Foto: Divulgação
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A carioca Gilda Midani não se enquadra – e nem quer – nas regras impostas pela indústria da moda. Seu timing é o do amadurecimento exigido pelos processos artesanais, que utiliza para transformar o tecido.

Desde sempre é movida pela pesquisa têxtil. Primeiro, com látex em camisetas, experimento que foi acompanhado de perto por Uma Thurman, quando eram vizinhas em Los Angeles.

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Continua sendo, agora com a linha de festa recém-lançada que pontua os 15 anos da marca. “É lindo ver como as técnicas de tingimento e as cores crescem em tecidos preciosos, como veludo, seda, tafetá e musseline”, diz ela. É uma roupa pensada sob medida para a mulher que não deseja abrir mão do conforto, nem em uma festa chiquérrima.

Os métodos manuais são os mesmos que já vinha utilizando: batik com cera de abelha, dobraduras japonesas, silicone com gesso e ferrugem são alguns deles. Em breve, quer incluir ikat, método antiquíssimo que remete à Rota da Seda e tinge o fio antes de ser tecido.

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“Mas minha busca mesmo tem sido pelas cores personalizadas. Meu processo é uma loucura”, diverte-se, explicando que todas as peças são confeccionadas em branco para, então, receberem identidade cromática. Esse encadeamento de fazeres totalmente artesanal abriu portas em cerca de 60 multimarcas, que vão de Nova York a Frankfurt.

Há força em suas criações. E também muita poesia. Impossível não pensar que são o resultado da bagagem acumulada por Gilda vida afora. É mãe do ator e comediante João Vicente de Castro e de Ana de Souza Dantas, que trabalha com Rita Wainer. Viajou o mundo inteiro, morou nos Estados Unidos e na França, e escolheu o Rio de Janeiro para fixar residência e ateliê. É estilista, figurinista, fotógrafa, produtora e empresária.

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Trabalho, cultura, amizades e amores sempre estiveram em total sintonia. João Vicente é afilhado de Caetano Veloso, que ela clicou para o disco “Velô” e com quem divide a autoria da capa de “Recanto”, de Gal Costa. Retratou Elton John e coleciona amigos interessantes, de Marc Jacobs a Mariana Ximenes.

Ficou próxima de Maria Bethânia desde que a cantora a convidou para assinar o figurino do show “Agradecer e Abraçar”, em comemoração aos seus 50 anos de carreira. “Ela sabe o que quer, trabalhei em cima de dois desenhos dela que eram de uma precisão incrível.” No ano passado, vestiu Luis Lobianco no drama musical “Gisberta”.

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O gosto para a moda foi moldado fora dos caminhos convencionais. “Sempre me vesti comprando em brechós. Acho que a primeira peça de marca comprei há cerca de dez anos. Hoje, uso quase sempre o que faço e jeans antigo, porque é confortável”, diz.

Nela, o resultado é literalmente uma segunda pele. O filho já declarou em entrevistas que a mãe faz biografia em tecido, porque traz sua história na roupa. No momento, está construindo um look a quatro mãos com o pintor Daniel Senise para o projeto que pretende resgatar o vínculo do Masp com a moda. “E estou construindo uma casa no meio do mato e com um rio passando no meio”, diz ela. Alguém duvida do resultado?

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