Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Devido à pandemia do novo coronavírus, os brasileiros enfrentam uma situação inusitada, repleta de medos, incertezas e muita ansiedade. Somados a esses fatores estão as preocupações e os desafios de se manterem confinados.

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Passar mais tempo em casa, sem o contato com a família ou os amigos, pode impactar a saúde da mente, do corpo e o emocional, gerando ou agravando quadros de ansiedade ou depressão, que devastam o bem-estar e o ânimo.

Existem diversos tipos e níveis de transtornos psicológicos que podem afetar o organismo e o rendimento. O distúrbio de ansiedade pode provocar esquecimentos durante o dia ou em algumas situações, como, por exemplo, não lembrar o que foi buscar em outro cômodo ou por que começou uma atividade simples.

Segundo Oliver Robinson, do Instituto de Neurociência Cognitiva da University College London, mesmo processos cognitivos simples, como fazer uma lista de compras, são mais trabalhosos para o cérebro.

“Agora, em vez de pensar ‘vou correr para a loja’, você está pensando sobre o que precisa, quais lojas estão abertas e se é seguro ir até lá. Digamos que seu cérebro possa executar quatro tarefas de uma vez. Agora, de repente, existem dez, e você não consegue fazer nenhuma delas”, explica ele.

De acordo com estudo feito por pesquisadores da Universidade Notre Dame, o cérebro é programado para armazenar uma quantidade limitada de informações de uma vez, e uma mudança de ambiente funciona como um indicativo para liberar algumas informações e proporcionar espaço para outras.

Situações de estresse prolongado, como a quarentena, podem prejudicar a capacidade de concentração e o funcionamento da chamada memória de trabalho, que nada mais é do que a habilidade de pensar, refletir e processar os estímulos do ambiente e transformar em pensamentos e informações necessárias para realizar uma tarefa.

Estímulos negativos como o estresse e a ansiedade fazem com que até as tarefas que você já está acostumado a executar pareçam mais difíceis.

Para lidar com os sentimentos negativos que podem desencadear durante este período de isolamento social e combater a ansiedade de forma mais leve e segura, é importante contar com a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra, que, através das metodologias de psicoterapia e os conhecimentos adquiridos na faculdade de psicologia, conseguem ajudar de forma mais eficaz e saudável.

Impacto na produtividade

Em muitos casos, a ansiedade pode diminuir a produtividade, pois afeta, em parte, a capacidade cognitiva, devido a uma sobrecarga no cérebro. Os indivíduos não conseguem focar em apenas uma atividade, pois passam a se concentrar muito mais em seus problemas e preocupações, e isso afeta tanto a saúde mental, como o comportamental, podendo apresentar sintomas físicos, como tremedeiras, dores e tensões musculares.

“A falta de concentração é um dos critérios diagnósticos do transtorno de ansiedade generalizada, assim como preocupação excessiva, irritabilidade, alteração de sono e inquietação”, explica a psiquiatra Paula Alves.

Problemas no sono

Com tantas informações circulando, é importante controlar o consumo de notícias e o tempo em frente às telas e nas redes sociais, pois o contato exagerado pode deixar as pessoas ainda mais angustiadas, desconcentradas e tensas.

Manter uma rotina de sono saudável faz toda a diferença no bem-estar, no rendimento e na rotina das pessoas. A ansiedade prolongada também pode atrapalhar esse hábito, causando insônia. “A falta de sono é uma forte maneira de prejudicar a memória de trabalho; se você não está dormindo também, isso é uma maneira de destruí-la”, diz Robinson. ”Mesmo se você não estiver explicitamente ciente de que está mais preocupado, é algo que você está processando”, acrescenta ele.

Além da busca por ajuda profissional, criar hábitos saudáveis durante a reclusão social, como a prática de treinos e yoga em casa e conversar com pessoas que gosta por telefone, contribui para manter um certo nível de normalidade, tornando este período menos estressante e ajudando a controlar os sintomas de ansiedade. “O contato social interfere na liberação de neurotransmissores como endorfinas, dopamina, serotonina e ocitocina, responsáveis pela sensação de bem-estar, amor e empatia”, explica Fernando Gomes, neurocirurgião e neurocientista do Hospital das Clínicas de São Paulo.