É um fato que a moda adora viajar no tempo. De temporada em temporada, ela revisita o passado, resgata um item que parecia ter ficado por lá e, de repente, faz tudo parecer novo outra vez. Agora, o escolhido é o Sailor Hat, também conhecido como mariner cap ou simplesmente chapéu de marinheiro.
Com a copa estruturada e a aba curta, o modelo foi dos uniformes navais para a cultura popular e diferentes momentos da moda até chegar às passarelas e às ruas em novas interpretações.
Do uniforme naval à moda
Antes de virar a peça desejo que conhecemos, o chapéu de marinheiro tinha uma função bem mais prática. Ele nasceu da necessidade dos uniformes navais europeus entre os séculos XVIII e XIX, quando marinheiros usavam diferentes tipos de chapéus, incluindo modelos de palha e de abas mais largas, para se proteger do sol, do vento e do frio durante longas jornadas no mar.
A história começou a mudar por volta de 1850, quando as marinhas da Europa e dos Estados Unidos passaram a padronizar esses uniformes que ganharam regras, símbolos e detalhes que ajudavam a identificar cada tripulação.

Marinheiro dos Estados Unidos em 1945 (Foto: Getty Images)
Mas foi a moda que deu ao acessório uma nova personalidade. Nas décadas de 1960 e 1970, nomes como John Lennon e Bob Dylan ajudaram a tirar o modelo do contexto marítimo, usando versões tradicionais e tricotadas como parte de seus visuais em shows e no dia a dia.
Quando o assunto é sailor style, também é impossível não falar de Jean-Paul Gaultier. Em 1983, com a coleção L’Homme objet, o estilista levou os códigos do universo náutico para a passarela masculina e ajudou a transformar elementos como listras, camisetas de marinheiro e chapéus em símbolos de uma estética mais livre, sensual e sem tantas regras de gênero. A partir daí, o universo dos marinheiros ganhou uma nova vida na moda.

Desfile Jean-Paul Gaultier, Prêt-à-Porter 1984 (Foto: Getty Images)
Nas décadas seguintes, o tema continuou aparecendo pelas mãos de diferentes designers. Dior, Prada, Louis Vuitton, Miu Miu e Loro Piana já reinterpretaram a silhueta de maneiras bastante diferentes, indo do minimalismo a versões mais dramáticas e teatrais.

(Foto: Getty Images)
Sailor hat é o chapéu da vez?
Nos últimos meses, o acessório voltou a ganhar espaço nas semanas de moda e, principalmente, nas ruas. Durante a Copenhagen Fashion Week, além de aparições em Nova York e Londres, o Sailor Hat marcou presença em produções de street style, editoriais e passarelas.

(Foto: Getty Images)
Um sailor hat, várias versões
Parte do sucesso atual do Sailor Hat está na quantidade de possibilidades que ele oferece. O formato continua reconhecível, mas os materiais mudam completamente a personalidade da peça.
Tricô e crochê deixam o acessório mais delicado e artesanal, funcionando bem com vestidos, peças leves e produções de verão.
Couro e vinil fazem o caminho contrário: trazem mais peso, atitude e uma pegada urbana. São ótimos para quem quer fugir de qualquer interpretação literal do sailor style.

(Foto: Getty Images)
Já o nylon e o algodão deixam tudo mais esportivo e casual, combinando tanto com looks do dia a dia na cidade quanto com propostas na praia.

(Foto: Getty Images)
Feltro, tweed e mohair aproximam o chapéu de uma ideia mais heritage e wilderkind.
Ainda existem as versões mais elaboradas, com bordados, ilhoses de metal, laços de cetim e fitas compridas. Aqui, o acessório ganha um toque de romantismo e conversa com a estética neorromântica, lúdica e dramática que aparece em passarelas recentes de marcas como Simone Rocha e Vaquera.
Mas como usar?
O Sailor Hat não precisa de muito para funcionar. Uma das combinações mais fáceis é apostar em alfaiataria leve. Ternos mais fluidos, camisas amplas e calças de corte reto ficam menos formais quando acompanhados do chapéu.
Outra opção, bem mais simples, é o clássico camiseta + jeans. Básico que sempre dá certo.

(Foto: Getty Images)
Para quem gosta de misturar referências e é fã de um look maxi, vale brincar com o contraste. Um Sailor Hat de couro, por exemplo, pode ser combinado com um vestido de tule ou uma peça transparente. Também funciona com corsets desconstruídos e outras produções mais delicadas (ideia que já apareceu em diferentes versões nas passarelas de Prada e Margiela).

(Foto: Getty Images)
O acessório tem uma história bem definida, mas não precisa ser usado de maneira literal. Pode carregar referências náuticas, brincar com o romantismo, ganhar uma pegada punk ou enfeitar um look básico só por você ter gostado da ideia.

