Fausto Puglisi, resort 2016
Fausto Puglisi, resort 2016

Por Luigi Torre

A influência dos anos 1980 na moda trouxe de volta os excessos: de volumes, cores e brilhos.Tudo ficou maior, mais vibrante, mais intenso. Dessa viagem ao passado também vieram os comprimentos míni, as fendas, os recortes, as transparências e os decotes dos mais variados – mas sempre profundos –, que dominaram as passarelas internacionais de inverno 2015. Principalmente, na porção festa dos desfiles.

Numa inversão (desejável) de papéis, o brilho sai de cena para o preto reinar absoluto, de preferência ao lado de cortes de máxima precisão,como pode ser visto no macacão Versace que ilustra esta matéria. É que essa volta do sexy não é literal. Mais do que uma visita ao legado 80’s, é uma reapropriação da força que tais looks imprimem, mas compatíveis com a imagem da mulher do século 21: forte, independente e que se veste exclusivamente para si mesma e não para os outros.

Ellus, verão 2016; e Saint Laurent, inverno 2015
Ellus, verão 2016; e Saint Laurent, inverno 2015

É por aí que a alfaiataria (ou uma ideia dela) se destaca.As fendas e os recortes que deram fama a Anthony Vaccarello só funcionam pois sua modelagem e seu corte respeitam a silhueta feminina. Em outras palavras, dão segurança à mulher, algo essencial quando há consideráveis – e, por vezes, provocativas – partes do corpo à mostra. Trazem até um pouco da pureza minimalista dos anos 1990, talvez bem exemplificada no figurino da personagem de Sharon Stone em Instinto Selvagem.

Aliás, é uma boa comparação para o jogo de esconde-revela, que mantém o sexy na linha tênue entre provocação e vulgaridade. Na famosa cena da cruzada de pernas fatal, vê-se que o comprimento da saia branca é míni, mas a proporção do casaco, máxi. As propostas atuais são diferentes, mas a parte do corpo que fica exposta é proporcional à que se mantém coberta. Mangas longas, um braço ou ombro só, sobreposições e até comprimentos alongados dão sofisticação extra a esse tipo de sensualidade, alinhada com a atitude de agora: menos gratuita e mais consciente.

Use com: sapatos Jimmy Choo, R$ 3.170; clutch Marni, R$ 8.100; e brincos  Iosseliani, R$1mil
Use com: sapatos Jimmy Choo, R$ 3.170; clutch Marni, R$ 8.100; e brincos Iosseliani, R$1mil

Nas coleções nacionais, do verão 2016, não é diferente. Se bem que, por aqui, o sexy nunca esteve em baixa. Hoje, porém, conforme a discussão feminista se intensifica, uma nova geração de mulheres vem repensando o que coloca no corpo. Não é somente a minissaia adesiva, é a saia lápis mídi com fenda e blusa drapeada ou um blazer de mesmo tom – um hi-low de sensualidade e sobriedade maduro, embora apimentado. Os tecidos também ganham upgrade: mais nobres e encorpados, mas não menos confortáveis.

E conforto já é qualidade indispensável do guarda-roupa do século 21, além de essencial para imprimir segurança, tão necessária à imagem sexy do momento. Junte também as referências esportivas, fenômeno da moda global que invade o look de festa, como no vestido com alças elásticas da Animale. Afinal, já faz algumas temporadas que a nova it-peça não é simplesmente uma bolsa, um sapato ou um vestido, mas, sim, seu próprio corpo. São horas de investimento (físico e financeiro) em busca da forma perfeita. E do que valeria tanto esforço e suor se fosse para ficar escondido?