Olivier Rousteing e sua Balmain Army – Foto: Divulgação

Cumprindo quarentena em Paris, em meio à pandemia do coronavírus na França, o diretor criativo da Balmain, Olivier Rousteing, contou à Bazaar, por telefone, que seus dias têm sido de muito trabalho e disciplina. “Respeitando as regras, em breve teremos dias melhores”, projeta, esperançoso.

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Focado em quatro coleções, ele tem pela frente desafios como resort e verão 2021, feminino e masculino. Sem contar a couture. Apesar do anúncio de cancelamento das semanas de alta-costura e de moda masculina feito pela Federação Francesa de Alta-Costura e de Moda, no final de março, essas coleções continuam sendo um compromisso com os clientes.

Carol Ribeiro – Foto: Divulgação

Na opinião de Rousteing, a moda vai mudar e também a visão sobre o conceito de luxo. Da sua parte, sustentabilidade definitivamente está na pauta de prioridades. Recentemente, a marca anunciou colaboração com a Diamond Foundry, único produtor mundial de diamantes com certificação carbono neutro.

Esther Cañadas – Foto: Divulgação

Nas próximas coleções, planeja usar apenas materiais eco-friendly, mas sem abrir mão do maximalismo luxuoso nem do posicionamento inclusivo, que tem dado o tom em campanhas e desfiles, como o show inverno 2020, em que o designer convocou a modelo brasileira Caroline Ribeiro, 40 anos, a espanhola Esther Cañadas, 43, a dinamarquesa Helena Christensen, 51, e a etíope Liya Kebede, 42.

Julia Stegner – Foto: Divulgação

O diretor criativo também planeja investimento ainda maior em tecnologia, acelerando, assim, projetos que vêm chamando a atenção há algum tempo e que estão reunidos no programa Wonderlabs. Há dois anos, a marca criou a ação “Minha Cidade das Luzes” para a inauguração da concept-store em Milão, projetada para levar os visitantes para dentro da mente de Rousteing, a fim de entender suas influências criativas.

Liya Kebede – Foto: Divulgação

No mesmo ano, um trio de modelos digitais, incluindo a super Shudu, batizado de Virtual Army – em referência ao exército de mulheres poderosas que são a cara da marca -, protagonizou a campanha de inverno. Recursos de realidade aumentada também estão no aplicativo da Balmain. O desfile de alta-costura verão 2019, o primeiro em 16 anos, foi transmitido ao vivo por meio da plataforma.

Outra experiência que tem tudo para ser retomada é o envio de headsets de realidade virtual a importantes influenciadores para que possam assistir ao desfile sem sair de casa. O estilista diz que a pandemia está acelerando a aproximação com a tecnologia, e novos caminhos estão sendo desenhados. O que ele espera? A integração harmônica entre real e digital.

Como têm sido seus dias de quarentena?

Nunca estou entediado, porque estamos trabalhando muito, mais do que o habitual. Tudo que era fácil no escritório fica mais complicado quando se está longe.

Você está trabalhando nas próximas coleções?

Sim, estou trabalhando nos resorts masculino e feminino e no desfile feminino (verão 2021), além do menswear para setembro também. Estamos trabalhando em quatro coleções. Obviamente, ainda não sabemos quando apresentaremos o resort, porque tudo pode mudar. Mas ainda queremos ter essa coleção, então estamos nos mantendo ocupados.

Muito tem se falado sobre o futuro das semanas de moda. Você predende realizar um desfile convencional no segundo semestre ou penasa em formatos alternativos?

Em ambos. Estamos investindo em tecnologia, porque é o começo de um novo mundo. E não sabemos se a imprensa e os compradores poderão vir para o desfile. Claro que gostaria de contar com eles. Então, estamos criando uma experiência digital. Mas nunca vou comprometer uma experiência física, real. Realidade virtual é algo que começamos nas lojas, para proporcionar uma experiência no universo do desenvolvimento. Gostaria de fazer algo assim com os desfiles. Já fizemos um projeto virtual há dois anos (Virtual Army). Acredito que talvez um jornalista que esteja em Los Angeles, no Brasil ou Japão possa colocar sua própria máscara e sentir como se estivesse em um show de Balmain sem pegar um voo. E isso era algo que eu tinha em mente há bastante tempo.

Algum dia imaginou uma situação como a atual e a necessidade de usar recursos tecnológicos?

A situação é definitivamente nova, porque ninguém poderia esperar que essa pandemia fosse tão viral, tão grande, mas, ao mesmo tempo, realmente acredito na tecnologia de certa forma como um futuro, porque já havia muito estresse no sistema da moda. Então, havia uma expectativa de que aconteceria algo com ou sem pandemia. O coronavírus apenas acelerou tudo. Quando você fala com compradores e jornalistas, muitas pessoas mencionam que talvez tenhamos, de fato, duas principais semanas de moda. Há muitas viagens, muitos desfiles, um curto período de tempo entre um show e outro…

No desfile de inverno 2020 havia modelos mais experientes na passarela. Qual o motivo dessa ação?

Não foi a primeira vez. Caroline Ribeiro abriu o desfile verão de 2016 (Doutzen Kroes também participou). Sempre prefiro modelos diferentes nos desfiles, isso sem mencionar campanhas, como a composta por Cindy Crawford, Claudia Schiffer e Naomi Campbell (para a mesma estação). Gosto de unir modelos de diferentes gerações. Claro que a Balmain é uma marca jovem e realmente pop, mas eu diria que sempre fui inspirado pelos anos 1990 e obcecado por essas modelos. E, como sempre mencionei, a Balmain é uma marca inclusiva, o que significa mostrar diferentes etnias, formas e idades. Isso me faz amar a moda.

Por que escolheu a modelo brasileira Caroline Ribeiro?

Ela é incrivelmente bela, mas eu diria que sua generosidade, gentileza e perfeccionismo estão além da beleza. Isso é algo que eu gostaria de lembrar para muitas garotas da nova geração. São alguns dos valores realmente importantes para se lembrar sempre no mundo da moda. É impressionante quando você tem uma carreira de sucesso e mantém os pés no chão. É algo que respeito e amo.