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Por Camila Salek

Em 2020 vivemos uma fusão fascinante do pensamento empresarial, das mudanças de comportamento e consumo e da força exponencial do digital em nossas vidas. Tudo isso acontecendo em tempo real. Ninguém permaneceu intocado pela Covid-19 e precisamos finalizar 2020 refletindo sobre seus principais legados. Como marcas, teremos que escolher quais espaços vamos habitar, inovar e investir.

Divido com vocês 3 tópicos que podem auxiliar nesta reflexão:

Reshaping Ownership

Tenho acompanhado o investimento de gigantes como a Richemont e Alibaba na Farfetch e isso me faz pensar qual será o próximo passo do mercado de luxo.

O movimento “reshaping ownership” nos provoca a pensar a forma como produtos, principalmente os de luxo, são vendidos. O luxo de segunda mão está se tornando um canal valioso de aquisição de novos clientes e uma recente pesquisa da Altagamma em conjunto com a BCG mostrou que quase três quartos (73%) dos clientes de luxo em todo o mundo compram marcas mais caras no mercado de segunda mão, enquanto 45% estão interessados em alugar itens de luxo. Existe um grande caminho para repensar formas de venda e a “não posse” ou o “repasse” podem ser excelentes rotas complementares.
Já consigo imaginar fortes evoluções de iniciativas de marcas como a Burberry e a Stella McCartney, que no ano passado se associaram a The RealReal, varejista de revenda do segmento de luxo, para lançar ações de incentivo a economia circular, oferecendo benefícios aos consumidores que revendem os seus produtos.

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Aqui no Brasil, o shopping Cidade Jardim, que já vende produtos vintage no CJ Fashion online, terá um corner físico de second hand em parceria com a Take Me no novíssimo SHOPS, que abre suas portas ainda este ano! Belo exemplo de moda circular voltada para um publico cada vez mais consciente da importância do consumo responsável e sustentável.

Immersive Experience

Estabeleça relações de longo prazo com os consumidores, aproveitando dados sobre o que eles gostam, o que compram, como se comportam. Esta é a base para a criação de uma experiência, digital e física, mais imersiva. Cerca de 46% dos clientes globais de luxo pesquisados pela BCG e Altagamma esperam que marcas ofereçam experiências personalizadas no futuro. É hora de elevar os canais digitais para cultivar relacionamentos com os clientes e não apenas vender! Pense no uso de pessoas a frente do atendimento e IA (inteligência artificial) para potencializar a personalização.

Precisamos usar todas as incríveis ferramentas de tecnologia à nossa disposição de uma forma centrada no ser humano, para criar playgrounds virtuais ricos. A Balmain, por exemplo, estreou sua coleção Cruise por meio de um showroom digital, onde um avatar do Olivier Rousteing encontra e conduz os espectadores pelas peças, enquanto explica a história por trás de cada item. É uma experiência lúdica e íntima que combina a magia da marca com imagens de costureiras trabalhando em casa para revelar o lado humano por trás da coleção. Eu amei!

“À medida que o 5G se torna mais utilizado, cada espaço se torna potencialmente uma tela, então o mundo se tornará potencialmente mais fragmentado, criando inadvertidamente o isolamento. Portanto, é fundamental buscar experiências mais interativas, mais imersivas e mais compartilhadas inclusive virtualmente.”
Sam Field, chefe de tecnologia criativa, EMEA, Ryot Studio, Verizon Media

Estou supercomprometida com projetos imersivos no momento e venho tendo ótimos resultados com marcas que apostaram em Shop Streaming e Showroom Virtual Imersivo. Eventos de transmissão ao vivo que possibilitam um contato direto com a marca e seus speakers (como os próprios designers, por exemplo), estão quebrando barreiras de conexão com as pessoas e movimentando interações conversacionais. Um super impulso real aos negócios – o componente de vídeo ao vivo pode aumentar as vendas de um produto em até 400%, de acordo com a plataforma de compras baseada em vídeo LivePitch.

Não importa a qual setor você pertença, você precisa pensar em como aproveitar a tecnologia de ponta para construir conexão, comunidade e a tão importante atmosfera SOCIAL.

Insperiences

O apetite por experiências de marca na nossa própria casa (também conhecidas como “insperiências”) continuará a crescer, incluindo sessões remotas de styling, maquiagem e exercícios físicos. Já falei um pouco sobre isso na coluna de STAYCATION alguns meses atrás.

A integração dos jogos as nossas vidas e o aumento do Live Commerce também impulsionam a era da “insperiência”: uma nova economia de experiências de conteúdo e entretenimento feita por marcas e transmitida diretamente para as casas dos consumidores por meio de laptops, fones de ouvido ou até espelhos virtuais.

Segundo a plataforma de tendências STYLUS, quase 9 em cada 10 varejistas britânicos (88%) registraram demanda por “insperiências” neste ano, um apetite que transcenderá a era Covid-19 graças à conveniência e potencial de personalização dessas experiências.

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A aquisição da startup MIRROR pela Lululemon é um grande indicador desta direção. Fiquei incrivelmente maravilhada quando vi esta solução há alguns meses e completamente louca para ter um pra chamar de meu! O MIRROR é praticamente um ginásio doméstico quase invisível, que transforma menos de meio metro de espaço da nossa casa em uma aula de cardio, um estúdio de ioga ou um ringue de boxe. Funciona como um espelho, que quando acionado oferece mais de 50 tipos de treinos – com novas aulas ao vivo todas as semanas e milhares de aulas sob demanda em sessões de 5 a 60 minutos, do nível iniciante ao avançado.

O algoritmo do MIRROR rastreia seus resultados e cria um programa personalizado para cada usuário e assim, otimiza a experiência em tempo real com base em preferências e perfil pessoal. Ainda é possível escolher sua própria música e sincronizar o MIRROR via Bluetooth para medir a frequência cardíaca. Impressionante, né?

São iniciativas com estas, que rompem com os formatos tradicionais e se apropriam das evoluções, principalmente tecnológicas, que me provocam a buscar a todo momento uma nova forma de enxergar o mundo. Tenho respirado muito disso no dia a dia com o time Vimer. Mais do que nunca a premissa é: todas as vezes que iniciamos um projeto, independente do quanto estamos acostumados com determinadas entregas, precisamos recorrer a novas perspectivas. Existe uma forma diferente de fazer tudo aquilo que estamos habituados e podemos alcançar resultados incríveis unindo as facilidades que a digitalização nos proporciona e a nossa capacidade humana, analítica e empática. Só assim temos chances de conhecer e ocupar novos lugares! E você, já parou para pensar para onde os aprendizados deste ano poderão te levar?