Foto: Reprodução/Now Fashion
Foto: Reprodução/Now Fashion

O universo da moda é uma das engrenagens mais importantes do mundo – apesar de algumas pessoas ainda menosprezarem este segmento – e sua maior forma de se expressar são os desfiles e semanas de moda. Eles movimentam uma das maiores indústrias mundiais, podem gerar discussões e manifestações, são um importante segmento da arte, além de influenciar o modo de consumo de milhões de pessoas (direta e indiretamente).

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Para encerrar o ano, que teve muita informação e notícias de moda, a redação da Bazaar elegeu os desfiles mais importantes de 2019 – que marcaram a história da moda de alguma maneira.

Um début na Fendi, por Luciana Franca, redatora-chefe

Fendi, verão 2020 - Foto: Reprodução/Now Fashion
Fendi, verão 2020 – Foto: Reprodução/Now Fashion

Foi uma estreia discreta, sem alarde, mas muito aguardada pelos fashionistas. O verão 2020 da Fendi marcou o début de Silvia Venturini Fendi à frente da coleção feminina da marca de sua família. Era a primeira linha, após 54 anos, sem a assinatura de Karl Lagerfeld, que morreu em fevereiro de 2019. Silvia já era o braço direito e o olhar feminino de Karl na Fendi, e no primeiro desfile sob seu comando, que trazia um clima ensolarado à passarela, a diretora criativa deu ainda mais frescor ao caminho que a maison italiana já estava trilhando.

As estampas florais com pegada psicodélica, a transparência da organza, o vestido de camurça com perfurações para deixar a brisa do verão passar e os mocassins confortáveis de saltos quadrados – aliados ao característico trabalho artesanal – traduziram os desejos das mulheres atuais e o DNA da Fendi, que uma senhora Fendi entende como ninguém.

“Você pode sentir que tem uma mulher pensando em roupas de mulher. Acho que é a mesma Fendi de que quando Karl estava lá, mas, provavelmente, mais calorosa, com uma relação diferente da silhueta, menos rigorosa, eu diria mesmo mais feminina”, afirmou Silvia recentemente em entrevista à Bazaar. “Agora eu trabalho sozinha, com o meu time, e o resultado, bom ou mau, é todo meu”, completou.

A nova era da Bottega Veneta, por Rodrigo Yaegashi, editor de moda

Bottega Veneta, verão 2020 - Foto: Reprodução/Now Fashion
Bottega Veneta, verão 2020 – Foto: Reprodução/Now Fashion

O ano de 2019 foi uma ode a elegância. Ternos bem cortados, camisarias para todos os gostos – do slim ao oversized -, resgate das bermudas e uma pilha de acessórios desejos de cores bolds. A marca que se destaca e soma toda essa gama de trends que Bazaar abordou durante o ano é a Bottega Veneta. Sob comando de Daniel Lee, a marca reinventou todas as peças chaves do guarda-roupa feminino e masculino dando twist hiper fashion.

As bolsas saco de pão, as sandálias de bico quadrado e tiras em tons de neon, as regatas desconstruídas e saias com o famoso entrelaçado da marca – o entrechato – em versão maximizada são alguns dos destaques que Bazaar ama.

A emoção da Gucci, por Silvana Holzmeister, editora de moda

Foto: Reprodução/Instagram/@gucci
Foto: Reprodução/Instagram/@gucci

O desfile verão 2020 da Gucci, em Milão, foi um dos mais emocionantes que já assisti, principalmente o começo do show. A sala, que era toda vermelha com estrelas douradas para a entrada dos convidados, ficou branca, evidenciando as esteiras rolantes. Vinte e um modelos vestindo versões diferentes de camisa de força passaram imóveis. As luzes se apagaram. Começou o desfile da coleção, deixando claro que a moda tem a função de dar diferentes possibilidades às pessoas.

Este também foi um show desafiador para o diretor criativo Alessandro Michele, que saiu da sua zona de conforto para explorar novas estéticas, como o minimal chic e sensual da própria marca nos anos 1990 e a cor preta. Claro, à sua maneira. Para fechar com chave de ouro, a marca plantou várias árvores pela cidade, compensando a emissão de gás carbônico provocada pela realização do evento e deslocamento dos convidados.

A cinética de Iris Van Herpen para o inverno 2019, por Carol Hungria, diretora de conteúdo digital

Foto: Now Fashion
Foto: Now Fashion

Para a sua coleção de inverno 2019, a sempre intrigante Iris van Herpen convidou o escultor cinético americano Anthony Howe, cujas obras são movidas pelo vento, para trabalhar com ela. Uma das suas esculturas esférica mais famosas, chamada “Omniverse”, teve lugar de destaque em Élysée Montmartre.

A designer contou na ocasião que se sentiu atraída pela maneira como suas vértebras arqueadas, girando em um eixo curvo, simultaneamente se expandem e contraem.

Com isso em mente, Iris tirou meu fôlego com o look final da sua apresentação, que tinha asas giratórias construídas em alumínio, aço inoxidável e penas (na foto acima).

O mais interessante da coleção é a maneira como até as peças que não tiveram a contribuição de Howe eram cinéticas. A estilista conseguiu em efeito utilizando a técnica japonesa de tinta na água chamada suminagashi, combinada ao corte a laser. Uma jogada de mestre.