Torinno – Foto: Divulgação

Por Jorge Wakabara

Torino é o nome de Turim, cidade italiana da região do Piemonte. E Torinno, com dois enes, é a marca que apareceu em 2017, já com pedigree: o nome por trás dela era bem conhecido no circuito fashion por seu trabalho como stylist. Luis Fiod explica que todo o seu background anterior o levou a chegar preparado para assumir a direção criativa da label: “Nunca fui aquele cara que chega no desfile quase pronto, faz o styling e entrega. Sempre me envolvi em outras frentes”.

E, com isso, ele quer dizer lidar com fornecedor, entender o desenvolvimento de uma pilotagem, acumular contatos e por aí vai. “A moda no Brasil sempre foi muito efervescente, uma área economicamente muito forte. Tive a oportunidade de participar do desenvolvimento de marcas, entendendo como elas ocupam um lugar, como os departamentos precisam interagir para atingir determinado resultado. Consegui ter todo esse conhecimento trabalhando”, conta.

Torinno – Foto: Divulgação

Outro ponto que chama a atenção na Torinno é a busca pelo equilíbrio entre imagem de moda e qualidade de produto – coisa que, diga-se de passagem, Fiod também procurava em seus clientes anteriores. E é essa qualidade que chamou a atenção de um público para o qual, no começo, ele nem estava mirando.

A Torinno nasceu essencialmente masculina e, logo de cara, chamando a atenção de homens muito diferentes entre si (de Alok e Paulo Gustavo a Roberto Justus). Fiod percebeu uma lacuna grande no mercado e tratou de ocupá-la e, nesse processo, foi notando que as mulheres apareciam cada vez mais. Primeiro, para comprar peças para o marido ou namorado. Aí elas voltavam… porque ficaram com as peças para elas e precisavam comprar outras para eles!

Torinno – Foto: Divulgação

Fiod toma cuidado ao falar de gênero porque sabe que o momento é de quebra desses paradigmas na moda: “Estou falando de um guarda-roupa com características ditas mais masculinas ou femininas, usa quem quer.” Mas, agora, cinco anos depois, esse movimento gradual de mulheres usando as peças da Torinno se oficializa com uma ampliação da oferta nas araras: cropped, body, top, sutiã. A coleção atual é a primeira que se dedica a esse tipo de peças.

Ainda que a variedade seja maior, tem um universo que segue permeando todas as collections: o sporstwear. “Desde o começo, sempre flertei com ele. Até no meu trabalho anterior, sempre existiu uma sofisticação com esse olhar para o esporte, com algo utilitário, contemporâneo. Pensando, por exemplo, nas jaquetas como item de cobertura, até para um vestido de festa, e desdobrando isso à exaustão. Passando por parkas, por bombers. Eu diria que o sportswear é a palavra-chave da Torinno, o fio condutor”, Fiod pontua.

Torinno – Foto: Divulgação

Uma das coisas mais interessantes da label é a subversão de elementos nessa estética: trabalhar a sarja de um jeito que supostamente seria para o náilon, fazer camisaria com acabamento de uma camiseta esportiva no corte e comprimento, criar um vestido curto que tem gola de camisa mais bolso com zíper e elástico na barra.

O novo momento também é arrematado com um novo contrato de exclusividade em venda online: o grupo Icomm, que está por trás de e-commerces como Shop2Gether e OQVestir. A marca não possui ponto de venda físico próprio (“não temos… ainda!”, comenta Fiod, deixando a intenção no ar), mas está espalhada por multimarcas bacanas em todo o Brasil.

Torinno – Foto: Divulgação

Quando a gente pergunta onde Fiod vê a Torinno depois de mais cinco anos, ele desconversa: “Marca é uma coisa que está mudando sempre, é que nem a gente. Tem a essência, a verdade dela, mas está o tempo todo em evolução, entendendo novos aspectos, reintegrando informações, utilizando experiências para fazer diferente”. Por fim, fica quase clara a resposta: ele vê a marca ainda maior. “A ideia é que ela esteja cada vez mais perto das pessoas, que ela atinja mais gente.” Ao que tudo indica, é só mesmo uma questão de tempo.

Torinno – Foto: Divulgação