Foto: Divulgação
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Suas peças já foram usadas por Ezra Miller, Dua Lipa e Miley Cyrus, além de estamparem editoriais de moda do mundo todo. O mineiro Alan Crocetti, de 34 anos, deixou o Brasil há 12, quando se mudou para Londres para estudar na Central Saint Martins. Já familiarizado com moda desde criança – seus pais tinham uma malharia em Belo Horizonte -, ele resolveu tentar a sorte na capital inglesa depois da falência da empresa familiar.

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“Infelizmente, eles faliram assim que comecei a estudar moda em Belo Horizonte. Eu teria ficado por lá, mas isso me fez sair do Brasil para trabalhar e buscar uma independência maior”, conta Alan à Bazaar. “Desde então, fiz questão de viver intensamente cada momento. Conheci pessoas incríveis, de várias partes do mundo, que, assim como eu, estavam sozinhas em terras estrangeiras. Acredito que essa troca de informação me deu uma ampla visão de mundo e um aprendizado que dinheiro nenhum pode pagar”, diz.

À época, com planos de se formar em womenswear, ele acabou optando pelos acessórios para o trabalho de conclusão de curso. “Com isso, as joias que fiz para esse projeto foram ganhando espaço em editoriais e, no mesmo ano, comecei a ser chamado para fazer colaborações. No ano seguinte, apresentei minha primeira coleção na Fashion East (plataforma que ajuda novos designers), durante a semana de moda de Londres, e não parei desde então”, conta.

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O sucesso foi instantâneo: sua primeira coleção, lançada em 2015, foi comprada logo de cara pela Dover Street Market de Londres, Nova York e Tóquio. “Comecei a conquistar meu espaço e criei a marca que é um espelho de mim mesmo. Aprecio tanto o equilíbrio quanto a instabilidade. Vivo de forças e fraquezas. Então, faz muito sentido retratar isso no meu trabalho, usando imagens de pessoas (e não só modelos) que me marcaram pelas suas histórias”, diz.

Sem a intenção de criar uma marca no gender, a identificação com a provocação e a quebra de normas é algo natural em Alan. A vontade de passar uma mensagem sobre a importância da individualidade faz parte do espírito criativo do designer. “Sempre fui a favor de as pessoas usarem o que quiserem e como quiserem. Sejamos felizes. Mas sei que valorizar e exaltar a individualidade pode ser visto como um ato revolucionário. Minha mensagem é: tenha orgulho de quem você é, e vista o que você quiser vestir”, afirma. “Para mim, não existe nada mais empoderador do que autoconhecimento e amor próprio. Sempre achei muito importante ter uma ‘armadura’ (e é assim que eu vejo minhas joias), que permita e ajude a entrar em contato com nós mesmos. Essa ‘armadura’ faz com que o autoconhecimento e o amor próprio sejam tangíveis”, complementa.

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Hoje, suas joias esgotam em pouco tempo nos e-commerces internacionais e prateleiras de seu showroom récem-instalado em Paris. A última coleção, “Flowers from Exile”, interessante e sensual, mostra a dicotomia entre censura e pecado. “Eu me inspirei nas histórias bíblicas que exploram a ideia de ‘pecadores desde a concepção’, e na vergonha e na culpa associadas às experiências e sensações corpóreas impostas por normas sociais e morais. Como um designer, sempre senti alguma reticência da mídia e das pessoas em geral por expressar minhas ideias sobre sexo e sensualidade”, explica.

“Mesmo usando romance, arte e poesia, meu trabalho continua sendo censurado nas mídias sociais, como se minhas fotos e peças pudessem corromper e dessensibilizar as pessoas, a ponto de negarem as ideias preconcebidas de intimidade sagrada. Mas, independentemente da estética sexual de algumas peças dessa coleção, a resposta da mídia tem sido muito positiva”, festeja.

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