Casal se abraça – Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Por Ana Carolina Soares

Já ouviu falar no Dia do Amor ou Tu B’Av? É um feriado lindo comemorado por judeus ou adeptos da Cabala (meu caso :-). Anote aí na sua agenda: neste ano vai cair entre o pôr do sol desta sexta-feira (23.07) até o anoitecer do sábado (24.07). Sem entrar em detalhes do porquê místico ou astrológico – afinal, esta coluna trata sobre relacionamentos e sexo – representa o encontro da lua cheia no signo regido pelo sol (Leão), algo que muuuuito resumidamente desperta no mundo uma energia de completude.

Pois bem, escutei neste fim de semana uma palestra sobre o Dia do Amor preparada pela coach de independência emocional Esther Shani, uma mulher muito maravilhosa que admiro desde 2013.

Trocamos algumas mensagens a respeito neste domingo e decidi compartilhar aqui na coluna 8 conceitos vitais sobre amor, sexo e relacionamentos.

A ideia é refletir um dos maiores efeitos da pandemia: a separação. Os cartórios brasileiros bateram recorde no número de divórcios no segundo semestre de 2020. Foram 43,8 mil processos de acordo com levantamento do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF). O número subiu 15% em relação ao mesmo período de 2019.

Melhor você se preparar, hein! Sente-se em um lugar confortável, tome um chazinho… Porque aquele amor romântico ensinado para a gente nos contos de fada até a década de 1990 (era pré-Frozen, Moana e afins), a tal busca pela princesa ou príncipe encantado vai virar fumaça! E pode comemorar! Porque a vida real, quando bem embasada e analisada, é muito mais deliciosa e garante o “feliz para sempre”.

E você? Não sabe se casa, separa ou se compra uma bicicleta? Aí vão os 8 princípios que podem ajudar você a se decidir:

1. Em primeiro lugar, é bom deixar cristalino que a vida é feita de ciclos. Basta olhar tudo e todos. Seria muito legal se as mesmas pessoas acompanhassem sempre todos os nossos ciclos. Algo raríssimo, afinal, absolutamente tudo tem um começo, um meio e um fim. Mesmo relacionamentos saudáveis e felizes normalmente “morrem” em um determinado momento para “renascer” melhor depois. Você pode perguntar isso a qualquer casal junto há décadas. Absolutamente todos eles passaram por “perrengues” dificílimos, tiveram suas DRs para depois se reinventar. E essa reinvenção pode ser a dois, a sós. A pergunta do milhão é: como saber se é hora de perseverar ou dar tchau e partir para outra?

2. Esther ensina que temos duas bússolas: o desejo autêntico e nossos valores. Um dos antídotos de roubada é todos os envolvidos deixarem suas identidades e ideais de vida bem claros logo nos primeiros encontros. E gente? Por que não? Se a sua verdade espantar a outra pessoa, que vá logo rsrs “Ilustro não abrir suas vontades no início como chegar num restaurante e pedir todos os pratos do cardápio. Aí, quando vem tudo, a mesa está cheia, a pessoa diz ‘ah, mas na verdade, eu só queria um drinque’. Nos relacionamentos, ocorre a mesma dinâmica. Não se trata de cobrança, mas vale a pena deixar claro logo no início seus gostos, essências, saber afinidades, valores… Afinal, ninguém muda ninguém”, explica Esther.

3. Desejo autêntico é a visão particular de cada um sobre a vida, como cada um de nós acredita que um relacionamento amoroso precisa ser. Quero casar na igreja e ter filhos? Quero viver um poliamor? Quero viver só e conhecer milhões de pessoas? Beleza! Todas as alternativas estão corretas! Não importa como a sociedade julga o que você deseja. O importante é ter essa visão clara, respeitar e viver essa vontade, comunicá-la bem às pessoas que aparecem na sua vida. É como um princípio, sabe? A gente não fica se moldando de acordo com a outra pessoa que está ao lado. Você não tem isso claro? Bem, não se sinta um ET… Na verdade, acho que a maioria se deixa influenciar por família, amigos, artistas, filmes etc…. Eu mesma faço análise há mais de 20 anos e só agora sinto que tenho esse rumo claro 😉

4. A outra bússola é um pouquinho mais plural: valores. O que é realmente importante para você? Família? Liberdade? Fidelidade? Leveza? Justiça? Verdade? Solidariedade?… Em suas dinâmicas, Esther faz um exercício para a gente listar 10 valores, aí reduz para 5 e finalmente, 3. Estes são os nossos pilares. Vale a pena um parêntesis aqui: beleza, conta bancária, nacionalidade, tudo o que pertence ao “mundo material” não se trata de um valor, ok? Tende a quebrar a pessoa que só sai com estrangeiros de olhos azuis que fez mestrado em faculdade cara e famosa. Superficialidades não são valores.

