Ralph Lauren (Foto: Divulgação)

Por Cassio Prates

Os grandes nomes, em sua maioria, não entregaram vibes. Nada que dê vontade de abrir a carteira e cometer uma loucura. A Ralph Lauren jogou seguro; senti falta da versão masculina, mais conectada e menos engessada. As roupas são bonitas (especialmente os ternos e os vestidos de festa), mas seguem presas ao jóquei e aos Hamptons. A Tommy Hilfiger fez um desfile interessante à primeira vista, até você perceber que tudo ali parecia (ou já poderia ser) encontrado em qualquer fast fashion. A Calvin Klein, o mesmo caso: coleção elegante, mas de peças que todo mundo já tem. Com o mercado entusiasmado com o estilo da marca, Veronica Leoni perdeu a chance de emplacar algo original. Sinto nela a energia de Maria Grazia Chiuri: discurso legal, obra de arte incrível (o Walter De Maria era impressionante) e roupa mais do mesmo.

Calvin Klein (Foto: Divulgação)

Quem ocupou esse espaço foi a Eckhaus Latta, com o melhor desfile da temporada: um minimalismo novo, realmente sexy, sem ser óbvio. Os jeans, as transparências e a collab com a J.Crew mostraram que o melhor da moda faz a gente desejar o óbvio novamente. Zoe Latta e Mike Eckhaus são os verdadeiros herdeiros de Helmut Lang em NY.

Tommy Hilfiger (Foto: Divulgação)

Adorei a Conner Ives, pelas cores e pelo humor das roupas — sobretudo a versão masculina, que mistura estampa, shapes e esporte com alfaiataria. Gostei também da The Society Archive, que estreou trazendo o espírito das ruas em peças únicas, difíceis de achar em araras cheias de itens iguais.

Conner Ives (Foto: Divulgação)

Ainda assim, o desfile mais comentado foi o da Cos, não pelas roupas, mas pela agressão física de Steven Kolb, presidente do CFDA, contra ativistas do PETA. Uma atitude grosseira e lamentável, que escancara a permissividade de quem detém poder.