Modem – Foto: Divulgação

Por Silvana Holzmeister, Marcela Palhão e João Victor Marques

O quarto dia de São Paulo Fashion Week foi marcado pela estreia de duas marcas que prometem conquistar os fashionistas: Martins e Freinheit.

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No time dos veteranos, Modem encantou com uma coleção que revisita o acervo de cinco anos da marca, enquanto Lino Villaventura apresentou um vídeo emocionante narrado por Ney Matogrosso.

Veja um resumo das apresentações:

Martins

Em 2016, quando não encontrava roupas que lhe servia, Tom Martins criou a Martins, que, neste sábado, faz sua estreia no SPFW. Para sua nova coleção, a marca apostou em uma verdadeira festa de cores e estampas – tudo junto e misturado! Com modelagens amplas e confortáveis, Martins apresenta uma moda mais democrática, fácil de ser imaginada e vista em diferentes corpos e estilos.

Destaque para os looks que misturam animal print e xadrez, além dos acessórios fun feitos com miçangas coloridos e spikes. A beleza do fashion film, assinada por Helder Rodrigues, é outro elemento que amarra a coleção vívida e colorida. Amamos!

Cacete.Co

Cacete apresentou sua nova chamada #ArquivoZero na edição 49º do SPFW (Foto: Companhia Filmes/Divulgação)

Seguindo no que é seu DNA, a Cacete.Co, dos estilistas Raphael Ribeiro e Tiago Carvalho, apresentou na 49º edição do SPFW a nova coleção chamada #ArquivoZero totalmente voltada para o underwear ativista. O fio condutor para “zerar” tudo e começar do zero foi o próprio ano que vivemos, em que muitos momentos foi e é necessário, ainda, se reinventar.

Para isso, a label apostou em não chamar as peças de calcinha para elas ou cueca para eles, mas sim, deu um novo nome para unificar as peças. Agora, todas elas passam a se chamar “modelagens”. A Cacete quer, com isso, entregar uma coleção sem gênero, em que cada pessoa se sinta confortável e livre para vestir o que quiser.

Modem

Para celebrar cinco anos de Modem, André Boffano revisitou seus arquivos e criou uma coleção que reapresenta o acervo da marca, valorizando seus principais pilares: a estética industrial e as formas orgânicas. A apresentação, que questiona o que representa o tempo, é composta com 15 looks montados a partir de peças e reedições de coleções passadas.

“Tem muita roupa muito boa que não é velha. O que é velho? Por que desvalorizamos tanto essas peças?”, questiona o estilista. Entre os looks, destaque para as peças de couro, os plissados em tons neutros, as aplicações metálicas e os acessórios extremamente desejáveis.

ÃO

Foto: Reprodução/Instagram/@ao.algo

Com um filme, chamado “Serão”, que fala sobre medo, corpo humano, instinto e, por fim, alegria, a ÃO apresentou sua coleção de verão 2021, que mescla elementos do sportwear, alfaiataria e moulage. As estampas foram desenvolvidas a partir de quimeras e são composições entre partes do corpo, ecossistemas e objetos ordinários de materiais variados.

Amapô

Com vídeo-performance e enfatizando a roupa como expressão, a Amapô apresentou uma coleção inteira feita com denim em tons variados, do mais escuro ao clarinho, sendo boa parte com aspecto rústico vindo de tecidos parcialmente ou 100% reciclados, produzidos com menos água e química. A proposta, contam as estilistas Carô GoldPitty Taliani, é ressaltar uma consciência agregada ao produto, que também reflete o momento atual nas modelagens mais amplas e confortáveis.

“Durante o distanciamento social, nos dedicamos mais ao estudo de formas”, contam elas. A coleção também contou com a participação de Dudu Bertholini no desenvolvimento, além de styling e direção de casting do filme. Acostumadas a dividir todas as etapas de criação e produção sem medo do acaso e a romper barreiras, Carô e Pitty falaram entusiasmadas, após a exibição do vídeo, como foi importante receberem, em quase 20 anos de marca, o desafio do formato digital. E a Bazaar aproveita para parabenizar Carô, que está aniversariando hoje.

Freinheit

“A ideia é vestir corpos masculinos e femininos, e que seja gostoso, cada um escolha sua modelagem”. Este é o lema principal da coleção “flagwear”, que marca a estreia do Freinheit no SPFW. Se baseando no que o nome de sua label significa (“freinheit” quer dizer liberdade em alemão), o diretor criativo Mario Mota escolheu construir um streetwear moderno e sofisticado, com peças sempre criadas à partir de uma modelagem quadrada, com muitos recortes e engenhosos encaixes.

Com peças oversized como o campo central de trabalho, o estilista incentiva que cada pessoa escolha como usar as parcas, casacos e capas, seja solto em cima de um shorts, modelando com um cinto ou sobreposto com algum outro item. O desfile, ambientado em uma fábrica e com styling de Alexandre Herchcovitch e beleza de Celso Kamura, teve como ponto alto as bolsas gigantes – que chegaram em múltiplas cores – e as botas de látex até o meio da canela, provando, mais uma vez, que as meias altas do street style ganharam as passarelas de fato.

Lino Villaventura

 

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Encerrando o quarto dia de SPFW, Lino Villaventura apresentou um fashion film extremamente poético. Enquanto Ney Matogrosso recitava a letra da canção “Bloco na Rua”, as modelos apresentavam as peças que são resultado de experimentos, reunindo novas texturas, tingimentos e bordados em variados tecidos.

O filme também marca a estreia do fotógrafo Miró em sua primeira experiência com vídeos e o resultado é uma seleção incrível de imagens impactantes. Quando o assunto são as peças, as texturas e a dramaticidade dos comprimentos se destacam. Uma forma perfeita para encerrar mais um dia da edição do evento que mais levantou o questionamento sobre o que realmente é moda.