Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Por Carol Hungria, João Victor Marques, Marcela Palhão, Camila Salek e equipe Vimer

Nesta terça-feira (16.03), foi dado o start no SXSW 2021, o maior evento de inovação que acontece no mundo. Em parceria com a Vimer, a Bazaar faz uma curadoria dos momentos imperdíveis dos painéis, estreias e dos sete macrotemas da temporada. Veja os destaques do primeiro dia abaixo:

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“Smart Small”

Em um dos talks que abriu o SXSW 2021, Jeff Lawason (Cofundador e CEO da Twilio) e Wenwe Vogels (VP e CTO da Amazon) trouxeram reflexões importantes em torno de metodologias e processos de inovação.

Uma das maiores dúvidas que ouvimos nas últimas semanas em torno deste grande evento que é o SXSW, nos reforça que muitos ainda enxergam a inovação como um privilégio de grandes empresas, enquanto é, na verdade, uma premissa para qualquer tamanho de negócio.

Lawson e Vogels trouxeram para o talk a ideia de que, para um consumidor cada vez mais imerso no mindset digital, muitos dos produtos e serviços passam a ser entregues a partir de softwares e que, portanto, a maior parte dos negócios precisarão abraçar a inovação para operar nesta frente. Como um ótimo exemplo, temos os bancos, que passaram a ter como principal produto os seus Apps, e hoje avaliamos um banco pela eficiência e conveniência digital que oferece.

Estes novos modelos não surgem como uma grande estrela dentro das empresas, mas sim a partir de uma construção constante – é o famoso lab mindset que tanto temos reforçado. Para isso, Lawson coloca que a atuação a partir de equipes pequenas, ágeis e abertas ao teste e erro são fundamentais. E neste ponto, ao olharmos para pequenos negócios, não enxergamos fragilidade, mas sim um ambiente favorável ao processo de inovação.

No varejo vivemos justamente este processo de transformação, no qual muito da nossa entrega passa a ser operacionalizada a partir de tecnologia. Se ainda não incorporamos o pensamento LAB, está cada dia mais claro, o que Lawson chama de “experimental mindset”, se torna um imperativo para a sobrevivência das marcas.

Swell

Foto: Reprodução/Instagram/@camilasalek

Acabou de ser lançada mundialmente no SXSW a nova plataforma social SWELL que conecta pessoas por meio de conversas de voz. A palestra que acabei de assistir, “Voice is Transforming our Online Presence. Why?” me deixou muito provocada a entender de forma mais profunda esta novidade “Voice based”.

“Swell está democratizando a voz ao permitir conversas de áudio a qualquer momento”, disse Sudha Varadarajan, cofundador e CEO da Swell. “Enquanto a maioria das empresas de áudio social se concentra no bate-papo de áudio em tempo real, o Swell libera seus usuários para continuarem falando em seu próprio tempo. É mais fácil ficar conectado com amigos, familiares e colegas de trabalho quando você não precisa coordenar horários. O formato de áudio assíncrono também resulta em respostas mais ponderadas e, para incentivar um discurso significativo, não temos anúncios na plataforma. ”

A plataforma Swell também oferece um conjunto abrangente de recursos da web para aumentar o alcance de sua voz. Cada usuário recebe uma página da web swellcast.com gratuita para compartilhar em plataformas sociais ou sites. Demais ne! SXSW 2021 so começou há 4 horas e eu aqui já quase louca com as novidades.

“Clarice”

Foto: Divulgação

Já se passaram 20 anos desde que a agente do FBI Clarice Starling conquistou o mundo no filme “Silêncio dos Inocentes”, vivida pela talentosa Jodie Foster. Clarice nasceu da mente inquieta do escritor Thomas Harris, que elaborou um dos livros mais intensos sobre um serial killer já escrito até hoje. A personagem está de volta na série de TV “Clarice”, dos estúdios CBS – e mais atual do que nunca. Vivida pela atriz Rebecca Breeds, ela agora divide apartamento com sua melhor amiga e colega de trabalho, Ardelia Mapp, papel da atriz Jenny Lumet.

Tema de mesa do SXSW realizada nesta terça-feira, que reuniu as duas artistas e os produtores Alex Kurtzman, Elizabeth Klaviter e Jenny Lumet, o seriado segue tão atual por tocar no tema da sororidade em um momento em que o mundo debate o empoderamento feminino, o lugar da mulher em uma sociedade machista, amizades interraciais e o protagonismo feminino. “A mensagem que fica é que nunca devemos subestimar uma pessoa por qualquer motivo. Todos podem surpreender com sua força de vontade”, resume Kurtzman. Para colocar já na lista de maratonas!

Live Shopping

Qual será o futuro das compras online? Segundo especialistas do @sxsw, o live shopping veio para ficar e só vai crescer nos próximos anos. O movimento, que começou na Ásia, é liderado por influenciadores e é um sucesso especialmente nos mercados de beleza e moda. A mesa virtual, que reuniu os experts Gregg Renfrew, Munira Rahemtulla e David Sandstrom dividem o que, na experiência deles, funciona neste negócio. Leia mais sobre o tema aqui na Bazaar.

“The Way Forward for Artists”

Uma das mesas culturais mais relevantes do primeiro dia do SXSW 2021 que acontece de forma remota para o mundo todo foi o encontro entre dois gigantes do universo dos festivais de música.

Marc Geiger, ex-chefe global de música da William Morris (à frente de projetos como Lollapalooza) e recente fundador da Savelive (uma rede nacional de shows ao vivo), e Tim Westergren, fundador e ex-CEO da Pandora e co-fundador da plataforma de transmissão ao vivo Sessions, se uniram para falar sobre o poder de monetização dos artistas no contexto atual do mundo e da pandemia do coronavírus.

Em um mundo digital dominado por algumas redes sociais selecionadas e plataformas de música digital, eles acreditam que a humanização do público e a conversa direta com eles por meio das redes sociais é a principal forma para angariar fãs a aumentarem os números de plays.

“The Beauty President”

Um parte extremamente interessante do SXSW é a exibição de produções inéditas dos mais variados tipos. Nesse primeiro dia, o curta “The Beauty President” chamou a atenção da redação da Bazaar. Dirigido por Whitney Skauge, a produção conta a história de Terence Smith, um homem negro que em 1992 se candidatou a presidente dos Estados Unidos como a drag queen Joan Jett Blakk.

“Era como estar na vanguarda deste grande novo mundo. A primeira coisa que trouxe um fim para isso foi a AIDS. Poucos grupos de pessoas tiveram que lidar com seus amigos morrendo tão jovens como nós tivemos”, relata Smith em um momento do filme sobre se assumir homossexual em sua juventude.

Cansado de não ser ouvido – afinal, segundo Terence, os políticos não davam atenção às verdadeiras vítimas da doença, ou seja, os negros, os viciados em drogas e os homossexuais -, Joan Jett Blakk viu na campanha eleitoral de 1992 um dos maiores palcos para reivindicar os direitos da comunidade LGBT+. O curta mostra algumas gravações da campanha e dos discursos de Smith, além de um relato atual do artista.

O tipo de produção curta e leve, mas carregada de materiais emocionantes e que incitam a reflexão.