Por Greg Reis
É impossível não sentir um pouco de ansiedade quando passamos os dias constantemente bombardeados de fatos e números alarmantes sobre o futuro do planeta. Mas essa COP27 está sendo chamada da COP27 da esperança por algumas razões. O fato de ser concentrada em ações práticas sustentáveis oferece uma visão clara das possibilidades de resolução desses problemas. Vemos governos, empresas e sociedade se organizando com muita paixão e conhecimento de causa. Além disso, existe uma participação ativa da juventude. Representantes de quem terá a vida diretamente afetada pelas mudanças climáticas estão por toda a parte. É um alívio enorme conhecer soluções práticas lideradas pela juventude consciente e atuante.
Ontem, me deparei com um meme no Instagram, ácido e divertido como memes devem ser, em que, na foto, uma senhora reclamava do calor, e sua neta, ao lado, dizia “a culpa é toda sua, vovó.” Sabemos que a desinformação das gerações passadas causou um desafio injusto às novas gerações. Mas para quê servem os jovens senão para propor um caminho completamente novo e melhor?

A linda Sharm El Sheikh com seus lugares históricas e rica cultura, nos convida nesta COP27 a olhar para o futuro sem esquecer do legado ancestral – Foto: Arquivo Pessoal
Passeando pelos corredores da COP27 o que impressiona no primeiro impacto é a diversidade estética. Já falei sobre isso em outros textos, mas aqui gostaria de aprofundar sobre o significado disso em relação ao olhar para o novo. Em nenhum momento, os caminhos disruptivos desconsideram a cultura originária. Cocares e saaris servem como lembrança de que grande parte do problema ambiental vem da colonização (às vezes recente) e da eliminação de práticas ancestrais que respeitam o nosso papel como seres naturais. A juventude está ligada no que é original, no sentido mais profundo da palavra quando aponta para “origem”. Me vem o sucesso de Rosalía à mente. Febre recente no pop entre os jovens, ela propõe uma linguagem musical que fala de futuro e ao mesmo tempo carrega o flamenco, musicalidade enraizada da Espanha, como resgate e – por que não?! -, protesto. A colagem e empilhamento de eras é trazido como reforço de um pensamento estendido do tempo. Não queremos mais o que acaba rápido. É como se o jovem estivesse pedindo por participar de uma existência que dure.
O fim da primeira semana de COP27 vem carregada desse sentimento de “não estar sozinho”. Diálogos e conexões estruturantes são fundamentais, mas a expressão visual que já não tem uma cara anos 80 de “we are the world” é potente. Ela vem apresentar a juventude que luta por carregar um legado ancestral para lembrar às gerações passadas do porquê precisam permanecer aqui. O jovem tem o direito e o dever de continuar. Abrir espaço para que peçam, protestem, proponham e conversem é fundamental na tentativa de combater os efeitos do aquecimento global.
No fim da primeira semana de COP27, o que fica de lição é que o tradicional e o novo devem conviver para que o desafio seja enfrentado com verdade. A floresta e o metaverso estão no mesmo planeta onde nossa consciência é urgente.



