Earcuff Fula em latão banhado a ouro e textura escovada (£ 160), inspirado na carambola e nas joias usadas pelas mulheres Fulani, do norte da África – Foto: Divulgação

O grande desejo de Marie-Paule Tano é mostrar ao mundo a diversidade e a riqueza cultural dos antigos impérios africanos, conhecidos pela abundância de ouro, bronze e prata. E os sinais mostram que ele está se tornando realidade.

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Beyoncé usou uma de suas peças, o anel “Fula Wrap”, no clipe de “Rei Leão” no ano passado e, no começo deste, o estilista camaronense Imane Ayissi incluiu suas argolas em forma de continente africano em seu desfile de alta-costura em Paris.


Anel Fula Wrap em latão banhado a ouro e textura escovada (£ 140) – Foto: Divulgação

“A arte e a moda tradicional africana sempre inspiraram artistas no mundo ocidental, mas nunca foi dado o devido valor. Acho que as coisas estão mudando, as pessoas estão mais conscientes sobre as desigualdades, e, para muitas delas, isso significa redescobrir suas raízes, aprender mais sobre outras culturas e ajudar as pequenas empresas que valorizam seus povos”, afirma a joalheira à Bazaar.

Mas essa batalha é recente na vida da designer de 36 anos. Nascida na Costa do Marfim e criada pelos pais entre Paris e Londres, seu primeiro impulso foi trabalhar com Ciências Políticas, mas já durante os estudos na prestigiada Universidade de Brunel, na capital inglesa, Marie sentiu vontade de apostar na moda. “Sempre tive um lado criativo e via essa área como ideal para expressar sensibilidade artística. O único problema era como dar o pontapé inicial com uma formação em política debaixo do braço”, diz.

O impasse foi resolvido com a oportunidade de estagiar em uma agência de relações públicas. “O que deveria durar três meses, acabou virando um ano e meio”, lembra. O contato diário com marcas de moda fez com que a designer se apaixonasse por acessórios, mas lançar sua própria marca de joias ainda era um projeto remoto.

Em uma viagem pela Nigéria, Marie caiu de amores por artesãos do Níger em uma feira de artesanato local. Foi ali que ela desenhou seu primeiro par de brincos. “Eles elaboraram minha primeira peça. Adorei o resultado, mas senti a necessidade de fazê-las com minhas próprias mãos. Foi assim que decidi voltar para os bancos da escola”, conta.

De volta a Londres, cursou a Central Saint Martins e a Holts Academy of Jewellery, onde teve como professora Hannah Martin, a consultora de luxo que ajudou o músico britânico Pete Doherty a desenvolver a sua primeira coleção de joias.

Em 2013, a designer lançou a marca Rokus London, dando à estética tradicional africana ares de modernidade. “Misturo o simbolismo de máscaras e figuras tradicionais africanas seculares com arquitetura e arte contemporâneas”, explica. “O que torna minha marca única é a união do oeste da África, de onde venho, com a Europa contemporânea; do clássico com o ousado, do artesanal com o moderno”.

Brincos Full Moon em latão banhado a ouro (£ 230) – Foto: Divulgação

De seu ateliê, em Londres, a designer fabrica as peças à mão com a ajuda de artesãos da Costa do Marfim. Com a pandemia, ficou confinada em Abidjan, principal cidade do país e, apesar de ter paralisado a produção de suas joias com base em bronze, metais reciclados e limalhas de prata, ela conta que tem sido uma oportunidade para encontrar novos artesãos, realizar pesquisas e projetar peças. “Também pude trabalhar no lançamento do meu mais novo ponto de venda, no Centre Commercial, em Paris”, festeja.

O fato de o mercado de moda africano fazer sucesso nas redes sociais e entre celebridades ajudou o crescimento da marca. Mas o sonho de Marie não para por aqui. “Adoraria que a mulher negra pudesse ser reconhecida pela qualidade de seu trabalho e pelo seu talento”, revela. Por isso, sonha em abrir um ateliê-escola na Costa do Marfim. “E ter todas as minhas peças produzidas localmente por mulheres que eu teria o prazer de ensinar.”