A brasileira Paula Cademartor. Foto: Divulgação
A brasileira Paula Cademartor. Foto: Divulgação

Por Cibele Maciet

QUEM VÊ A GAÚCHA de 33 anos no topo da carreira, com a marca homônima presente em mais de 150 pontos de venda no globo – incluindo Harvey Nichols, Matches Fashion e Saks Fifth Avenue –, não imagina o longo caminho que ela percorreu para chegar até aqui. Foram anos de labuta e de solidão num país estrangeiro com uma burocracia gigante e grifes enormes já consolidadas. Formada em Moda e Acessórios pelo Istituto Marangoni de Milão e em Gerenciamento de Moda pela Bocconi, a carreira da designer começou há seis anos, logo após deixar um cargo seguro na Versace.

O que para ela era uma certeza, a de lançar sua própria marca, para outros era um risco sem precedentes.“Tive muitos obstáculos, mas também muitas satisfações desde que cheguei aqui. Por outro lado, conheci pessoas maravilhosas, que me apoiaram e acreditaram na minha paixão.A estrada ainda é longa, mas estou muito feliz por ter chegado aqui e ter realizado o meu maior sonho”, conta a designer à Bazaar.

Há cinco meses integrante do grupo italiano Only The Brave (OTB), encabeçado pelo fundador da Diesel, Renzo Rosso – que também engloba a Maison Margiela,Viktor & Rolf e Marni – , Paula é só alegria. O grupo, que faturou € 1,580 bilhão no ano passado, segue firme na estratégia de apostar em novos talentos como sócio majoritário.“Estou muito orgulhosa e vejo para a marca um futuro de mudanças e consolidação, tanto estratégica quanto empresarial”, comemora ela, que já colheu os frutos da parceria com uma pop-up store durante a fashion week milanesa, uma primeira incursão da marca no varejo.

Mas nem tudo é tão simples assim. Nadando contra a maré da fast-fashion e do sistema see now, buy now, a brasileira tira proveito das redes sociais e admite seguir o ritmo frenético das publicações instantâneas, mas numa outra vibe. “Estou muito mais interessada em comunicar a storytelling da marca ao meu cliente.Ainda acredito na manufatura do produto e na história por trás dele”, explica. “Tudo mudou muito desde que comecei a trabalhar com moda. Hoje em dia, tudo é mais rápido, queremos imediatamente o que vemos e não podemos esperar mais. Infelizmente, não alimentamos mais o desejo de possuir aquele produto e, consequentemente, às vezes falta qualidade”, constata Paula, que ainda aposta no luxo e qualidade do fatto a mano italiano.“Não importa se um produto é entregue em 72 horas em vez de uma. O importante é que o resultado final seja único.Tenho certeza de que as pessoas apreciam profundamente esse valor agregado.”

Bolsas coloridas e sandália Crazy Stipes assinadas pela designer.  Foto: Divulgação
Bolsas coloridas e sandália Crazy Stipes assinadas pela designer. Foto: Divulgação

A designer, além do talento nato, também ganhou certa notoriedade internacional com uma ajudinha de estrelas do street style, como Anna Della Russo e Miroslava Duma, que estamparam sites e jornais com suas peças a tiracolo. Depois vieram Beyoncé, Jessica Alba e Lady Gaga. Mas a qualidade do trabalho é seu maior trunfo. Dona de um estilo autoral, suas criações coloridas, com um twist de brasilidade, misturadas com materiais de primeira linha, conquistaram um público fiel, o que garantiu o sucesso da primeira linha de sapatos lançada há dois anos.

O que vem pela frente? Projetos certeiros e ambiciosos. “Para começar, o objetivo da marca é se concentrar no core business, ou seja, nas bolsas e nos calçados, a fim de melhorar o produto e a qualidade cada vez mais. Mas não escondo que, no futuro, penso em ampliar a linha com outros produtos”, adianta ela, que pretende também investir no comércio eletrônico.“Não dá para estagnar numa indústria como a moda.Temos de inovar e permanecermos fiéis a nossos valores e filosofia.” Se depender da legião de fãs que não para de crescer, Paula está dando os passos certos.