Desfile Ellus/Foto: Márcio Madeira

Por Sylvain Justum

Tinha até quarteto de cordas tocando ao vivo, mas o clima do desfile da Ellus era mesmo de rock, bebê. A grife realiza seu melhor desfile em anos e prova que seu savoir-faire não se resume apenas ao jeanswear. Couro, lã e renda, numa coleção de pegada biker, onde a alfaiataria masculina divide espaço com metalizados e prints bem femininos.

Impossível juntar rock e motociclismo e não pensar na jaqueta Perfecto. Pois ela respondeu presente, desdobrada no couro (preto, caramelo e vermelho), em seu desenho original, mas também estilizada na camurça com pele marrom. Para combinar, leggings do mesmo material, com microssainhas plissadas vestidas por cima. Nas mãos, charmosas luvinhas de dedo curto, cravejada de tachas, a la Easy Rider.

Interessante a tela conseguida no couro cortado a laser, assim como o trabalho de sobreposição de materiais, que junta couro e renda guipure, camurça, pele e lurex. O tecido oficial da era disco não foi único a brilhar na passarela.

Paetês pretos cortados em forma de gota preparam o glam do rock, num bom diálogo com as transparências e as peças boyfriend, como o blazer sem mangas de Micheli Provensi – combinado com bustiê fetichista e saia de couro telado.

Saias e calças skinny ganham tratamento metalizado, em cobre, enquanto os matelassês em ziguezague vem com os fios de lurex na trama, em clima de esporte chic. E, para não dizer que a mulher da Ellus é só hard, o momento soft fica por conta dos vestidos curtos de prints digitais e geográficos, outra mania da estação que vai demarcando terreno.

MELHOR LOOK: Casaco-vestido preto com lapela em couro, usado por cima de body fetichista e luvinha de couro

MIMO: as luvinhas de couro com dedo curto, tacheadas e arrematadas por um laço. A laranja queimada do look final de Aline Weber é
tem-que-ter!

TRILHA: Quarteto de cordas tocando ao vivo, com rock rolando por cima. Ótima síntese da coleção.

 

Foto da Home: Paulo Reis