Por Cris Peixoto

Ensaio caseiro: a vendedora Hanna Schiavo posou com os novos pijamas da Sardina para o irmão de 11 anos, Guito Leite

Em fevereiro, aproveitando um pequeno atraso na produção da coleção de outono, Gloria Marques, ex-estilista da coleção feminina da Richard’s e dona da Sardina, decidiu desenvolver alguns pijamas utilizando sobras de algodão xadrez. Era uma maneira de manter o ateliê ocupado, criar algo que sempre quis (e ama usar!) e não desperdiçar tecido. “Tenho sempre em mente aproveitar tecidos e retalhos que sobram… Faço bolsas, faixas para cabelo, para a cintura, flor. E os pijamas foram assim. Sou do tipo que não joga um retalhinho fora.”

Mal sabia que, em poucas semanas, o Brasil não seria o mesmo com a chegada do novo coronavírus. Quarentena, isolamento e distanciamento social viraram uma realidade. “Nos primeiros dias de isolamento, fiquei tonta. Precisava organizar muita coisa”, conta Glorinha. Uma das primeiras decisões foi cancelar a sessão de fotos dos pijamas que faria para o site da marca, programada para os próximos dias. “Depois, veio um sentimento muito forte de querer ajudar, mas sem saber como”, conta ela, que reverteu para das vendas online para a a campanha de reativação de leitos do Hospital Universitário do Fundão.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

O maior desafio era fotografar os novos pijamas para seu e-commerce. Apelou para uma de suas vendedoras, Hanna Schiavo, que fez as vezes de modelo, e posou para o fotógrafo que tinha em casa, seu irmão mais novo, Guito Leite, de 11 anos, que usou um iPhone. “Tenho uma equipe jovem, antenada e participativa”, elogia a estilista.

As peças começaram a fazer sucesso entre as clientes. Para dar conta das vendas e respeitar as orientações de fechar o comércio, Gloria, que fica baseada no Rio, é quem, pessoalmente, embala, faz entregas locais e envia as encomendas para outros estados pelos Correios. No caso de São Paulo, onde tem também um loja, que está de portas fechadas, claro, a equipe reúne todas as vendas e faz entrega uma vez por semana.

“Desde o seu início, a Sardina procurou ter um ritmo em sincronia com a natureza e não seguir o calendário da moda. Quando isso tudo passar, acredito que as pessoas irão perceber que precisam de menos e haverá uma busca por coisas que façam mais sentido e sejam mais verdadeiras nesse ‘novo normal’, seguindo o ritmo da natureza”, acredita Glorinha.