Foto: Divulgação
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Não é fácil imaginar 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico, provenientes de smartphones, computadores e eletrodomésticos, jogados fora a cada ano. E todo o impacto que causa ao meio ambiente e à saúde da população, devido aos altos níveis de toxinas dos metais.

Há dez anos, quando as consequências do e-waste no mundo já começavam a preocupar, a jovem inglesa Eliza “Lylie” Walter saiu do ensino médio com uma ideia na cabeça: lançar uma marca de joias recicladas. Foi um longo caminho desde seus estudos de História da Arte na Universidade de Bristol, o aprendizado de ourives em Hatton Garden – bairro dos joalheiros londrinos desde a época medieval – até o alinhamento da fabricação e entrega do produto ao cliente final.

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“Comecei fazendo peças sob encomenda, ao mesmo tempo que trabalhava para um art dealer”, conta Eliza. “Como não podia pagar os cursos clássicos de joalheria com gemas e diamantes, aprendi o ofício sozinha, assistindo a vídeos no YouTube. E, sobretudo, tive a sorte de ter Annoushka Ducas (dona das marcas Links of London e Annoushka) como minha mentora, o que me ajudou muito.”

Todas as peças da Lylie’s são feitas na Inglaterra com ouro e prata reciclados de peças antigas, e-waste e material dentário. “Garimpar metais preciosos desse lixo é uma alternativa ecofriendly ao processo de destruição social e ambiental do planeta”, diz ela.

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A marca carrega o selo oficial britânico de reciclagem, que oficializa o uso de metais preciosos recuperados no lixo. Quanto às gemas, Eliza opta por artificiais, além de diamantes tirados de joias antigas. “A beleza de uma pedra não pode ser dissociada de sua fonte. Não há beleza na crueldade! Até nas minas chamadas ‘fairminded’ (de mineração justa) não existe garantia de não violação de direitos humanos”, afirma.

As toneladas de terra utilizadas para o garimpo e as inúmeras horas de trabalho são intoleráveis e extremas hoje em dia. Por isso, a escolha de lançar somente duas coleções por ano e o aproveitamento de antigas joias de família pela Lylie’s. “Isso permite que meus clientes ganhem créditos na compra de novas peças ou até a reciclagem de uma antiga joia em uma peça customizada.”

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O design das peças é inspirado em tesouros enterrados e nas habilidades artesanais de nossos ancestrais. “Me interesso muito pela textura e acabamento dos metais e carrego sempre comigo um caderninho de rascunhos”, conta ela.

Na nova coleção, batizada de “Sea Treasures”, que traz 23 peças entre anéis, colares, braceletes e brincos, a designer usou águas-marinhas recicladas – retiradas de uma velha pulseira de um cliente –, peridotos artificiais e diamantes antigos, extraídos de uma cigarreira. A série é uma verdadeira agregação de criatividade e responsabilidade social.

Eliza, que passou a infância em Cambridge, brincando com os irmãos entre criações de cabras e galinhas e fazendo piqueniques à beira de rios, diz não se considerar ‘trendy’, e sim, “dona de uma marca para ser usada pelos próximos 30 anos”. Chique e sustentável, combinação mais trendy não há.

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