A designer Yaz Bukey - Foto: reprodução
A designer Yaz Bukey – Foto: reprodução

Por Armando Palha, de Paris

Descendente do rei egípcio que presenteou Napoleão com o obelisco da praça de Concorde, a carismática Yaz Bukey já trabalhou com Martin Margiela e na Givenchy (período Mcqueen) antes de lançar uma marca de acessórios feitos de acrílico. O seu trabalho, que incorpora um estilo mulher pin-up com a pop art, vem conquistando fashionistas mundialmente. Direto de Paris, segue a nossa conversa exclusiva com a estilista:

Foto: divulgação
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Harper’s Bazaar: A sua primeira coleção foi inteiramente comprada pela cantora Björk. Como foi ter esse reconhecimento imediato?
Yaz Bukey: Nesse período eu era muito jovem e não percebi o impacto que isso teria. Esse êxito foi bastante inesperado, até porque comecei a marca ingenuamente. Eu só queria usar a minha imaginação para criar objetos que me inspirassem.

HB: Você cria colares em forma de longas unhas e lábios vermelhos, entre outros objetos que representam o feminino. O que essas coisas significam para você?
Tudo isso me representa. Eu amo ser essa mulher que usa salto alto, maquiagem, e roupas ousadas. Também é uma ruptura da maioria das mulheres parisienses, que quer ser igual a Jane Birkin com um suéter, jeans e sapato baixo.

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HB: Você já criou acessórios com os rostos de Karl Lagerfeld, Jacqueline Onassis e Woody Allen. Qual é a historia por trás dos rostos famosos?
Eu escolho pessoas que se tornaram icônicas e tem a capacidade promover mudança. Karl Lagerfeld, por exemplo, é o primeiro estilista que entendeu o conceito de mudança de personagem. Ele atrai jovens e usa o seu estilo para desenhar desde garrafas de Coca-Cola até capacetes de motocicleta.

HB: Sua coleção de verão 2014 tem vários objetos associados ao lar . Você tem bolsas com estampa de máquina de lavar e caixa de cereais, entre outros produtos que podem ser encontrados no supermercado. Qual foi a sua inspiração?
YB: Ano passado na França teve um grande escândalo envolvendo a marca de alimentos congelados Findus, que estava vendendo carne de cavalo como se fosse carne de boi. Então decidi associar esse conceito de embalagens enganosas com as donas de casa americanas do final dos anos 50 e inicio dos anos 60 para criar uma coleção irônica. As peças podem ser vista como uma sátira do mercado publicitário, que vende a ideia da família perfeita que não existe.

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HB: Você é uma princesa Otomana vinda de uma família que durante muito tempo governou o Egito. O seu pedigree nobre influencia o seu trabalho?
YB: Na verdade eu acho que tem o efeito oposto. Após o golpe de estado no Egito a minha família perdeu todos os seus bens. Eu trabalho com objetos que são completamente novos, minha forma de rebeldia contra o passado. Eu uso acrílico para criar objetos falsos que se tornam reais

HB: As suas criações têm um forte impacto visual que as tornam viáveis como objetos de decoração. É intencional?
YB: Sim. As minhas criações podem ser usadas de várias formas. De fato, eu tenho uma coleção chamada Home Sweet Home, que utiliza trompe l’oeil. Eu adoraria um dia expor esses objetos.

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HB: Quem são alguns de seus ícones femininos?
YB: Eu tenho muitos, que variam dependendo do dia. Se meu cabelo estiver de certa maneira eu canalizo a Lauren Bacall, Mais tarde eu posso me sentir como a Cicciolina. Porém, todas elas são mulheres fortes e independentes como Tracy Lords e Jackie Onassis.

HB: O que vem por ai para Yaz?
YB: Estou trabalhando na minha nova coleção, que será apresentada em março de 2014, tendo como inspiração a minha cidade natal Istambul. Também estou colaborando com a Causse, marca de luvas comprada pela Chanel no ano passado.