Vista aéra do spa do Anantara Kihava – Foto: Divulgação

Não há como negar: a primeira imagem que vem à mente ao pensar em uma viagem às Maldivas é a de um casal em lua de mel. Romance em chalés luxuosos, embalado por uma paisagem de tirar o fôlego e nada muito além disso. Pois acredite: há muito a se fazer nas Maldivas, e tampouco as ilhas se resumem ao destino de casais apaixonados. Grupos de amigos e famílias, inclusive com filhos pequenos, e até surfistas, muitos deles, aliás, encontram suas praias nesse paraíso de natureza praticamente intocada, passeios, mergulho, atividades de wellness e alta gastronomia.

Minha viagem começou em um outubro, a baixa estação, que prometia ser mais chuvosa, mas que se revelou perfeita para o tipo de turismo que faria. Apesar das previsões meteorológicas, a chuva veio, mas rara, branda e breve. O sol dava as caras na maior parte do tempo, para deixar o azul-turquesa das águas ainda mais especial.

Com menos turistas na região, os hotéis tinham ocupação razoável, perfeita para tempos de pandemia. A ideia era conhecer cinco resorts da rede de hotéis de luxo tailandesa Minor Hotels. Pimeiro destino: Anantara Kihavah Villas, área de reserva de biosfera reconhecida pela Unesco, em Baa Atoll.

O acesso do quarto à laguna do Anantara Kihava – Foto: Divulgação

A chegada por hidroavião não tem como não remeter à série “Ilha da Fantasia” (se você tem menos de 40 anos, talvez não faça ideia da comparação). Ao desembarcar, funcionários sorridentes e enfileirados nos esperam para as boas-vindas, com a mão no peito, uma saudação asiática linda, que mostra que eles realmente estão ali para nos prover do seu melhor.

Falo de gentileza, acima de tudo. Uma água de coco para refrescar antes de conhecer o quarto. E que quarto! Uma vila sobre a água, com piscina privativa, rede flutuante sobre o mar e a vontade de passar o resto do dia ali. A banheira de hidromassagem com fundo de vidro proporciona vistas e visitas especiais da vida marinha. Mas há muito a fazer – depois, claro, de um mergulho nas águas transparentes, ao lado de peixes e arraias coloridas.

Pego a minha bicicleta, estacionada na porta da vila, para circular pelo Anantara Kihavah. Minha parada estratégica é no spa, onde recebo uma das massagens mais incríveis da minha vida. A escolha foi pela signature do Anantara Spa, que fica sobre as águas com saunas, piscinas de imersão quente e fria e uma área de relaxamento que parece flutuar sobre o Oceano Índico.

Detalhe do quarto com vista para o oceano infinito no Anantara Dhigu – Foto: Divulgação

Desbravando o resort, descubro uma horta orgânica, visito as residências – o Kihavah tem uma coleção das maiores residências sobre a água do mundo, lindas e luxuosas, e caminho na praia de areia fina e branca. Por falar em luxo, aqui ele é sinônimo de experiências e bem-estar. Tudo na medida: da decoração dos quartos à disposição das louças na mesa, o luxo está nos detalhes – uma cerâmica especial, uma luminária assinada, telhados de palha, azulejos de pedra natural, sempre de acordo com o clima praiano local.

Pratos mediterrâneos, tailandeses e japoneses estão no cardápio impecável. E não tem como perder a chance de conhecer o Sea, seis metros abaixo da água, eleito o melhor restaurante subaquático do mundo. Desfrutar do menu enquanto peixes, raias, tartarugas e, se der sorte, até tubarões passam pelas janelas é uma experiência imperdível.

Na manhã seguinte, prática de snorkeling ou mergulho para explorar a vasta vida marinha ao longo dos recifes de corais. De literalmente tirar o fôlego. Para fechar a última noite, tapas e drinks no observatório flutuante, o único do gênero nas Maldivas, onde um guru das galáxias nos aponta e ensina sobre estrelas, planetas, constelações e outros fenômenos, usando um telescópio poderoso.

O acesso do quarto à laguna do Anantara Kihava – Foto: Divulgação

Me despeço com essa vista espetacular do céu sem poluentes. Próxima parada: Niyama Private Islands. Paraíso dos surfistas, esse resort é bem maior do que o anterior e é formado por duas ilhas: Play e Chill são conectadas por uma ponte. À medida que nosso hidroavião desce em direção ao Niyama, já vejo os dois oásis verdes rodeados de areia branca no mar de azul.

