Foto: Getty Images

Foi durante um bate-papo virtual com a dermatologista Adriana Vilarinho que o assunto veio à tona: “minhas pacientes envelheceram muito nos meses de pandemia e isso pode ser visto na aparência delas”, disse a médica, em tom de preocupação.

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Estresse, ansiedade, incertezas, medo, noites mal dormidas – todos nós vivenciamos isso, em maior ou menor grau, nesses últimos tempos. E o reflexo pode ser sentido na pele.

Já está provado cientificamente que ela expressa nosso estado emocional: quando estamos em desequilíbrio, com pensamentos e emoções negativas, isso se traduz diretamente no rosto. Um estudo publicado na revista científica “Inflamm Allergy – Drugs Targets” revela que a liberação crônica de cortisol, o hormônio do estresse, causa atrofia cutânea, diminuição do número de fibroblastos, colágeno e elastina e também está associado ao aparecimento de rugas.

“Durante esse período de reclusão houve um aumento visível de casos de queda de cabelo, distúrbios do sono, compulsão alimentar, aumento do consumo de álcool, acne, rosácea e a clara sensação de que envelhecemos anos em alguns meses”, atesta a médica Cinthia Sarkis, especialista em imunologia da pele.

Mas como os efeitos emocionais da pandemia atingem diretamente nossas células? “Elas sofrem o chamado estresse oxidativo, com picos de hormônios de crise como o cortisol, a prolactina e a adrenalina. Ao circular por todo o organismo, eles liberam fatores inflamatórios que vão diretamente para a pele e o cabelo”, explica Cinthia Sarkis.

Os fibroblastos, células responsáveis pela síntese de colágeno, proteína que confere elasticidade aos tecidos, também trabalham menos com o estresse. “A diminuição de fibroblastos e do colágeno reduz a resistência, não só da pele, mas dos demais tecidos que se tornam flácidos”, explica a cirurgiã plástica que atua em rejuvenescimento facial Ana Carolina Chociai. Segundo ela, as pálpebras são as áreas mais afetadas nesse processo, já que têm a pele mais fina.

Mais: o cortisol em excesso acelera o surgimento dos fios brancos. É em picos de estresse que ocorrem danos permanentes às células produtoras de melanina (que dá pigmento ao cabelo) e a perda da cor dos fios pode ser irreversível, segundo mostrou uma pesquisa conduzida em Harvard e publicada recentemente na revista científica “Nature”.

“Há uma tensão contínua quando o emocional se reflete na pele, causando ainda doenças, como dermatite atópica, psoríase e acne”, explica o dermatologista Amilton Macedo. “Já notou que pessoas que passam por situações de sofrimento intenso, seja luto, ou divórcio, respondem a isso com envelhecimento na aparência? Ou pessoas que sofrem de ansiedade e stress tendem a ter alergias e acne?”.

Olheiras escuras ao redor dos olhos, aparência cansada, tom de pele acinzentada e ressecamento são outros sintomas de um emocional fragilizado. Sem falar em um sono de qualidade ruim, o famoso dorme-acorda em noites estressantes. Esse hábito contribui para o aparecimento precoce de rugas e linhas de expressão.

O estresse da pandemia continua a afetar uma legião de pessoas em todo o mundo. Uma pesquisa conduzida por psicólogos e psiquiatras de Estados Unidos e Canadá, avaliou o impacto do novo coronavírus e o isolamento social na saúde mental de quase 7 mil pessoas. O estudo aponta que 28% relatam ansiedade elevada e 22% apresentam sintomas depressivos.

A boa notícia é que é possível reverter o envelhecimento com uma ajudinha extra da tecnologia. Preenchimentos com ácido hialurônico, bioestimuladores de colágeno e também lasers de ultraperformance são o combo padrão-ouro para o tratamento da face.

Mas não adianta investir em tratamentos, produtos e procedimentos estéticos sem trabalhar o emocional. Quer uma receita infalível para manter pensamentos positivos, e a mente e o coração tranquilos? Medite.