Apresentação da marca Santa Resistência, estreante no SPFW – Foto: Divulgação/Felipe Vianna

Por Rodrigo Yaegashi, Marcela Palhão e João Victor Marques, com colaboração de Evelyn Gross e Larissa Romano

Nesta sexta-feira (25.06), aconteceu o terceiro dia da 51ª edição do São Paulo Fashion Week. Dando continuidade ao maior evento de moda da América Latina, nove marcas apresentaram suas coleções que valorizam a trajetória da moda nacional.

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Veja abaixo os destaques das apresentações – todas seguindo modelo 100% digital do SPFW:

Gloria Coelho

Gloria Coelho dá início ao terceiro dia de SPFW com a coleção “Mulher do Amanhã”. A união entre o chapéu da série “Peaky Blinders”, o movimento hippie dos anos 1970, os ombros dos anos 1980 e outras inspirações ao longo das décadas cria a visão da marca de 2021.

O resultado é uma coleção jovial, despojada e colorida, repleta de peças únicas, como camisões e vestidos, e separates que tornam o ato de se vestir prático e divertido, sem perder a elegância. A Bazaar ama o swimwear neon e os botões usados para destacar as peças – características para adotar já!

Esfér

A Esfér é a primeira marca de joalheria a se apresentar no SPFW e, para sua estreia, criou peças atemporais e agênero que, com seu design minimalista, permaneceram no catálogo da label.

Elos e aros se transformam em um delicado origami em ouro e prata nas mãos de João Viegas e Aldo Miranda, designers à frente da Esfér. O fashion film apresentado conta um robô, que interage com a modelo Bruna Di, e performances incríveis de Loïc Koutana e Tidy, representando a tecnologia e os movimentos da marca.

Santa Resistência

Outra estreante do SPFW é Santa Resistência, que faz parte do Projeto Sankofa – criado por Pretos na Moda em parceria com VAMO. Mônica Sampaio, criadora da marca, presta uma homenagem à Elizabeth de Toro, princesa de Uganda nascida na década de 1930, que foi modelo, atriz, embaixatriz e ministra das relações exteriores e colocou seu país de origem sob os holofotes.

“Quis trazer toda a representatividade dessa mulher transgressora, à frente do seu tempo, para as passarelas do SPFW”, conta Mônica.

Juliana Jabour

E depois? O tal do “novo normal” de Juliana Jabour é uma festa de extravagância, exuberância e excessos. Realmente precisamos! Volumes vindos de asas angelicais ou da década de 80 – queridinha da label – são o focal point da coleção, que se utiliza de babados em tecidos nobres na construção ultrafeminina.

Pelas ruas desertas do centro histórico de São Paulo, a dupla de modelos vive uma busca pelo reencontro, que, passada a turbulência atual, se conecta de forma invejável, festejando com moletons delux amplos combinados a bottoms secos e colados ao corpo.

A. Niemeyer

Renata Alhadeff e Fernanda Niemeyer trazem para essa nova temporada da A. Niemeyer a busca pela reconexão com a natureza por meio do viés da cura.

Em voga, tal palavra tem em sua raiz elementos de esperança, que são traduzidos nos looks que evidenciam a fluidez, em destaque os print de hélice girando que trazem a mensagem na sua totalidade. Bazaar ama o styling com sandálias flats gladiadoras que amarram a silhueta!

Apartamento 03

Após o breu, vem o que? Para Luiz Claudio Silva, o otimismo embala a coleção da Apartamento 03, que tem como start sua janela, que foi nossa válvula de escape devido à pandemia.

O movimento das ruas até o voo dos pássaros, essas imagens são traduzidas no vídeo e em peças que festejam a alfaiataria DNA da label – que ganham franjas, cores e tecidos mais vibrantes e cintilantes. A sacada da apresentação foi unir a tecnologia do green screen interferindo nos looks, um espetáculo à parte!

João Pimenta

O desfile de João Pimenta no SPFW foi de encontro, em forma e semelhança, com o dia a dia que se tornou rotina desde o início da pandemia da Covid-19. Com os modelos desfilando sob um piso rolante, em que não saiam do lugar, o estilista escolheu colocar a sua coleção no centro de uma luz enorme, que rodava sem parar representando o grande astro Sol, levando para o fashion film a ideia do passar dos dias e meses iguais que tem-se vivido.

Assim como em sua última coleção, os modelos seguem mascarados. Mas, desta vez, as roupas que cobrem o dorso do peito sobem para o rosto, cobrindo o nariz e a boca como uma espécie de “casulo próprio”, conversando com a individualidade que cada um se insere nos dias de hoje.

O mix de estampas – feitas de retalhos – e cores são o ponto alto da coleção, ao lado das mangas bufantes de grandes casacos. É possível notar a influência da tão falada geração Z nas calças soltas e de bocas largas, que parecem que voltaram para ficar. Conversando com o mundo atual em diversas formas e jeitos, a marca nos inseriu em um ambiente lúdico do momento sombrio que estamos vivendo, com um toque enérgico e eletrizante dado pela trilha sonora de boate. Espetáculo de desfile!

Role.Paris

As cores intensas, as botas de cano alto e o cenário em que as modelos saem de uma enorme nave em formato de boca do desfile da Role.Paris, novo nome da Neith Nyer, te lembrou algo? A coleção que encerra o terceiro dia de SPFW foi inspirada na Xuxa e os figurinos que usava para apresentar programas infantis.

A marca estreante criou um mood vívido e moderno seguindo as duas características mais fortes do seu DNA: a sustentabilidade – a label usa tecidos e matérias-primas que estavam prestes a serem descartadas pela indústria têxtil e ganham outra vida nas mãos de Francisco Terra – e a diversidade, com um casting que abraça a comunidade LGBTQIA+. Que bela maneira de encerrarmos mais um dia!