por Luigi Torre

Pergunte para qualquer teórico a diferença entre moda e arte, e a resposta será que a primeira é efêmera e a se­gunda, atemporal. Que nos perdoem os puristas, mas teremos que discordar. Nas mãos dos estilistas e diretores de criação da Valentino, Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, moda e arte andam de mãos dadas. Há pelo menos seis coleções, a du­pla olha para trabalhos de artistas plásticos em busca de referên­cias e colaborações. “Nos inspiramos em vários lugares, mas é sempre resultado da nossa curiosidade no mundo”, diz Maria Grazia à Bazaar. “Mas a cultura é a fonte de inspiração mais recorrente, seja na música, nos livros, no cinema e nas artes.”

Principalmente na arte. De todas as searas culturais, a arte é, de fato, a que mais se alinha aos valores de beleza incondicional, trabalhos manuais e sublimação do trabalho criativo. “É parte essencial do nosso trabalho e adoramos colaborar com artistas”, continua Pierpaolo. “Já nos inspiramos, para uma coleção de al­ta-costura, no pintor francês Gustave Moreau, e em outras no Marc Chagall e no holandês Vermeer.” Mais recentemente, para o pre-fall 2016, foi a pop art de Andy Warhol, em parceria com a marca Fiorucci, o ponto de partida. No verão 2016, as joias da coleção, com motivos que fundem elementos da natureza com arte primitiva, nasceram a partir dos trabalhos do escultor e de­signer Alessandro Gaggio. E no resort 2016, os estilistas convida­ram a canadense Christi Belcourt para transformar em estam­pas e bordados suas obras de contas e miçangas, típicas da cultura métis, proveniente de seu país.

Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli não são estilistas convencionais. Para eles, roupas não são commodities, são peças feitas para durar, viver e ter história. “Moda é sobre se emocio­nar”, diz Maria Grazia. “Nosso trabalho é entregar uma ideia de beleza, individualidade e emoção.” E arte, bem se sabe, é um dos principais gatilhos para isso.

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