Foto: Getty Images

A esta altura da pandemia, certamente já “pipocou” na sua tela a informação de que pacientes com deficiência de vitamina D constituem um grupo de alto risco para desenvolver a forma severa da Covid-19. Alguns artigos científicos chegaram a fazer essa associação, constatando, inclusive, que megadoses da vitamina, bem acima do recomendável, foram consideradas seguras em pacientes hospitalizados, melhorando as respostas imunológicas.

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Considerando-se que o mundo vive uma pandemia de deficiência de vitamina D (se você não a dosou recentemente, é grande a chance de ela estar abaixo do ideal), e para aumentar os níveis dela no sangue, passou-se a sugerir doses elevadas da substância para reduzir o risco de gravidade da doença.

Além de ser uma arma importantíssima do nosso sistema imunológico, a vitamina D também tem papel essencial no controle da função cardíaca, da pressão arterial e dos níveis de glicemia e gordura no corpo. Ela também promove a absorção de cálcio, essencial para a saúde dos ossos.

O problema é que, muita gente, sem orientação médica, passou a consumir altas doses da vitamina, sem nem mesmo saber qual a quantidade dela que carrega em seu organismo. É preciso ter cuidado: o excesso pode levar a níveis tóxicos de cálcio no sangue que causam náusea e vômito, insuficiência renal, confusão mental, crise convulsiva, arritmia, cardiopatias e fraqueza muscular, entre outros.

“Suplementar vitamina D sem orientação médica oferece riscos, porque ela é uma vitamina lipossolúvel e doses acima das necessárias e seguras podem levar a consequências graves como calcificação de vasos e válvulas cardíacas”, diz a nutróloga Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia.

Ainda não há consenso entre as várias sociedades científicas do mundo sobre os níveis séricos de vitamina D ideais, mas estudos apontam que dosagens acima de 20 ng/mL podem estimular positivamente as células do sistema imune. A dieta recomendada para a vitamina D é de 600 UI/dia (unidades internacionais) para adultos com 70 anos ou menos e 800 UI/dia para pessoas com mais de 70 anos.

O limite máximo é de 4.000 UI/dia – acima desse nível o risco de efeitos tóxicos se eleva, ocasionando aumento da mortalidade em geral, maior risco de desenvolver câncer e problemas cardiovasculares. Recentemente, alguns especialistas chegaram a recomendar doses até 10.000 UI dia para se alcançar a meta de 40 a 100 ng/mL.

“Levando em consideração a gravidade do momento que atravessamos, a comunidade científica, as sociedades médicas e eu, particularmente, defendemos a suplementação de doses seguras de vitamina D. As doses seguras para os suplementos sem dosagem sérica e sem prescrição médica são de no máximo 2.000 UI/dia para adultos e 1.000 UI /dia para crianças”, diz Marcella Garcez.

Recentemente, o Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra atualizou sua página na internet sobre o coronavírus: “Há novos estudos sobre a relação entre vitamina D e risco menor de Covid-19, entretanto, não há qualquer evidência de que este seja o caso”.

Um grupo de cientistas da Europa e dos Estados Unidos também publicou um documento alertando contra as altas doses de suplementação de vitamina D e deixando claro que mais estudos são necessários para estabelecer uma relação científica de fato entre vitamina e coronavírus. Por enquanto, trata-se apenas de uma possibilidade. O ideal, dizem, é apostar no seu consumo por meio de um estilo de vida saudável, o que inclui banho de sol e alimentação adequada.

Segundo o médico nutrólogo Eduardo Magalhães, mais conhecido como Dr Saúde, do Recife, de 10 a 15 minutos de exposição solar, em 80% da área corporal, produz em torno de 10.000 a 20.000 UI da vitamina D, que se sustentará por mais ou menos 15 dias.

A exposição apenas das palmas das mãos já ajuda muito, ensina @drsaude, em seu Instagram. O melhor sol para a síntese de vitamina D é entre 10h e 14h, por um período de apenas 15 minutos, sem bloqueador solar. Em outros horários do dia, esse tempo deve ser aumentado para 30 minutos a uma hora.

No prato, a vitamina D está presente, principalmente, em peixes gordurosos de água fria, como salmão e atum, em laticínios, ovos, carnes em geral e vísceras, como fígado.