5. Com esses 2 pilares primordiais em mente, chega a hora de pensar em alguns conceitos de Independência Emocional. O que é isso? A única pessoa responsável pela sua felicidade, saúde, alegria de viver ou sustento é você. Claro que em um relacionamento saudável, existe parceria: há prazer mútuo em dar apoio, cuidar etc…. Fuja de vudus, aqueles que ficam torcendo para sua queda só para se sentir mais poderoso ou poderosa! Porém, o oposto disso, ou seja, cobrar da outra pessoa o ônus da felicidade… Usar aquele mantra do mal “tu és eternamente responsável pelo que cativas”… So sorry… Terceirizar seu bem-estar é roubada na certa! Ser feliz no amor é ter pessoas independentes que resolvem, por afinidades de vida e valores, viver juntas.

6. Aí entram as “pegadinhas” desses conceitos. A principal delas, a paixão. Ok, muito delícia estar nas nuvens! Só que a paixão ativa uma parte do nosso cérebro que comunica com o medo, ansiedade e estresse. Esse sentimento acaba preenchendo a gente de tal forma, que acaba ofuscando a outra parte do cérebro responsável pela razão. Aí vem aquelas decisões erradas… (Quem nunca, né? rsrs) Jura amor eterno, acha que vai viver para sempre com crush inteligente e deslumbrante que acabou de conhecer, resolve juntar as escovas de dente depois de uma noite magnífica… Enfim, aquelas burradas típicas de comédias da linha “Se Beber Não Case”. É preciso colocar o pé no chão e se ancorar nos seus valores e no desejo autêntico para analisar, checando se aquilo é de verdade bom ou não para você.

7. A outra “pegadinha”: a chatice do outro. Tem a máxima “o inferno são os outros” do Sartre. Isso é realmente um mandamento especialmente se a paixão prescreveu. Vale a pena manter em mente que a outra pessoa terá a particularidade dela, o gosto dela, a educação dela… Enfim, um universo completamente diferente. E, obviamente, vai irritar você! Mas bagunça demais, organização demais e talz trata-se apenas de características, diferenças de personalidade… Não são valores nem desejo autêntico.

8. Para finalizar, a maior ilusão: a atração física. Obviamente trata-se de um componente vital em um relacionamento! Mas vale a pena colocar esse “ingrediente” em seu devido lugar. Vamos lá! A pessoa pode ser incrível de cama, inesquecível! Mas isso não significa que seus valores coincidem, apenas que podem viver delícias, momentos inesquecíveis a 2 (ou a 3, 4…). Daí a casar por causa disso… Hum…. Ao mesmo tempo, repito que atração física é sim um ingrediente vital para um relacionamento amoroso, acredito. Senão, qual a diferença de uma amizade, né? O que fazer então com aquela “caída básica” da pandemia e/ou o passar do tempo? “Imagine uma pessoa que passou por um trauma há décadas. Se ela pensou naquele trauma, caso se concentre nele, vai resgatar todos os sentimentos, as emoções ruins, certo? Pois a boa notícia é que com as emoções consideradas positivas, ocorre a mesma dinâmica. Se os dois investirem energia na paixão que ocorreu lá no início, dá para resgatar a chama”, diz Esther. E digo mais: com o tantra, você consegue transformar a outra pessoa em sua alma gêmea!

E se realmente o amor acabar, está tudo bem. O mundo oferece mais de 7 bilhões de possíveis “metade da laranja” circulando por aí 😉

A 2, a 3… ou A sós, Feliz Dia do Amor!

PS: Recomendo muitooo assistir a palestra inteira da Esther. Olha o link AQUI.

@anacarolcsoares Jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw.