Carnaval.

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A ideia surgiu depois de uma despretensiosa conversa, em um bar, com Thiago Borba, fotógrafo baiano baseado em São Paulo, que tinha vontade de criar um bloco em homenagem a Caetano Veloso e não sabia como começar. “Fiquei com isso na cabeça e, oito meses depois, resolvemos colocar em prática. Caçamos alguns músicos amigos, o artista Rodrigo Guima embarcou no projeto e saiu”, conta ela.

Para o primeiro ensaio, em 2014, o trio aguardava 300 pessoas no Minhocão. Apareceram mais de duas mil. “Não tinha banheiro, e eu acabei catando o lixo, as latinhas da festa inteira”, relembra ela. Hoje, aos 32 anos, Raphaela comanda a Ava, agência de conteúdo e imagem que gerencia carreiras artísticas.

No entanto, de agosto a fevereiro (ou março, dependendo da data do Carnaval), ela acumula dupla função e é a responsável pelo financeiro, produção e comunicação do Tarado, que começou com financiamento coletivo e investimento do próprio bolso dos fundadores, mas que, nos últimos anos, tem atraído grandes patrocinadores.

O bloco com repertório 100% Caetano, com canções próprias dele ou que ficaram famosas em sua voz, tem a bênção do baiano. Em 2018, inclusive, o músico e o Tarado Ni Você se apresentaram juntos na Virada Cultural de São Paulo. Propagar as canções do ídolo, ocupar a cidade e refletir sobre o atual momento do mundo, sem levantar bandeira política, são os pilares que os fundadores propõem.

“Jogamos luz sobre o que a gente acredita, não sombra. Não temos um grito de fúria em relação ao que está acontecendo. Jogamos luz, com otimismo”, explica Rapha. Terra em Transe é o tema do bloco para o carnaval deste ano. A tragédia de Brumadinho, o vazamento de óleo, incêndios na Amazônia e na Austrália, a luta pelo espaço dos pretos, o filme homônimo de Glauber Rocha… Tudo isso será evocado nas apresentações, mas sempre no maior alto-astral.

As aglomerações atrás do Tarado Ni Você, batizado em homenagem à música homônima do álbum “Zii e Zie”, de 2009, costumam acontecer tanto em cartões-postais de São Paulo, como em frente ao Theatro Municipal, quanto em uma bucólica praça com coreto e igreja no bairro da Lapa. “Pedimos autorização para o padre e fizemos um intervalo para respeitar a hora da missa. E, olha, acho que aquela missa foi até mais curta”, ri Raphaela. Provavelmente. Afinal, todos estão de olho no Tarado.

O bloco sai no próximo sábado (22.02), a partir das 10h, na concentração da avenida Ipiranga com a São João.

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