Foto - Paulo Manzato Jr.
Foto – Iara Morselli

Gustavo Neves é um arquiteto e designer que cria coisas incríveis para você ver e não se esquecer. A mais recente é a J Boggo, uma loja para lá de especial. A união de dois artistas, dois talentos, que viraram dois amigos, resultou em um ponto único. Esta poderia ser uma história comum de dois homens que se conheceram, mas não é só isso, vai além, são parceiros nos negócios e criaram, por meio da arte, um mundo sem fim de qualidade e exclusividade quando o assunto se trata de arquitetura, design, moda e sustentabilidade.

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Neves criou a loja de J Boggo inspirado em lifestyle. Tudo o que é usado no local pelos clientes pode ser adquirido, então, aquela xícara de café incrível pode ser sua ao final da compra se assim você desejar. Mais uma vez, os dois dão uma cara de personalidade à compra e põem o cliente em primeiro lugar.

“A essência do ambiente, que eu desenvolvi, também pode ser comprada na forma de home spray. E tem uma coleção minha de casa, repleta de móveis como mesa, castiçais, incensário e também esculturas”, diz Neves.

Foto - Paulo Manzato Jr.
Foto – Paulo Manzato Jr.

Mais que objetos usados no dia dia, a loja J Boggo, projetada por Neves, usa materiais feitos por índios da tribo Ianomâmi, como a cabaça e madeira. Todas as peças são únicas, ou com edição limitada.

A arte principal de J Boggo é trabalhar o tecido um a um. Ele tem em esmeril, máquina usada para lapidar e cortar madeira e pedra, e a usa para lapidar o tecido. Ele praticamente destrói a roupa, lixa, rasga, e fica maravilhosa. Nunca vai ter uma roupa igual a outra, é o upcycling no trabalho do estilista.

Foto - Paulo Manzato Jr.
Foto – Paulo Manzato Jr.

Ali, além da experiência, o cliente passa por um ritual. Uma observação e experimentação. A começar pela experiência sensorial: ao adentrar à loja, todos devem tirar os sapatos. Mas não se preocupe, todos lá dentro trabalham descalços também. É uma questão de contato, de toque, de sensibilidade. E nada melhor do que isso para sentir o que se quer adquirir, já que o que o cliente encontrará dentro da loja é arte, por isso o nome é J Boggo Galeria.

“A ideia é que todos sentidos sejam explorados ao entrar na loja. Primeiro a visão, já que tudo na loja é extremamente visual. Depois a coisa do tato, passando a mão na parede e sentindo sua textura. O olfato, que ela já sente de cara, com o incensário fora da loja e também o cheiro da essência que criei para a loja – couro, violeta e ambergris formam a coluna vertebral dela. O paladar se representa nos pratos, nas xícaras e nos talheres que são vendidos ali. É um design 360º – é uma experiência”, explica Neves.

A J Boggo também recebe, a partir desta quarta-feira (05.02), a exposição “Oma”, do próprio Neves, que, segundo a tradição ianomâmi, é o espírito que guia os xamãs, a mostra explora o que a comunidade indígena expõe: sobreviver sem degradar a natureza.

Entre esses dois há muita cumplicidade artística. J é um homem inspirado no holístico, não em coisas palpáveis, é muito livre, e muda tudo na hora em que quer, ou seja, não tem medo de ousar, assim como Neves. Eles põem a mão na massa, como se diz.

Ambos não desperdiçam no produto e na criatividade. Enquanto J não descarta centímetros de tecido. Neves não joga nada fora, justamente em respeito à natureza. Afinal quase tudo o que se joga fora e não é reciclado vira gás carbônico. A ideia é a sustentabilidade e ponto.

Foto - Paulo Manzato Jr.
Foto – Paulo Manzato Jr.

O arquiteto, que vai muito além dos desenhos. Também criou a trilha sonora da loja, com base nos cantos xamânicos de cura e nos cantos dos Hindus, com mantras de tai-chi e ioga. Sons de rituais trabalhando o corpo, a natureza e o espaço.

A fachada da loja é uma instalação do artista Victor Vasconcelos, feita de carvão com turmalina negra, que funciona como um portal energético para entrar no local. Vale a visita!

J Boggo: rua Joaquim Antunes, 707, Pinheiros, São Paulo