Chill é a ilha de escolha para hóspedes que querem sossego, enquanto Play é para aqueles que desejam mais atividade. Ambas são facilmente acessíveis via bicicleta ou carrinho de golfe. Em frente à costa da Play, ondas quebram a poucos metros da areia. Lá, conheço o renomado fotógrafo de surfe profissional brasileiro, Erick Proost, que passa temporadas no hotel fotografando os hóspedes que pegam onda.

O hotel oferece aulas para iniciantes. A boa pedida é relaxar depois no Surf Shack, e saborear coquetéis de rum e petiscos gourmet servidos ali. No Drift Spa, faço uma massagem com óleo de coco natural, altamente hidratante. Bom para recuperar a pele dos dias de sol intenso. Um passeio de caiaque pelas ilhas e termino o dia no restaurante de culinária africana. Uma noite no Tribal, em meio às árvores, nos transporta para aquele continente, com seus temperos e aromas. Pratos com gosto ancestral acendem os sentidos de forma impressionante. Puro deleite.

As areias branquíssimas do Anantara Kihavah – Foto: Divulgação

Na manhã seguinte, vejo grupos de amigos e famílias que alugam algumas das residências do resort, que lhes garantem luxo e privacidade com toda a estrutura do hotel. Passo a manhã relaxando na praia e sigo de barco para um almoço especial no Subsix, o segundo restô submerso da viagem. Todo decorado com tema aquático, imerso na vida marinha, oferece pratos como carpaccio de polvo com molho de maracujá e robalo com caviar de beringela. Espetacular. Assim como o Nest, que tem cozinha asiática de vanguarda e jantar nas copas das árvores cercado por pássaros exóticos.

O dia seguinte começa com um dos passeios mais aguardados e ponto alto da viagem: mergulho com arraias jamantas na Hanifaru Bay, onde dou a sorte de encontrá-las (pode acontecer de não estarem na baía) e de nadar e apreciar o balé de dezenas delas. Todo o passeio é conduzido por uma bióloga marinha que vai explicando tudo sobre os milhares de espécies que habitam o local. Depois do snorkeling com os peixes gigantes e as aulas de surfe, para relaxar os músculos, flutuo na piscina de borda infinita com vista para nada além do oceano. Na manhã seguinte, me rendi ao café da manhã flutuante, um clássico no Instagram de quem visita as Maldivas.

Parto para o último hotel da viagem. Hidroavião até Male, e um iate leva ao novo destino, em menos de meia hora. Chego ao Anantara Dhigu, que divide sua laguna com outros dois hotéis: Anantara Veli, só para adultos, e Naladhu Private Island, de altíssimo luxo e exclusividade que acabou de passar por uma reforma completa. Juntos, os três são uma espécie de polo do bem-estar das Maldivas. E não é só o spa (onde fiz um facial desejadíssimo). A chegada de uma naturopata e de uma terapeuta nutricional residentes impactou até os cardápios. No Veli, o restaurante 73 Degrees tem menu wellness que inclui sucos e alimentos funcionais, detox, naturais e orgânicos. Ali no Veli, também fiz uma aula de ioga e meditação com um mestre local.

Snorkeling com as arraias jamantas na Hanifaru Bay, um dos passeios proporcionados pelo Niyama Private Islands – Foto: Divulgação

O Naladhu reabriu suas portas com um redesenho completo do arquiteto premiado Yuji Yamazaki, que vive em Nova York. Todas as 20 residências com piscina privativa são um escândalo de lindas. O Dhigu é bem mais familiar e tem um dos melhores e mais completos bufês de café da manhã da vida, com pratos que vão do árabe ao mexicano, passando pelo tailandês – todos de altíssima qualidade. Sob comando do chef francês Philippe Wagenfuhrer, os restaurantes são outro ponto alto do complexo.

Vila sobre a água com piscina de borda infinita do resort Niyama Private Islands – Foto: Divulgação

Depois de um mergulho com tubarões (o medo passa logo!), é hora de deixar o paraíso. Estou mais leve e totalmente impactada pela beleza incomparável e a exuberância daquele lugar. Ao deixar Dhigu, com o mesmo ritual de funcionários gentis e generosos, que largam o que quer que estejam fazendo para se alinharem na calorosa despedida aos hóspedes, me pego levando a mão direita ao lado esquerdo do meu peito. Como se o melhor de mim saudasse o melhor que a ilha e toda essa experiência puderam me oferecer. Para mim, a melhor definição de luxo.