Foto: Divulgação
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Por Ana Ribeiro

“Você é do tipo louca por compras? Qual a chance de se meter em encrenca numa loja Gucci?”, pergunto para Lana Del Rey pelo telefone. Ela está em casa, cercada de velas aromáticas em um dia chuvoso na Califórnia. “Geralmente, a chance é grande”, me responde, rindo. “Agora não mais, tenho desconto.”

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Lana foi escolhida como o rosto do novo perfume da marca, Gucci Guilty Pour Femme (Jared Leto é quem promove, a seu lado, a versão masculina da fragrância), e está achando tudo muito divertido. “Passo a maior parte do tempo no estúdio de gravação ou escrevendo, então é uma novidade para mim ser o ‘rosto’ de alguma coisa. Mas é a Gucci, né? Se é para fazer algo nesse estilo, que seja para uma marca como a deles. Tem sido bem engraçado”, afirma.

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E agora ainda tem o desconto. Lana gosta muito de comprinhas, de saber o que está acontecendo no mundo da moda e de acompanhar as tendências. E lembra que, surpreendentemente, ela própria já foi tendência. “Em 2012, tive meu grande ‘momento fashion’. Estava lançando meus videoclipes, usava cabelos imensos, muita maquiagem”, diz. “Comecei a ver várias referências parecidas comigo, e muitos estilistas me disseram que meu estilo os estava influenciando para criar suas coleções. Nunca pensei que isso fosse acontecer, eu estava apenas experimentando.”

Em casa, ela conta, prefere ficar bem à vontade. Não liga para o espelho, mas faz questão de que sua casa esteja sempre perfumada. A relação com aromas vem de cedo. O jardim de sua mãe em Long Island, no estado de Nova York, onde passava férias de verão, vivia cheio de flores. “Ela tinha as flores preferidas e também plantava flores novas o tempo todo”, relembra Lana, que tem outras memórias afetivas de cheiros, como maçã-do-amor e algodão-doce, que a fazem lembrar da infância, da sensação de liberdade, dos passeios no shopping com as amigas da escola.

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“Adoro aromas, principalmente os naturais. Flores me inspiram, assim como o cheiro do mar”, diz ela, que mora a “20 minutos do oceano” e a cerca de 30 km de Venice, distrito de Los Angeles, onde fica seu escritório. Ali, costuma caminhar na praia com a irmã, Caroline.

A vida de Lana acaba de mudar radicalmente. Ela vai ter um verão no hemisfério Norte agitado com shows do aguardado álbum novo, “Norman Fucking Rockwell”, do qual está lançando as músicas novas, uma a uma, em plataformas de streaming. Já fez os primeiros shows em Dublin e na Suécia.

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Ela está no line-up do festival de Benicàssim, que acontece de 18 a 21 de julho na Espanha. No ano passado, ficou fora de casa de janeiro a maio. “A vida na estrada é bem diferente, mas eu gosto muito”, diz ela. “Minha banda é incrível, os músicos estão comigo há 10 anos, viajar com eles se tornou bem confortável para mim. Mas me esforço para encontrar coisas que me mantenham interessada. Procuro saber o que está acontecendo, visito museus, levo meus amigos comigo em alguns trechos da viagem. Me sinto muito agradecida por ter essa experiência, é algo que eu não tinha certeza de que seria capaz de fazer.”

Pode ser que Lana venha tocar por aqui. “Amo muito o Brasil. Não dá para dizer o tanto que eu aprecio meus fãs brasileiros, são talvez os mais engajados no mundo inteiro. Estou sempre pensando em todo mundo daí.”

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Os fãs brasileiros mais ligados já devem estar consumindo Lana Del Rey em novo formato. A cantora tem se dedicado a escrever poesia, experiência iniciada um ano atrás com um “processo estranho” em que teve a sensação de estar acessando algo que vem de outro lugar.

Há alguns previews da Lana poeta em seu Instagram, @lanadelrey, com 13 milhões de seguidores. “É difícil escrever música, nem sempre tenho tudo resolvido à minha volta para encontrar espaço mental suficiente para canalizar lindas melodias. A poesia é ainda mais difícil de deixar vir, tenho de estar serena, calma, com muita claridade mental. Escrever poemas é mais complicado, porque não tem melodia para acompanhar. O poema está preso no papel. Você tem de acreditar que, mesmo se ele não rimar, vai funcionar. E vai fazer sentido.”

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A conversa termina com uma provocação. “É fácil ser você?” Primeiro ela ri, depois fica séria. “Não tem nada muito fácil sobre ser eu. Mas, definitivamente, tudo parece muito com o que eu acho que deveria estar fazendo. Tenho sorte que as pessoas escolham escutar as minhas músicas.”

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