Stefano Gabbana (à esq.) e Domenico Dolce em foto de Steven Klein - Foto:Steven Klein/ Harper's Bazaar
Stefano Gabbana (à esq.) e Domenico Dolce em foto de Steven Klein – Foto:Steven Klein/ Harper’s Bazaar

Por Maria Prata

Domenico Dolce e Stefano Gabbana são, hoje, celebridades tão conhecidas, admiradas (e clicadas) quanto as que escolhem para estampar suas campanhas ou fazer parcerias importantes. Madonna, por exemplo, amiga pessoal da dupla, encabeça a lista, ao lado de nomes como Kylie Minogue, Monica Belucci e, mais recentemente, Bianca Brandolini, a bela mezzo brasileira, mezzo italiana, filha de Georgina Brandolini e do conde Ruy Brandolini, que, a pedido dos dois, estampa as páginas desta matéria. “Conhecemos Bianca em uma festa em Cap D’Antibes, durante o festival de cinema de Cannes. Tinha apenas 18 anos e a única coisa que sabíamos dela era que sua mãe era musa do Valentino”, começa Domenico.

Casaqueto , top, hot pants de renda e Dolce & Gabbana - Foto:André Passos/ Harper's Bazaar
Casaqueto , top, hot pants de renda e Dolce & Gabbana – Foto:André Passos/ Harper’s Bazaar

“Ela se sentou ao lado do Domenico e os dois conversaram a noite toda. Nunca mais a vimos, até encontrá-la em Milão, em um club, muito tempo depois”, completa Stefano. Daí para virar musa da dupla foi um pulo. Bianca foi rosto e corpo da campanha de verão 2013 da grife e é figura garantida na primeira fila dos desfiles da marca, em Milão. Sua irmã, Coco, trabalha com os dois na Dolce & Gabbana. Bianca, Coco, Monica. Junte a elas outra Bianca, a Balti, modelo, Giovanna Bataglia, stylist, e mais meia dúzia de jet setters de primeiro escalão (e rostos e corpos perfeitos) e você terá o retrato perfeito da famiglia Dolce & Gabbana, que pode ser vista se acabando de dançar em uma pista em algum club da costa italiana, tomando drinques à beira-mar na lancha Riva da dupla, em Portofino, ou brindando com champagne no backstage, pós-desfile. Em 20 anos, Stefano e Domenico criaram, além de uma das grifes mais desejadas e reconhecidas do planeta, um lifestyle para chamar de seu – e, por isso, hoje em dia, até seus próprios rostos valem tanto.

Top de jacquard de seda e tricô e saia de jacquard Dolce & Gabbana.Brincos de ouro rosa Cartier - Foto:André Passos/ Harper's Bazaar
Top de jacquard de seda e tricô e saia de jacquard Dolce & Gabbana.
Brincos de ouro rosa Cartier – Foto:André Passos/ Harper’s Bazaar

É este lifestyle – termo tão banalizado atualmente, usado à exaustão por marcas que tentam, muitas vezes em vão, criar o seu – um dos maiores responsáveis pelo sucesso da grife. Quem compra Dolce & Gabbana, hoje, está pagando também por um pouco da dolce vita; uma passagem, mesmo que em pensamento, para a costa amalfitana. Ou, claro, adquirindo a possibilidade de ficar minimamente, mesmo que um tantinho só, mais parecida com as musas da dupla – a maioria delas, repare, tem nomes fortes, mas estilos que se aproximam da mulher “real”. Não poderia ser diferente: a turma de fato existe e é isso que deixa tudo mais próximo da (e desejável para a) consumidora.

A primeira coleção da dupla, em 1985, chamava-se Mulher Real. É sobre esse pilar que eles vêm, ano após ano, construindo sua marca. “Não sei se isso é consciente. Mas, quando você trabalha com a sua verdade, com o que realmente te interessa, acaba repetindo, repetindo e repetindo aquela mesma ideia”, diz Domenico. Para Stefano, fazer uma coleção diferente da outra, quando se tem uma identidade forte, “é como um diamante. Tem inúmeras faces, mas todas iguais umas às outras”. “Sabemos que queremos, sempre, falar sobre o sul da Itália”, continua Domenico. “Mas tentamos, a cada estação, mostrar um lado diferente disso.” Para o inverno 2013, a face da vez desse diamante foi esculpida com inspiração em uma catedral do século 14, de Palermo.

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