Algodão brasileiro: a pluma sustentável

No dia do Meio Ambiente, os agricultores brasileiros celebram as conquistas da cotonicultura nacional

by redação bazaar
Foto: Divulgação

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Fibra natural, ecológica e biodegradável, o algodão vem atravessando os milênios no topo da preferência da humanidade como matéria-prima para a fabricação de suas roupas. E no dia em que o mundo comemora o Dia do Meio Ambiente, os agricultores brasileiros celebram as conquistas da cotonicultura nacional, que só foram possíveis com a adoção ampla do conceito de sustentabilidade nas lavouras.

Em 2019, o País se prepara para colher 2,8 milhões de toneladas de pluma de algodão. No contexto mundial de produção de 26,7 milhões de toneladas, o País é o quarto maior produtor e, pela primeira vez, assume o posto de segundo maior exportador no ranking global.

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A relação entre os impressionantes números da cotonicultura nacional e o meio ambiente é mais estreita do que se imagina. E isso tem menos a ver com as condições naturais favoráveis ao cultivo – clima, solo e disponibilidade de terras agricultáveis –, do que com a capacidade do produtor de algodão de manejar de forma correta e racional esses recursos, que embora sejam abundantes e renováveis, são finitos.

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Há pouco mais de 20 anos, a sustentabilidade – ambiental, social e econômica – foi entendida como único caminho para fazer renascer e perdurar a produção de algodão no país. A bandeira se tornou um compromisso de todos os cotonicultores, representados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que implementou o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que estabeleceu critérios para certificar, em nível nacional, a pluma sustentável e opera embenchmark com a ONG suíça Better Cotton Initiative (BCI).

Com ações assertivas e consenso entre os cotonicultores para a importância das boas práticas, desde que o cultivo do algodão se intensificou no cerrado, o Brasil, que importava a pluma no final dos anos de 1990 passou a ser um dos maiores fornecedores mundiais. Hoje ostenta com orgulho o título de maior provedor global de algodão licenciado pela BCI.

Números

Do total de algodão produzido no globo, 19% são licenciados pela BCI.

No Brasil, a estimativa de área plantada, certificada ABR, para a safra 2018/19, é de 1,3 milhão de hectares, número 38% superior ao da safra 2017/18.

Já produção de pluma certificada ABR no Brasil na safra 2018/19 é estimada em, aproximadamente, 2,2 milhões de toneladas, número 42% superior ao alcançado na safra 2017/18. Para o BCI, a previsão de licenciamento é de de 2,1 milhões de toneladas de pluma de algodão. “Este número nos indica que 80% da safra colhida no Brasil são de algodão certificado, comprovadamente sustentável. E o percentual de adesão cresce a cada ano”, considera o presidente da Abrapa, Milton Garbugio.

O pilar ambiental

Em linhas gerais, os critérios ambientais preconizados pelo ABR/BCI determinam que a produção de algodão, para receber a certificação/licenciamento, seja alinhada ao Código Florestal Brasileiro e com a Legislação Ambiental. O protocolo elenca itens de verificação e de certificação sobre outorga de água, sobre uso racional do recurso hídrico, com comprometimento e metas de redução de consumo ao longo dos anos, além Itens de verificação e certificação sobre proibição de aplicação de ingredientes ativos que são proibidos por convenções internacionais.

Muito além dos protocolos

Mas a produção sustentável de algodão é muito mais que checklist. Visando aumentar a produtividade nas lavouras, preservar o solo, quebrar o ciclo de pragas e doenças, os produtores adotam técnicas agronômicas diferenciadas, e decisões acertadas, desde o início da produção, no centro-oeste brasileiro, garantem mais eficiência nas lavouras, qualidade no produto e sustentabilidade no cultivo.

Plantio direto

Trata-se de uma técnica sustentável na qual o Brasil é líder mundial. Ela consiste em deixar a palha da safra anterior no solo, para criar uma cobertura de matéria orgânica e evitar o impacto de implementos como o arado. Isso preserva a terra e a microfauna que habita nela, evitando a sua exaustão.

Sou de Algodão

Entender a importância da sustentabilidade fez diferença dentro de cada fazenda de algodão e ressignificou a pluma do Brasil, hoje reconhecida pelo mercado mundial como sustentável. Mas era preciso que esse conceito também-chegasse ao guarda-roupa. Por isso, a Abrapa lançou, em 2016, na São Paulo Fashion Week, o movimento Sou de Algodão. Seu objetivo é esclarecer e enfatizar as vantagens da matéria-prima para a natureza e para quem usa, e, assim, incrementar o seu consumo no Brasil.

“A Abrapa, com a empresa Markestrat/USP, estudou os hábitos de compras de produtos têxteis pelos brasileiros – de vestuário a produtos de casa mesa e banho –, em diversos nichos, e desenhou uma estratégia que pudesse ser mais que um programa institucional, tornando-se uma onda, um movimento capaz de engajar todos os que se preocupam com o bem do planeta, o bem-estar social na produção e, claro, com estilo”, afirma Garbugio.

Mostrando que o algodão, além de ser uma fibra natural, biodegradável, durável, versátil, confortável e bonita, também é sustentável, inclusivo, democrático e a favor da diversidade, dentre muitos outros atributos, o movimento está chegando cada vez mais longe.

Em maio, o movimento Sou de Algodão alcançou 100 marcas engajadas e desde a criação nomes importantes da moda têm ajudado a levar essa ideia ainda mais longe, como, Paulo Borges, Martha Medeiros, Chiara Gadaleta, João Pimenta, e muitos outros.

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