Foto: Alex Falcão

Depois do skincare e do self-care, uma nova tendência tomou conta das rotinas de beleza nesta quarentena: o haircare. Puxado, sobretudo, pela queda acentuada dos fios, que teve um boom nestes meses de isolamento, o movimento batizado de hair wellness não apenas promoveu um aumento nas vendas de produtos para cabelos. Mas tem forçado a indústria e as startups de cosméticos a correr atrás de fórmulas que possam, além de evitar a queda, estimular o crescimento dos fios.

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Produtos

Isso inclui de suplementos orais a máscaras capilares, loções para o couro cabeludo e novas opções de leave-in – as vendas de determinados produtos, principalmente aqueles com o ativo biotina na fórmula, chegaram a dobrar, e até triplicar, nos últimos três meses. De março a maio de 2020, as buscas pelo termo “queda de cabelo” no site da Sephora aumentaram 400%.

Para além do estresse, do medo e das incertezas provocadas pelos dias de confinamento, há um conjunto de fatores que conspiram para a perda de fios. Um deles é a falta de sol: não é novidade para ninguém que nos meses de outono e inverno há uma tendência maior de queda.

Com a chegada das estações mais frias, a luminosidade natural e as temperaturas ficam mais baixas, e as pessoas se protegem em lugares fechados, evitando os raios solares. A quarentena tem nos afastado ainda mais do sol e da luz. Dessa forma, as células produtoras de melanina trabalham menos, diminuindo a cor e o brilho dos cabelos, o que deixa um aspecto menos saudável – além de estimular a queda.

Foto: Alex Falcão

Lavando o cabelo

Também é a época dos banhos muito quentes, o que acaba por não retirar a oleosidade presente no couro cabeludo. O correto é lavar os cabelos com água morna para fria. Ainda é comum, em tempos de isolamento social, lavá-los menos, em dias mais espaçados. Isso, na verdade, aumenta a oleosidade, o que gera o acúmulo de fios, que vão se soltar na lavagem seguinte. Esse excesso favorece a perda precoce, além de ser um fator que leva a algumas doenças do couro cabeludo, como a dermatite seborreica.

Evidentemente, se a queda for muito além do que você está acostumada, é importante buscar a causa, que pode ser hormonal, metabólica, nutricional ou até mesmo genética.

Visão da expert

Segundo a dermatologista Maria Angélica Muricy, especializada em transplante capilar e idealizadora do Mariá Spa do Cabelo, em São Paulo, mudanças repentinas no dia a dia e grandes alterações emocionais, podem afetar, não só a saúde da pele, mas a do cabelo também. “Queda, enfraquecimento e ressecamento dos fios são algumas complicações que podem aparecer neste momento”, diz. “O estresse é um dos principais fatores que levam à queda de cabelo. Claro que ele não é o único, mas essa relação é real e precisa ser cuidada”.

O que acontece é que, em momentos como este que estamos vivendo, o hormônio do estresse, o cortisol, é ativado, e acaba por impulsionar a fase telógena, que é a da queda. Uma boa alimentação, rica em frutas, verduras, legumes e proteínas; a prática de atividade física, mesmo que seja dentro de casa; e tomar um pouco de sol para aumentar os níveis de vitamina D, são atitudes simples que também ajudam a prevenir a tão temida queda capilar.

Foto: Arte Harper’s Bazaar