Foto: José Finabietti/Divulgação

Por Matheus Evangelista

Foi durante um almoço em um restaurante nos Jardins, em São Paulo – o primeiro em meses e que aconteceu com todas as regras de distanciamento social e segurança que o momento exige -, que Renata Sarti confidenciou em tom animado o lançamento de uma novidade que estava fazendo com que ela sonhasse acordada.

O que viria a ser? “Nunca havia pensado em criar uma marca e, às vezes, minha irmã me pedia algumas opiniões na Lilly Sarti, se eu gostava disso ou daquilo. Mas nunca pensei em me aprofundar no quesito direção criativa, até porque não me achava nada criativa, para ser bem honesta”, contou ela, que segue cuidando da parte burocrática da empresa que criou com Lilly há 14 anos, mas, a partir deste mês, passa a ter jornada dupla.

O motivo é dos mais nobres, afinal, há um ano ela fomenta o lançamento da Relow, marca sem gênero que resolveu criar a partir de suas vontades e inspirações pessoais.

“Queria uma marca que fosse democrática no sentido de não ter um gênero definido. Me incomoda precisar explicar o fato de um homem não poder usar Lilly Sarti. ‘Só por ser feminina?'”, questiona, acrescentando a vontade de expandir.”

A ideia é que fosse para todo mundo e que tivesse o que eu gosto de usar, como moletons e peças em jeans”, explicou à Bazaar, desta vez por meio de uma chamada de Zoom para contar mais detalhes do projeto que passa a ocupar o segundo andar da loja Lilly Sarti, na Rua Bela Cintra, em São Paulo.

Conhecida por ser dona de uma personalidade forte, Renata sempre foi uma figura low profile, porém, intensa; coleciona boas histórias e tem uma mente fervilhante, sempre cheia de insights e referências – nada mais justo, então, que ela usasse toda essa bagagem na primeira coleção que chega leve e despretensiosa, com bom humor e muita atitude.

“Eu fiz uma coleção bem enxuta. Na Lilly Sarti temos 200 referências, na Relow não passamos de 50. A marca é muito sobre mim e quis colocar um pouco disso nas peças, por isso os ícones místicos. Tive a ideia de fazer essa estampa com elementos que eu amo desde que sou muito pequena, como Cruz Ansata, Olho de Hórus, Hamsá, Ganesha e Shiva, uma mistura de coisas que acredito em termos de espiritualidade”, explica a empresária.

Foto: José Finabietti/Divulgação

O nome da marca foi escolhido com a ajuda do publicitário Marcelo Raimondi, marido de Lilly, que ligou os apelidos das duas – Re, de Renata e Low, como Lilly é chamada pela irmã, numa brincadeira íntima, mas com a dose ideal de positivismo que precisamos para esse momento tão atípico que o mundo enfrenta.

“Não vejo a pandemia com maus olhos, de verdade. Claro, estou rebolando para manter meu negócio em pé, sou uma pessoa de muita fé e penso que tudo isso que está acontecendo no mundo é justamente para o ser humano olhar para dentro, olhar para o próximo. Para mim, esse momento é o de ressignificar os valores e a marca não poderiam chegar em um momento tão específico”, conta ela, que fez até a numerologia do nome antes de colocar o projeto de pé.

“A Relow terá um preço um pouco menor que as peças criadas para Lilly Sarti, teremos mais moletons, jeans e algodão estampado, que são tecidos teoricamente mais baratos. No entanto, a qualidade do produto vai ser a mesma, porque o valor da mão de obra e todo o cuidado será padrão, como sempre tivemos e sempre teremos”, avisa Renata, que não vê a hora de suas criações ganharem as ruas – e cobrirem os corpos de quem quer que seja.