Busca Home Bazaar Brasil

Decore a sua casa com todas as cores e estampas

Aprenda a harmonizar o ambiente com a estilista Adriana Barra

by Luciana Franca
Lustre Zettel, de Ingo Maurer; estante Treme-Treme, da Tryptique; sofás Micasa; e vaso Phillip Starck para Kartell - Foto: Christian Maldonado

Lustre Zettel, de Ingo Maurer; estante Treme-Treme, da Tryptique; sofás Micasa; e vaso Phillip Starck para Kartell – Foto: Christian Maldonado

“É impossível não ser feliz aqui.” Adriana Barra se diverte com o comentário no meio da sala de estar de seu oásis maximalista, estampado e colorido, de 380 metros quadrados, num icônico prédio de 1950, em São Paulo. Para a moradora do apartamento, não é bem assim. Esse clima super alto-astral não está presente todos os dias, como não está na vida real de ninguém, claro. A não ser naquela mostrada no Instagram.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Cadeira Joaquim Tenreiro e quadros comprados em Lima, no Peru. - Foto: Christian Maldonado

Cadeira Joaquim Tenreiro e quadros comprados em Lima, no Peru. – Foto: Christian Maldonado

Mas não no perfil da criadora multitask, que não aguenta felicidade extrema e muitas selfies no feed da rede social. Ela revela, inclusive, que tem um perfil secreto só para seguir contas que realmente a inspiram. E foi pelo Instagram que chegou a uma pessoa que a ajudou a transformar seu apartamento em um lar verdejante.

Poltrona Tord Boontje para Moroso; fotografia de Russel Young; luminária Mooi Studio; almofadas Versace e Adriana Barra - Foto: Christian Maldonado

Poltrona Tord Boontje para Moroso; fotografia de Russel Young; luminária Mooi Studio; almofadas Versace e Adriana Barra – Foto: Christian Maldonado

Os muitos móveis da Micasa e objetos garimpados pelo mundo, as estampas criadas por ela e as paredes cobertas pelas mais variadas cores com tinta específica para tela, técnica sugerida pelas artistas plásticas Isabelle Tuchband e Verena Matzen – autoras dos retratos de Adriana com os dois filhos, expostos lado a lado –, não eram suficientes.

Pinturas de Verena Matzen (à esq.) e Isabelle Tuchband; almofadas Missoni, Versace e Adriana Barra; e potes e velas garimpados pelo mundo - Foto: Christian Maldonado

Pinturas de Verena Matzen (à esq.) e Isabelle Tuchband; almofadas Missoni, Versace e Adriana Barra; e potes e velas garimpados pelo mundo – Foto: Christian Maldonado

Até que veio um insight: aquele espaço precisava de verde. “Antes eu morava em uma casa com jardim grande e muito vidro, não tinha o costume de ter plantas no interior. Era isso que faltava. Comprava flores para colocar em vasos, mas custam caro, duram uma semana, a água cheira mal… Não queria isso. Comprei a primeira planta, não deu certo, morreu, comprei uma samambaia, também não deu certo. Eu não sabia cuidar, mas não iria desistir e fui atrás de alguém que pudesse me ajudar”, diz ela, que decidiu mandar mensagem para um rapaz que seguia no Instagram e postava fotos de plantas lindas de seu apartamento.

Adriana usa headpiece Walério Araújo e vestidos de sua marca homônima, usados em todas as fotos - Foto: Christian Maldonado

Adriana usa headpiece Walério Araújo e vestidos de sua marca homônima, usados em todas as fotos – Foto: Christian Maldonado

Esse era seu hobby, não seu ofício, e mesmo assim ele topou ajudar Adriana na missão floresta urbana. Além do ciclo da natureza evidente no apartamento, outro está desabrochando dentro dela. A designer percebeu que precisa frear a velocidade de sua vida pessoal e profissional, e tomar mais as rédeas do que gosta de fazer; colocar as mãos no que é importante para ela; resgatar a essência daquela garota que gosta de praia, música e céu estrelado. Ela providenciou um fogãozinho portátil para deixar na mesa de jantar.

Adriana segura cocar indígena comprado em Alto Paraíso, em Goiás; tapete comprado na Índia; pintura de Isabelle Tuchband; e mesinha de Tomita Kazuhiko para Moroso - Foto: Christian Maldonado

Adriana segura cocar indígena comprado em Alto Paraíso, em Goiás; tapete comprado na Índia; pintura de Isabelle Tuchband; e mesinha de Tomita Kazuhiko para Moroso – Foto: Christian Maldonado

“Queria uma cozinha experimental na sala, para fazer meus óleos, meus cremes, macerar as ervas. Estou aprendendo a fazer colônias, sabonetes e já estou substituindo meus cosméticos pelos naturais”, conta. “Para mim, o futuro é o começo, e o começo é a natureza. Tem de ser um processo natural, porque não dá para querer mudar tudo do dia para a noite”, afirma.

Gnomo Ahsim e luminária comprada em Trancoso - Foto: Christian Maldonado

Gnomo Ahsim e luminária comprada em Trancoso – Foto: Christian Maldonado

Apesar de ter estudado moda e continuar fazendo roupas, mas em coleções menores, Adriana não gosta do rótulo de estilista. Em sua mente criativa há mil possibilidades para expressar seu talento. Criou, recentemente, um papel de parede tropical para a marca Branco, quer lançar este ano uma linha de louças e de roupa de cama, e dar seu toque pessoal em espaços alheios. “Quero muito me dedicar a fazer um universo para as outras pessoas. Não é decorar, mas criar atmosferas para empresas maiores, por exemplo, que estão muito duras. Também pretendo transformar meu trabalho em workshop”, almeja ela, que estudou Design de Interiores na Itália.

Bolinhas de bordado da Estônia e folha bordada de Clarice Borian - Foto: Christian Maldonado

Bolinhas de bordado da Estônia e folha bordada de Clarice Borian – Foto: Christian Maldonado

Expert e sempre tão elogiada por saber criar seu universo particular, Adriana surpreende ao dizer que adoraria que o decorador Sig Bergamin desse um punch em seu apartamento. “Amo tudo o que ele faz, ele fez parte de tanta coisa glamorosa no Brasil e no mundo, daria uma misturada diferente nos meus objetos. Eu iria gostar de ter a visão dele na minha casa”, diz.

Adriana em sua cama, com cabeceira feita de quimono japonês dos anos 1950, dossel criado pela amiga Karin Farah, almofadas de tecidos de sua marca e comprados em viagens, colcha de sua marca homônima e filtro de sonhos comprado em Sedona  - Foto: Christian Maldonado

Adriana em sua cama, com cabeceira feita de quimono japonês dos anos 1950, dossel criado pela amiga Karin Farah, almofadas de tecidos de sua marca e comprados em viagens, colcha de sua marca homônima e filtro de sonhos comprado em Sedona – Foto: Christian Maldonado

E lá vem outra surpresa: conta que anda influenciada pela febre de Marie Kondo e cogita diminuir suas coleções de objetos expostos na estante Treme-Treme, da Triptyque, onde estão, por exemplo, a boneca de Patti Smith e a Barbie de Farrah Fawcett. “Quem sabe? Eu não sou apegada a nada. Mas quero diminuir meu guarda-roupa, penso em fazer um gran bazaar”, adianta.

Tapete comprado em Buenos Aires, sofá revestido com tecido de sua marca homônima, urso de pelúcia de sua infância e escada com tecidos garimpados pelo mundo - Foto: Christian Maldonado

Tapete comprado em Buenos Aires, sofá revestido com tecido de sua marca homônima, urso de pelúcia de sua infância e escada com tecidos garimpados pelo mundo – Foto: Christian Maldonado

Um curioso visitante tem observado, quietinho, todas essas ideias e transformações. É o gnomo Ahsim, que passa férias naquele oásis urbano, enquanto sua dona, Erika Suconic, está viajando. “Mandei buscar na casa da minha amiga e prometi que a cada dia ele faria uma atividade diferente. Hoje, por exemplo, ele está andando de skate. Preciso pensar o que ele fará amanhã”, diverte-se a dona do lar mais encantado da cidade.

Leia mais:
Capadócia vai muito além dos balões
Massa Branca lança coleção de cerâmicas autorais